quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Debate do Orçamento de Estado para 2010

Está a ser transmitido em directo nalgumas rádios e televisões o debate na Assembleia da República sobre o Orçamento de Estado para 2010. É um assunto importante e é lá que se decide a vida de tanta gente, nomeadamente dos quase 900 mil trabalhadores a falsos recibos verdes e do milhão de trabalhadores a prazo.

Por isso podemos hoje avaliar as posições de cada força e as propostas concretas em cima da mesa do debate que nos afecta a todos. Em directo... pode ouvir-se aqui ou ver-se aqui na internet.

Governo quer aumentar recuperação de dívidas à Segurança Social

A ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Helena André, divulgou a intenção do Governo de recuperar 400 milhões de euros em dívidas à Segurança Social durante o corrente ano. O anúncio foi feito no Parlamento, durante a discussão do Orçamento de Estado nas comissões parlamentares de Trabalho e Finanças. Entretanto, o secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, acabou por esclarecer que a dívida à Segurança é actualmente superior a 3,2 mil milhões de euros.



O combate à fraude e, sobretudo, a garantia de dotação para a Segurança Social é, sem dúvida, da maior importância. No entanto, este anúncio de Helena André não esclareceu o essencial: como se fará e a quem se dirige a recuperação das dívidas prevista.

terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Frente Comum da Função Pública anuncia greve para dia 4 de Março


A Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública anunciou hoje a convocação de uma greve para o próximo dia 4 de Março, depois do Governo ter hoje confirmado que este ano não haverá espaço para qualquer aumento salarial na Administração Pública e que as reuniões com os sindicatos apenas servirão para discutir outro tipo de matérias.

Os sindicatos argumentam que os trabalhadores da Função Pública têm vindo a perder o valor real dos seus salários nos últimos anos. Além disso, é sabido que os aumentos na Função Pública estabelecem a bitola para o conjunto das empresas, o que significa, a manter-se esta posição do Governo, um congelamente generalizado dos salários para o conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras.

Esta greve é a resposta a esta inflexibilidade por parte do Governo. "O Governo continua com uma postura prepotente, não negoceia com os sindicatos", diz Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum, à RTP. Estão ainda previstos outros protestos e mobilizações, em agenda durante os próximos meses, que culminarão numa manifestação nacional no dia 4 de Março. No dia 4 de Abril estão já marcadas concentrações nacionais.

Portugal e Grécia: Funcionários públicos pagam a crise

Há poucos dias atrás, Olivier Blanchard, representante máximo do FMI, mostrava-se preocupado com a crise económica internacional, em especial com a Grécia e Portugal. Este apontava como resolução do problema, empurrar a crise para cima dos trabalhadores (aqui). Em Portugal como na Grécia, as ideias partilhadas por este "idiota" do FMI, não são apenas um possível caminho a seguir, mas sim um caminho com muito percurso feito e que continua a perspectivar políticas futuras, desprotegendo ainda mais a generalidade dos trabalhadores. A esta ferocidade, nem os funcionários públicos escapam, é exemplo disso: o actual Orçamento de Estado proposto pelo PS, que congela os ordenados e degrada as relações de trabalho e a vida de toda esta gente que, apesar das adversidades, muito se tem batido pelos seus direitos; e o apelo do primeiro ministro grego, Georges Papandréou, para que os funcionários públicos dêem o exemplo aceitando o congelamento dos seus ordenados, ajudando o país a sair da crise (aqui).


Os funcionários públicos, na Grécia como em Portugal, não são responsáveis por esta crise internacional. O crescimento da precariedade e a degradação das condições de vida destes trabalhadores não pode ser, nem é, a resolução para uma crise criada por quem transacciona, especula e acumula milhões.

segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Operários da Oliva fazem frente à ameaça de despedimento e exigem os seus direitos

Os 184 operários da empresa metalúrgica, Oliva, situada em São João da Madeira, estão organizados para fazer frente à "suspensão produtiva", imposta pelos seus administradores, que põe em risco os seus postos de trabalho e exigem, também, o pagamento dos ordenados em atraso e do subsídio de natal.


Segundo um representante da comissão de trabalhadores “ficou decidida uma concentração em dias alternados, às terças e quintas-feiras, das 10h30 ao meio-dia, para que a administração se aperceba de que os trabalhadores não estão parados. Querem é trabalhar e que a empresa esteja a laborar” (Público).
Os Precário Inflexíveis saúdam a coragem destes trabalhadores. A actual crise económica que, pelos vistos, também afecta esta empresa, pois tem 8 milhões de euros em dívidas acumuladas,  não foi provocada pelos seus operários e, por isso, não podem ser estes a pagá-la.

OCDE - Portugal no top5 do desemprego

Segundo o jornal Público, foi hoje divulgado um conjunto de dados proveniente do Eurostat, relativos ao desemprego que afecta os 30 estados-membros da OCDE. Portugal encontra-se no Top5 dos piores resultados com uma taxa de desemprego, em 2009, de 9,6%. Acima, regista-se: Hungria (10,1%); Irlanda (11,8%); República Eslovaca (11,8%) e Espanha (18,1%). Relembra-se ainda que, em Dezembro passado, Portugal bateu recordes com 10,4% de desempregados, valor superior à média da OCDE, União Europeia (9,6%), e zona euro (10%).


Com o crescimento do desemprego, intensifica-se a chantagem da precariedade (aqui), ora trabalhador precário ora desempregado, a intermitência do trabalho e a fragilidade destes trabalhadores, perante uma relação de forças desigual (trabalhador-patrão), são a certeza de muitas vidas precárias.
Somando ao milhão de trabalhadores a recibos verdes o milhão de contratos a prazo e a totalidade dos desempregados (incluindo os muitos já cansados de se inscrever no centro de emprego e, portanto, fora das estatísticas) este universo representa mais de 50% da população activa portuguesa (aprx: 5 milhões).

Se um dia, toda esta gente bater o pé, o país treme!

Festa de encerramento da petição "Antes da Dívida temos Direitos!"


@s Precários Inflexíveis estiveram Sábado à noite no Porto, para festejar o fim "oficial" da petição "Antes da Dívida Temos Direitos!". Juntámo-nos aos amigos e amigas do APRE!, Plataforma dos/as Intermitentes do Espectáculo e FERVE para sublinhar mais uma vez a importância fundamental da justiça nas contribuições para a Segurança Social e do fim dos falsos recibos verdes.
Esta primeira iniciativa que juntou quatro grupos de luta contra a precariedade foi lançada  no dia 20 de Novembro em Lisboa, e representa o acumular de forças no combate à exploração laboral que tem sido patrocinada pelos sucessivos governos. E não se acumula forças para depois não fazer nada... A partir de agora somaremos sempre mais força às nossas próprias em todas as nossas iniciativas.

Importa-se de repetir?

A recém-chegada às lides governativas Helena André continua a ser pródiga em afirmações vazias de sentido e disparates totalmente desprovidos de bom-senso. Já não bastava a pérola com que insultou mais de meio-milhão de desempregados - para não falar dos dois milhões de precários e todos aqueles que sofrem diariamente as consequências do catastrófico cenário laboral em que se arrasta a sociedade portuguesa, uma saída brilhante que os portugueses tiveram a infelicidade de ouvir em prime-time nos telejornais de todas as televisões. Desta vez, a senhora sindicalista, a tal da Ministra-do-Trabalho-que-nos querem-fazer-acreditar-que-um-dia-se-bateu-pelos-direitos-dos-trabalhadores, defendeu, em entrevista à Acção Socialista (órgão oficial do P.S.), que o Código Contributivo é um instrumento de combate à precariedade e à fraude e evasão contributiva". Assim, para Helena André, o adiamento da entrada em vigor do Código Contributivo é um erro:

"O Código Contributivo é um instrumento de combate à precariedade e à fraude e evasão contributiva. Permite melhorar a protecção social dos trabalhadores por conta de outrem e independentes, fomentar a sã concorrência entre empresas e partilhar o custo da protecção social dos trabalhadores independentes com as empresas que os contratam. É o maior instrumento de combate à precariedade implementado no nosso país. E, finalmente, resultou de dois acordos em sede de Concertação Social. Tenho grandes dificuldades em compreender como é que aqueles que apregoam diariamente o combate à precariedade votaram a favor da suspensão da entrada em vigor de um instrumento que permitia justamente travar esse combate. Prestaram um mau serviço aos portugueses e às portuguesas" (sic)

Sempre gostaria de ver - e ouvir! - a senhora ministra ter o desplante de  "apregoar" este chorrilho de nonsense na imprensa propriamente dita (se é que tal coisa ainda existe) e não apenas nos instrumentos autopropagandísticos do governo que se diz socialista... e,  já agora, pergunto-me se a senhora ministra terá algum argumento concreto para defender as suas afirmações ou se não lhe passou pela cabeça que outros, para além dos seus "correligionários", poderiam lembrar-se de a confrontar com a sua triste e estéril demagogia...

Myriam Zaluar

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

ExpressoEmprego publica ofertas ilegais

Já não é a primeira vez mas devia ser a última que o Expresso Emprego, um jornal de referência, publica ofertas de emprego ilegais.

Só esta semana aparecem pelo menos 4 ofertas para o género feminino - é ilegal publicar ofertas de emprego definindo um género. Esta semana a empresa Cellulem Block e um Escritório de advocacia em Loulé procuram Estagiárias, Supervisoras ou Recepcionistas, deixando bem explícito que procuram mulheres para estas funções.

A vergonha é o Jornal Expresso ser cúmplice na ilegalidade destas ofertas.

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Festa de encerramento da petição "ANTES DA DÍVIDA TEMOS DIREITOS"


Festa de encerramento da petição "ANTES DA DÍVIDA TEMOS DIREITOS" com balanço da iniciativa, conversa, música, performance e muito convívio.

ONDE: Labirintho (Rua Nossa Senhora de Fátima, 334. Porto)

QUANDO
: Sábado, 6 de Fevereiro


HORÁRIO
: início às 21h30

ACTUAÇÕES: Heidi M + D. Chica; Igor Gandra


Precários/as Inflexíveis, APRE!, Plataforma dos/as Intermitentes do Espectáculo e FERVE juntaram-se para o lançamento da petição "Antes dívida temos direitos". Esta petição, pugnando pela justiça nas contribuições para a Segurança Social e pelo fim dos falsos recibos verdes, foi lançada no dia 20 de Novembro, em Lisboa. Nesta festa, foram apresentados dois vídeos de divulgação da petição, que podem ser vistos
aqui e aqui.

Em pouco mais de dois meses, contactámos milhares de pessoas, juntámos mais de 10 mil assinaturas (
online e em papel), entregámos um presente de Natal à Ministra do Trabalho e congregámos em vídeo apoios à nossa petição de Carvalho da Silva, Sandra Barata Belo, Diana Andringa, Chullage e Miguel Guilherme.

Agora, vamos encerrar a recolha de assinaturas no Porto, numa festa onde haverá música, convívio e debate acerca das próximas etapas desta petição.


No dia 6 de Fevereiro, no Labirintho, CONTAMOS CONTIGO!! E traz um/a amigo/a também!