quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Flexisegurança volta ao discurso do Governo na resposta às preocupações dos patrões


A ministra do Trabalho Helena André vai estar na antena da TSF ao final da tarde para uma entrevista mas já respondeu esta manhã a três perguntas, duas vindas dos patrões pela voz de Rocha de Matos (presidente da AIP - Associação das Indústrias Portuguesas) e de Francisco van Zeller (presidente da CIP - Confederação das Indústrias Portuguesas) e outra dos sindicatos feita por João Proença, da UGT.

A ministra não exclui que no futuro a legislação laboral venha a incluir algumas regras da flexisegurança, uma estratégia aplicada nos países nórdicos, que permite por exemplo uma menor rigidez nos horários de trabalho.

Esta é a resposta ao presidente da AIP que quis saber se a nova ministra considera que a actual legislação laboral aumenta a competitividade da economia portuguesa. Quis também saber se a flexisegurança, com as devidas adaptações, poderá fazer parte do mundo empresarial português.

Compreende-se que existem muitas expectativas perante este novo governo e esta nova ministra do Trabalho por parte dos patrões que querem trabalhadores mais flexíveis.
Os/as trabalhadores/as também têm expectativas e sabem que a segurança do seu posto de trabalho, da garantia de direitos e de condições de trabalho, já foi posta em causa com o Código de Trabalho aprovado na legislatura anterior. Esperamos por um combate sério e consequente à precariedade, não esperamos a flexisegurança.

O detalhe destas perguntas e respostas da entrevista a Helena André pela TSF, encontra-se aqui. Às 19h será emitida a entrevista completa.

Hoje na 2



É às 23:30, no programa do Clube de Jornalistas. João Pacheco - jornalista e membro dos Precários-Inflexíveis - participa no debate moderado por Dina Soares, com a jornalista Joana Clara, que vai no segundo estágio, e o professor universitário Manuel José Damásio.

Os patrões pedem esmolinhas


A Associação Industrial Portuguesa vai hoje pedir a Ministra do Trabalho que reduza as taxas pagas pelos empregadores à Segurança Social (SS).


O Novo Código Contributivo, feito aprovar nos últimos dias do anterior governo pelo ministro do trabalho Vieira da Silva, prometia, de início, umas migalhas para os trabalhadores a recibos verdes (como o pagamento de 5% da contribuição para a SS pelos empregadores), a proporcionalidade do desconto face aos rendimentos efectivos e um pequeno desincentivo à contratação a termo (agravamento de 3% da taxa contributiva). Mas estas medidas ou ficaram suspensas até 2011 ou simplesmente não são o que se esperava delas.

Mas os patrões não desistem. Na sua voragem de ficarem com absolutamente tudo voltam a pedir para pagar um bocadinho menos. E bocadinho a bocadinho vão tentando minar a Segurança Social, um instrumento vital de solidariedade entre gerações de trabalhadores, de garantia solidária e uma conquista histórica dos/as trabalhadores/as.

Fica o aviso: o nosso contra ataque está a chegar.

Noticia do DN.

Ricardo Moreira

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Entrevista do "i" a Carvalho da Silva


Entrevistado pelo “i”, o dirigente da CGTP, Carvalho da Silva, confrontado com a situação de crise como motivo para reduzir ou manter salários, afirmou que “uma das causas da crise em que a sociedade vive resulta da persistência de reduzir a retribuição do trabalho”. E deixou a sugestão ao economista José Silva Lopes – que afirmou há dias que, numa situação de crise, aumentar os salários em 2010 seria promover o desemprego – de experimentar a “viver com o salário mínimo nacional dois ou três meses” antes de se pronunciar sobre o assunto.


“O trabalho e o emprego têm dimensões simultaneamente económicas, sociais, culturais e políticas. As políticas salariais não são uma questão meramente da economia. A própria economia não melhora apenas por factores quantitativos: há também os de ordem social, cultural e política, que muitas vezes têm mais influência que os factores económicos”

Em relação às dificuldades sentidas pelas empresas, consequentes da subida do preço do petróleo, etc. Carvalho da Silva diz que estas dificuldades devem ser utrapassadas com outras “estratégias de gestão” em vez de recairem sobre os trabalhadores. Afirma ainda que “se os salários acompanhassem a evolução da produtividade em Portugal seriam hoje bem maiores”.

Vale a pena ler a entrevista na íntegra, aqui.

Da edição de Outubro portuguesa do "Le Monde Diplomatique"



"Vamos brincar aos jornais


Por JOÃO PACHECO
(jornalista e membro dos Precários-Inflexíveis)




Em Portugal, o jornalismo é feito em condições cada vez piores. A pergunta sempre presente – «será que amanhã vou trabalhar?» – faz com que se aprenda a entrevistar a medo, se perca autonomia e se escreva com autocensura.


Se estivesse a escrever para outro jornal, teria de explicar ao pormenor o que é trabalhar de forma precária. Nestas páginas – parto do princípio – todos já sabem que há cada vez mais gente a trabalhar em Portugal sem direito a férias, sem protecção na doença, sem direitos de paternidade ou de maternidade. São pessoas que trabalham muitas vezes sem ordenado fixo, que passam os chamados recibos verdes ou trabalham através de empresas de trabalho temporário. São pessoas que têm contratos a prazo ou que simplesmente recebem o ordenado num envelope, em dinheiro («Toma lá e não digas que vais daqui»). Se ficarem grávidas, perdem o emprego. Se estiverem doentes, nada recebem. Esta realidade é ilegal, mas acontece por todo o lado e a cada vez mais pessoas. Tanto no Estado (ministérios, escolas, institutos, autarquias...), como nas empresas (pequenas, médias, grandes ou enormes) e até nas Instituições Privadas de Solidariedade Social.

A precariedade é um roubo e o abuso foi-se generalizando. Sendo assim, será mais do que esperável encontrar precários atrás de grande parte das notícias, das entrevistas e das reportagens que vamos lendo, ouvindo e vendo. O processo é igual em todos os jornais, televisões e rádios do sector privado. A diferentes velocidades, as redacções vão caminhando para o vazio da precariedade. Quando sai alguém dos quadros de algum jornal, rádio ou televisão, não se pense que entrará na legalidade algum dos precários que lá trabalham. Não, nada disso. O trabalho a mais passará a ser repartido entre jornalistas precários, sempre descartáveis e sempre sozinhos e desesperados o suficiente para aceitarem qualquer coisa. Chegou a crise? Tudo bem, cortem-nos os honorários para metade. É preciso fazer um favor a uma empresa ou a um ministério? Lá vou eu. O jornal vai vender uns livros ou uns filmes de determinado autor? Óptimo, eu farei publicidade mascarada de jornalismo, para se falar desse autor nas semanas que antecedem a venda desses «produtos associados». Afinal, sou só um precário, sou quase ninguém. Faço o que for preciso.

Logo nos primeiros passos, o esquema está montado. A entrada na profissão acontece de uma forma injusta, com os jornalistas a fazerem estágios que normalmente não são pagos. Apesar de se supor trabalharem como qualquer jornalista da casa, produzindo notícias, entrevistas, perfis ou reportagens que chegarão ao público sem qualquer menção de que foram feitas numa situação de estágio. «Curricular» ou «profissional», chamem-lhe como quiserem. Se o estágio correr bem, se o jornalista ou a jornalista tiverem sorte, dá-se a grande conquista: passam a trabalhar à séria. «À séria», mas sem direitos. Passam a ganhar uns dinheiros por peça feita ou uns dinheiros por mês, contra a apresentação prévia de um recibo daqueles que deveriam servir apenas para empresários a título individual. Por regra, não há uma tabela e tudo é pago a olhómetro, pelo menos um mês depois da publicação. Haja ou não uma tabela de honorários, quanto maior for o número de artigos que alguém consegue publicar, menos receberá por cada artigo.

Dependendo dos casos, os jornalistas precários podem propor ideias ou fazem apenas o que lhes é indicado pelos editores. Normalmente, os editores não são vistos como os maus da fita. O mais comum é estabelecer-se uma relação de amizade mais ou menos próxima. Não se trata da relação simples do chefe com o trabalhador; nada está escrito à partida, tudo pode acontecer. E daí as arbitrariedades que se sucedem, com um quotidiano em que não se pode perguntar porquê. Porque é que vamos receber este valor por um trabalho, porque é que aquela frase foi cortada? Não se sabe, não se pergunta. É melhor passar à frente, porque a pergunta mais importante é sempre esta: será que amanhã vou trabalhar?

Se os editores são vistos quase sempre como os bons, os maus quase não são vistos. Os maus estão lá para cima, lá para longe, intocáveis e por vezes quase anónimos. A empresa não pode, a empresa passa dificuldades, não vale a pena sonhar com uma situação melhor, quem vos incutiu esperanças de um lugar no quadro não tem noção da realidade, a imprensa vive dias difíceis... Há todo um argumentário.

A partir do momento em que o jornalista começa a trabalhar como jornalista precário, essa é a sua realidade. Nas conversas mais ou menos oficiais, nos e-mails, nos contactos diários, há «os jornalistas» e há «os colaboradores». Quem são os inimigos dos colaboradores? Os jornalistas, pois claro! São eles que impedem a entrada no mundo inatingível dos com-direitos. A empresa, coitada, faz o que pode. É a crise. É a crise? Mas brincamos, ou quê? Andamos a brincar aos jornais? Quem não tem dinheiro para os bifes, não abre restaurantes. Mas qualquer um pode manter abertos os órgãos de comunicação social tendo dívidas por pagar a trabalhadores precários. Dívidas em dinheiro de honorários, dívidas de despesas feitas em trabalho, dívidas de direitos que existem mas nunca foram aplicados. Como o direito a férias ou à protecção na doença, como o pagamento da Segurança Social e a protecção numa eventual situação de desemprego. Tudo isso é dinheiro. E tudo isso fica nos bolsos de quem ocupa com suposta honra os cargos de administração. Escreve-se que «Fulano é administrador» ou que «Fulano é empresário de comunicação social». Dar-me-ia vontade de rir se a situação não fosse tão séria, tão grave.

Pelo caminho, o precário vai falando com toda a gente na qualidade de jornalista daquele órgão de comunicação. E quem tem de saber sabe: o jornalista do outro lado da linha é um precário. Quem escreve aquele e-mail é um precário, quem aparece aqui para uma entrevista é um precário. É alguém que não sabe quando vai receber. Nem como, nem quanto, nem porquê.

É este o jornalismo que vamos tendo cada vez mais, enquanto o grupo de cidadãos que faz jornalismo profissional é cada vez mais um grupo flutuante de pessoas muito jovens e que vão fazendo uma perninha no jornalismo. Enquanto não se desiludem, enquanto não encontram melhor.

As fontes sabem, as agências de comunicação sabem, os visados sabem que quem está do outro lado no papel de jornalista está numa posição economicamente desfavorável, quando não inviável. Não há segredos, é como em alguns países do chamado terceiro mundo, onde todos sabem que os polícias de trânsito recebem salários miseráveis, quando os recebem. Que tipo de legalidade se pode esperar de um país assim, que regras de trânsito temos de cumprir?

Não é preciso corrupção nem censura quando os jornalistas trabalham sem direitos, suspensos no vazio de não saberem com o que contar. Basta deixar a natureza fazer o seu caminho, basta confiar na autocensura. É ridículo falarmos em liberdade de imprensa quando cada vez mais jornalistas vivem e trabalham em Portugal neste limbo, sob sequestro laboral. E sem liberdade de imprensa, que tipo de democracia poderíamos ter?

Cada vírgula, cada palavra, cada passo pode significar a ausência de trabalho e até o fim da estrada no jornalismo. Não porque podemos ser responsabilizados criminalmente pelos nossos erros, mas porque podemos ser apagados rapidamente por termos pisado os calos de alguém. E se um precário perde o trabalho em determinado jornal, perde quase sempre a hipótese de trabalho em todos os jornais, revistas, rádios ou televisões do mesmo grupo económico. Sabendo-se como a propriedade dos meios de comunicação social está cada vez mais concentrada nas mãos de meia dúzia de empresas, quem perde o trabalho algures terá poucas alternativas noutros lados. Na melhor das hipóteses, chegará ao novo local de trabalho no estado de desespero de quem está disposto a aceitar tudo, em troca de quase nada. Nestas circunstâncias, é fácil perceber porque é que muitos jornalistas não se sindicalizam nem se organizam autonomamente dentro das empresas onde trabalham, é fácil perceber porque é que a precariedade dos jornalistas é um tabu. Mais vale não levantar ondas, se queremos continuar a trabalhar.

É cada vez mais assim o jornalismo português, à imagem do resto da sociedade. Digam-me um nome de um jornal, de uma revista, de uma rádio ou de uma televisão privada de dimensão nacional que não se aproveite de precários. Se houver um só órgão de comunicação social privado nessas condições, tiro-lhe o chapéu com espanto.

As leis não se cumprem. Então os maus são os empresários e os bons são os coitadinhos dos trabalhadores? Não, nem por isso. É do Estado a responsabilidade principal desta lei da selva em que vivemos e em que fazemos jornalismo. Ou seja, a responsabilidade é dos governos que se vão sucedendo na mesma inacção estratégica.

Não querendo fazer de advogado do diabo, é preciso admitir que se um órgão de comunicação social vive em parte da exploração de precários, será mais difícil à concorrência abdicar dessa fonte de rendimentos. Se todos precarizam, porque haveríamos de ser nós a «dar» direitos aos jornalistas? Como é que teríamos lucros?

Pois... O Estado é que tem de garantir que a lei é cumprida por todos, acabando com as desculpas de mau pagador. O grande problema é o facto de o Estado viver numa posição caricata de pseudo-legalidade, em que há precários até entre os próprios trabalhadores da famosa ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica), onde autarquias e institutos, hospitais e escolas vivem de precários a recibo verde ou a contrato ou em estágio. Quando é feita uma denúncia, nada acontece. Ou acontece que os precários vão para a rua. Sem nada. E quando esses casos ocorrem, quem os poderia relatar ao resto das pessoas? Sim, os jornalistas. Só que não dá, não podemos falar disso. Andamos muito ocupados com uma pergunta: “Será que amanhã vou trabalhar?”"

Governo ataca artistas com o Monstro do IVA


Parece que o Governo é mesmo teimoso e volta a atacar os artistas com o monstro do IVA. Não lhes chegou as investidas anteriores...

Dossier sobre Assalto ao IVA (aqui, aqui, aqui, aqui e também aqui).

Noticia do Público de hoje:

Fisco admite rever erros pontuais mas mantém liquidações adicionais de IVA aos artistas
10.11.2009 - 07h30
Por João Ramos de Almeida
O caso do IVA dos artistas promete continuar. Após diversas diligências por parte dos artistas no sentido de evitar a liquidação retroactiva de IVA, os responsáveis da administração fiscal declararam poder corrigir "erros individuais", mas garantem que as listas de artistas visados referem-se a IVA detectado pela inspecção tributária e não por qualquer aplicação retroactiva de uma nova interpretação da lei.

Até Março passado, actores, chefes de orquestra, músicos e outros artistas não cobravam IVA nos seus desempenhos. Esse era o entendimento que a administração fiscal fazia da isenção prevista no Código do IVA.

A partir de 9 de Março passado, o ofício circulado n.º 30109 da Direcção-Geral de Impostos (DGCI) veio clarificar o conceito de promotor. Apenas ficam isentos de IVA os artistas contratados directamente por um promotor. E a figura do promotor passou a ser restringida àquela entidade que organiza espectáculos ao vivo, devidamente inscritos para tal. Todas as outras situações deveriam passar a ser tributadas em IVA. Ou seja, alargou-se a tributação em IVA a um conjunto de actividades que antes estavam isentas.

Mas houve um compromisso político de que essa nova interpretação apenas seria aplicada para períodos posteriores ao ofício circulado. A chefe de gabinete do então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Carlos Lobo garantiu-o em finais de Junho passado aos responsáveis da Gestão de Direitos dos Artistas, Intérpretes ou Executantes (GDAIE). E o Ministério das Finanças - a seguir a uma notícia do jornal Correio da Manhã - emitiu um comunicado em que se prometeu que "o entendimento da DGCI só vigora para o futuro, nos termos do art. 12.º da Lei Geral Tributária" e que, "por isso, foram dadas as instruções constantes do ofício circulado (..) para que este enquadramento só tenha efeitos a partir dessa data".


Notificações avançaram

Mas aparentemente estas instruções não foram seguidas pelos serviços tributários. Há semanas que diversos artistas foram notificados para liquidar quantias de IVA referentes a actividades desenvolvidas desde 2004 a 2008. O actor José Wallenstein contou ao PÚBLICO que recebeu uma nota da DGCI de 23 de Outubro passado a pedir cerca de 35 mil euros, já incluindo juros de mora, referentes a actividade desenvolvida entre 2005 e 2008. O actor queixa-se de sempre ter pago os seus impostos, sempre lhe disseram que estava tudo bem e agora tem de prestar uma garantia bancária se quiser protestar e impedir a liquidação.

A GDAIE, numa nota, conta como se desmultiplicou em iniciativas. Apresentou a 24 de Setembro passado à DGCI uma lista de casos. Organizou reuniões com artistas, contratou fiscalistas. E ontem, após pedido de esclarecimento pela comunicação social, o Ministério das Finanças veio reiterar a sua promessa de 1 de Julho passado. "Os erros individuais e pontuais assinalados serão objecto de análise rápida e adequada pela administração fiscal, por forma a que o enquadramento constante do ofício circulado n.º 30109, de 9 de Março só tenha efeitos a partir dessa data, no estrito cumprimento do artigo 12.º da Lei Geral Tributária".

Mas a mesma nota clarifica que a lista entregue pela GDAIE refere-se a casos de correcção de imposto que "não tiveram como origem a aplicação retroactiva do citado entendimento", mas sim de "liquidações adicionais feitas a artistas no âmbito de procedimentos de inspecção, por falta de liquidação de imposto, sem qualquer relação com o referido entendimento". Ou seja, a liquidação irá prosseguir na maior parte dos casos.

Este esclarecimento visa derrubar alguns dos argumentos dos artistas visados quanto à ilegalidade da liquidação. Caso se trate da aplicação retroactiva do novo entendimento da DGCI, os artistas poderiam alegar a própria Lei Geral Tributária (artigo 68.º-A) que impede a aplicação retroactiva "perante os contribuintes que tenham agido com base numa interpretação plausível e de boa-fé da lei as orientações genéricas que ainda não estavam em vigor no momento do facto tributário". Sendo o resultado de uma correcção de imposto a pagar, o caso parece complicar-se. Resta saber, como adianta a GDAIE, se as inspecções estão a ser feitas com base no novo entendimento, definido em Março.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

O marketing mentiroso de Sócrates, o roubo habitual da Câmara Municipal, e as pessoas exploradas e roubadas na sua vida



Desemprego na UE = 12 mil/dia


Na União Europeia perderam-se 4,3 milhões de empregos desde o início da crise económica (causada pelo "subprime").

Actualmente perdem-se por dia 12.000 empregos na UE e há países, como a Espanha ou a Irlanda, que estão a ser mais afectados.

Em Portugal,desde 2007 cerca de 139 500 pessoas já perderam o seu emprego, ou seja:houve uma queda de 2,7% no emprego.

Mas os PIB's Europeus desceram muito mais do que o emprego, pelo que ainda há muitos especialistas que já avisaram que o pior ainda não passou.

Infelizmente o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) não permite aos Governos e à UE actuar sobre o desemprego através de medidas conjunturais e o Banco Central Europeu também só tem em vista o combate à inflação.

Noticia: aqui.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Smoke and mirrors: Sócrates o Ilusionista


Smoke and mirrors is a metaphor for a deceptive, fraudulent or insubstantial explanation or description.

Ontem, com grande pompa e circunstância, o primeiro ministro anunciou aquilo a que muitos jornais e televisões chamaram de trunfo: a alteração das regras de forma a que bastem 12 meses (antes eram 15) de descontos para se receber o subsidio de desemprego.

Mas vamos ler as letrinhas pequenas: esta medida só atingirá as pessoas que fiquem desempregadas a partir de 1 de Janeiro de 2010 e deverá atingir apenas 8 a 10 mil desempregados.

Num país que já ultrapassou os 600 mil desempregados e com os milhares de trabalhadores a falsos recibos verdes ou em condições de sub emprego este anúncio não me parece mais do que um truque de ilusionismo.

Notícias: aqui e aqui

Ricardo Moreira

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Ministra do Trabalho escreve na pedra


A Ministra do Trabalho já interveio no debate do programa de Governo na Assembleia da República expondo os 5 pontos essenciais que irá defender durante esta legislatura, a saber:
1) Combate à pobreza de que trabalha e tem filhos;
2) Apoio aos portadores de deficiências;
3) Aumento das pensões de reforma;
4) Passagem de 15 para 12 meses de trabalho para se receber o subsidio de desemprego;
5) Aumento do salário mínimo como acordado em concertação social (Governo, Patrões e Sindicatos) em Dezembro de 2006.

Disse ainda que iria defender o sistema de Segurança Social dos ataques privatizadores e que o tornaria mais rigoroso (!) e sustentável.

Defendeu o Código de Trabalho Vieira da Silva.

Notamos que não houve uma palavra sobre precariedade.

Estamos cá p'ra ver.

Ricardo Moreira