Foi divertido ir ao programa “Prós e Contras” de ontem. Passo a explicar: fui convidado a ir ao dito programa, para falar em nome dos Precários-Inflexíveis.
Quando cheguei ao local (Casa do Artista, na Pontinha) conduziram-me aos camarins e disseram-me numa escada de acesso que afinal não iria falar. Havia muita gente para falar e a apresentadora teria decidido que falaria apenas um dos representantes de um dos movimentos anti-precariedade convidados para o programa, no caso o movimento Fartos/as d'Estes Recibos Verdes (FERVE).
Naquele momento ou desistia e ia para casa ou tentava intervir no programa. Afinal, perdera muito tempo a preparar-me para ali estar, em prejuízo do meu trabalho. E havia demasiada gente com muita expectativa no que eu iria dizer. Fazer de jarra decorativa é que não me pareceu aceitável.
Combinei com o representante do FERVE que mal ele acabasse de falar me passaria a palavra e o microfone, dizendo que falaria eu do MAYDAY, a segunda parada anual anti-precariedade. Eu só queria dizer em poucos segundos uma data (1 de Maio) uma hora (uma da tarde) e um ponto de encontro (Largo Camões). E claro que nem ali estaria no auditório da Casa do Artista se não tivesse sido convidado para falar.
O representante do FERVE falou e saiu do auditório pouco depois, porque foi ignorado pelos convidados e pela apresentadora, não tendo ninguém respondido às questões que colocou. E eu fiquei à espera de pé, com o microfone na mão. Longos minutos. Até que me convidaram a sair e abandonei o programa acompanhado por outros membros do PI. A apresentadora ainda teve tempo para mentir, dizendo que eu não fora convidado. Enfim, que dizer? É óbvio que fui convidado, com vários dias de antecedência.
O que se passou até acabou por ser divertido e apenas mostra que movimentos como o FERVE e o PI estão a tornar-se incómodos, porque o que dizemos tem cada vez mais eco.
A precariedade é uma bomba-relógio social que acabará por rebentar nas mãos de muitos dos que dela se aproveitam.
E seremos muitos a mostrar que não nos calamos, seremos muitos a mostrar como fazemos a luta e a festa ao mesmo tempo:
no dia 1 de Maio, a partir da uma da tarde, no Largo Camões em Lisboa.
João Pacheco,
jornalista e membro dos Precários-Inflexíveis
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7 comentários:
Acho que têem toda a razão ao dizerem que vocês são vozes incómodas.
Deviam apresentar queixa à alta autoridade para a comunicação social,porque não se convida ninguém a participar em algo e no momento depois de se dispor do tempo e da pessoa ver-se que se é preterido.
Denunciem,este abuso
Para adjuvar ao comentário supradescrito, a RTP auto-intitula este programa como "(...)uma janela aberta sobre a sociedade portuguesa, RESPEITANDO a pluralidade de opiniões, e a representação democrática, mas fora da lógica das organizações partidárias.";
Além de que refere, no sumário deste dia, a presença de "(...)representantes de movimentos de trabalhadores precários." que segundo a sinopse do programa serão os "(...)outros CONVIDADOS(...)", intervenientes que irão"(...)enriquecer o programa ao lançar novos elementos para a discussão."
www.rtp.pt (chekem em programa Prós e Contras)
sempre achei a "moderadora" tendenciosa... com isto tive a confirmação!!!
força pessoal, que isto sirva para a nossa palavra ter ainda mais força!!!
Pois....
Só mostra quem é que manda na comunicação social.
Nas privadas já sabiamos, na "pública" são mais ou menos os mesmos...
Os Governos trabalham para "aqueles que são mais iguais que os outros" e a comunicação social trabalha para os governos... ou para os grandes empresários directamente (dependendo da gravidade da situação)...
e assim se vai indo à beira mar plantado... já com saudades do futuro, de um novo abril, que entre outras coisas acabe com a censura...
Muita força e até já
Mas como a democracia Portuguesa está assente num sistema de partidos,a televisão Publica,não tem que advogar o fora da lógica das organizações partidárias.Como serviço publico que é ou melhor deveria de ser,deve ser plural,acho que tod@s nós devíamos escrever para o provedor do espectador e para todas as instâncias existentes,a relatar este abuso de prepotência,e de exclusão.
Foi realmente muito triste ver o tom autoritário da apresentadora, bem como a arrogância/desprezo com que o porta voz do movimento FERVE foi tratado! Trazem estes assuntos para cima dos palcos e depois é só demagogia, deixando para segundo plano o que realmente nos interessa discutir!
O irónico é que são também os precários que pagam o ordenado a essa senhora, que todos os dias dá provas da maior incompetência.Ao abrigo do "código maravilha",deverá ser imediatamente despedida, assim como toda a corja que grassa neste país, vivendo, esses sim, à custa do Estado.
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