Um programa de debate onde alguém – a apresentadora – se arroga de perceber de todos e quaisquer assuntos dificilmente resulta em algo de esclarecedor. A jornalista Fátima Campos Ferreira faz resumos e tira conclusões em andamento, exactamente ao contrário do que é o seu dever. Como dizia um Precário Inflexível, aquilo parece bem ao estilo Big Show SIC do Debate, ela ri-se do que acha que tem piada, resume e simplifica quando acha bem, tira conclusões e desvaloriza quando acha oportuno. É um espectáculo. Ontem mais uma vez não faltaram ocasiões para tirar do sério quem queria debater e esclarecer um tema que afecta pelo menos um milhão de pessoas e que consiste num dos problemas mais graves das moderníssimas sociedades onde tudo se faz em homenagem ao lucro de alguns poucos. Dizia um professor que estava no público que é uma falácia e uma mentira que se fale de inadaptabilidade dos trabalhadores tal como é dizê-lo em relação à falta de produtividade devido por exemplo a novas realidades tecnológicas. Entre outros motivos, a esmagadora maioria das empresas não registam a produtividade dos trabalhadores e não têm qualquer tipo de gestão séria daquilo que é a produção e dos motivos de baixa ou alta da mesma, por isso, temos apenas um sinal maior de enfraquecimento das relações entre um trabalhador e um patrão. Temos o governo a alinhar ao lado dos patrões. Aliás, em determinado momento até fiquei com medo que o Comendador dos Bolos da Versailles – presidente da ARESP – e outros ao seu lado ficassem com um torcicolo, tal a veemência com que abanavam afirmativamente a cabeça às palavras do ministro e do seu colega do livro em branco. Percebe-se. As empresas, tal como foi explicado, baseiam-se na exploração da mão-de-obra como o factor principal de produção, e portanto, estão-se nas tintas para melhorias tecnológicas ou até para novos métodos de organização ou gestão. Quando há algum problema sabem que têm algo à mão, a fragilidade dos trabalhadores aos quais os sucessivos, mentirosos e vendidos governos têm passado a perna e desprotegido numa relação que concretamente apenas pode ser caracterizada como desleal, injusta e de pré-caridade.
O tecido económico português tem sido absolutamente incapaz de resolver o que quer que seja. Portugal tem boa parte dos empresários com a 4a classe de escolaridade ou com o ensino secundário (nos bons casos). Tem alguém a dirigir que pouco liga ao conhecimento e que tem até algum medo de ser ultrapassado pelo mesmo. A inovação nas empresas portuguesas é uma miragem, e o desafio que nos colocam não é mais senão do mesmo: baixar salários, flexibilizar ainda mais as relações laborais enfraquecendo @si do costume e tornar ainda mais a espinha dorsal da produção em Portugal o preço da mão-de-obra e a sua livre e disponível exploração pelos do costume. Novos métodos de trabalho, organização, formação para os gestores e administradores (quem sabe Novas Oportunidades), isso não está em carteira. Não é preciso.
Há momentos em que sentimos a dureza da incapacidade e ignorância de alguém com poder de comunicar, sobrepor as suas ideias e decisões aos outros, pensando que sabe o que está a fazer, pensando até que sabe o que está a dizer, tendo portanto um total desrespeito pelo trabalho de outros e pelo conhecimento que se obtém fazendo o caminho.Já não basta lutar contra os patrões. A ignorância e a prepotência tem de ser combatida, tal como os opinion-makers "independentes" da nossa praça. O caminho faz-se andando, e a luta faz-se lutando, contra a violência dos patrões que exploram e dos seus boys no Governo.Temos a prova de que a opinião é o que vale e a ideia é o que predomina quando nos tentam calar. E ontem tentaram, outra vez. Business as usual... só nos dão força.
rUImAIA













5 comentários:
Muito oportuno este comentário ao estilo da jornalista Fátima Campos Ferreira. Já há algum tempo que ela parece ver o programa como uma espécie de debate de ocupação de tempos livres para crianças, que ela vai controlando como uma mãe interessada. Belo blogue, já agora!
Olá companheiros
É isso mesmo, o prós e contras é um programa de entretenimento.
Todavia os movimentos dos falsos recibos verdes (e dos precários em geral) precisam de programas destes, mesmo que seja apenas para se darem a conhecer.
É necessário que o maior número de pessoas possível tenha conhecimento da tremenda injustiça que é o regime dos falsos recibos verdes.
Onde uma pessoa faz o mesmo trabalho, e da mesma forma ou melhor, do que outra que está ao seu lado, só que recebe um terço do vencimento e sem qualquer direito.
Isto é uma injustiça gritante que é necessário acabar. E dar a conhecer ao público em geral, e aos que estão nesta situação em particular, para que se juntem ao movimento, é sempre importante.
Faremos cada vez mais pressão.
É necessário fazer ouvir a nossa voz, mesmo que não nos deixem falar. Ela será ouvida mesmo assim, como foi ontem.
Temos de pressionar o governo a dar o exemplo.
Não se esqueçam que o Ministro disse ontem que, passo a citar, «o governo fará a sua parte, como o fez no passado», pois então ficamos à espera, mas não calados.
Abraço
MC
Esperar que o governo faça a sua parte??? É melhor esperar sentado! Quando deviam era dar o exemplo em primeiro lugar.
Vão fazer o que? Colocar tudo no quadro??? Eles estão num beco sem saida e sem saber o que fazer a tanto recibo verde.
Cumprimentos
Alex
Fazer uma coisa podiam, acabar com os recibos verdes como forma de prolongar relações de trabalho. E depois aumentar os salários. E depois..
Finalmente alguém teve a coragem de mostrar ao nosso governo que as pessoas com mais de 40 anos de trabalho merecem uma reforma digna pois já deram o seu contributo ao País. E que esses lugares sejam ocupados pelos jovens que estão desempregados...
Continuem a lutar pelos ideias do 25 de Abril e pelas classes mais baixa, ...Os meus parabéns ao Drº Francisco Louçã, por ser um homem coragoso ao colocar assuntos polémicos...Força
Cumprimentos
Maria Santos
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