Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

o comunicado na imprensa


O comunicado de imprensa dos Precários-Inflexíveis ainda só foi tornado público há umas horas e já há ecos por aí.


Por exemplo


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3 comentários:

Ricardo disse...

Caros Senhores,

Não sou parte interessada neste assunto. No entanto, penso que o direito ao contraditório deveria proporcionar que contactassem a empresa vencedora, de um concurso público internacional lançado pelo Estado português, procurando esclarecer em que termos e moldes serão contratados os funcionários para este projecto (não é preciso muito, deverá constar do caderno de encargos...).

Como funcionário público, e em situação de alguma instabilidade, compreendo o receio que possam, solidariamente, sentir para com os eventuais funcionários adstritos aos Centros distritais da SS, que venham, de novo eventualmente, a ficar desempregados, na sequência da entrada em funcionamento deste projecto.

Contudo, quem não deve, nada teme! Não vejo como credível, a não ser na mais obscura das mentes de uma esquerda completamente ultrapassada, que funcionários cumpridores e zelosos sejam afastados dos seus vínculos! Assim percebam eles a necessidade de trabalhar afincadamente, de produzirem (e não de andarem armados em alegados delegados sindicais!), de não passaram 30 minutos por dia no café, quando não, na maioria das vezes, acrescidos de outros 30 a fumar cigarros!

Bem ou mal, este, estou em crer, é um projecto para ficar! Até porque, se os ilustres PI gostam de passar o dia sem nada fazer, sentados numa qualquer delegação da SS, já eu, e por certo imensos Portugueses, achamos, face à imensa fila que habitualmente encontramos (e aqui concordamos - não deveria de existir, significando a ausência de necessidade de apoio social), que há espaço para manter ambos os serviços!

Atenciosamente,

Precários Inflexíveis disse...

Caro Ricardo,

É claro que nos preocupamos "com os eventuais funcionários adstritos aos Centros distritais da Segurança Social, que venham, de novo eventualmente, a ficar desempregados, na sequência da entrada em funcionamento deste projecto".

Preocupa-nos pela mesma razão que nos preocupa a situação dos precários e das precárias que virão a ocupar estas "vagas". É mais uma vitória da precariedade sobre o emprego e a vida.

Nada devemos e já deixámos há muito de temer, o que é mais do que óbvio.

A Segurança Social - sim, a Segurança Social, a mesma que tem socialmente a função de garantir a segurança solidária entre as pessoas, independentemente da sua situação - recrutará os funcionários para este call center através duma Empresa de Trabalho Temporário.

Como vê, Ricardo, não há mesmo nada que enganar: é que, de facto - esperamos nós - o atendimento aos contribuintes não é uma função temporária da Segurança Social. Então, porquê externalizar para uma Empresa de Trabalho Temporário a contratação de pessoas que terão que cumprir uma função permanente? Só uma resposta nos parece provável:
quem nos governa quer transformar a precariedade na regra selvagem das relações laborais.

Entre nós, precárias e precários que por aí já andam aos milhões, haverá certamente quem gosta de "nada fazer".
Pelo menos às vezes, nas férias que nem sempre temos.

A verdade é que andamos quase sempre a trabalhar muito para receber pouco, sem nenhuma das garantias que todas as pessoas deviam ter, tantas vezes fora da lei (que, sendo da selva, sempre é melhor do que não haver nenhuma).

Também perdemos muito tempo à procura do próximo emprego, mas não se pode considerar - por menos bem sucedida que seja esta tarefa - que seja como estar quieto. Como vê, andamos sempre ocupados. E ainda arranjamos tempo para não desistir duma vida que seja melhor do que esta que nos querem impingir como obrigatória.

Atenciosamente,
Precári@s INflexíveis

Anónimo disse...

Caro Ricardo

Escreve uma precária que já ultrapassou os 40 anos, nada tem a ver com esquerda ou direita e não está ligada aos Precários inflexíveis.

Se este é um projecto para ficar, porquê entregá-lo a uma Empresa de Trabalho Temporário (ETT). Não se trata apenas de manter vínculos mas de criar novos. Para além da precariedade que muitos de nós, muitas vezes sem direito a férias ou dinheiro para elas, sentimos, há o esbanjar do dinheiro que é público e que é pago às ETT’s.

Estou neste momento num departamento do Estado, contratada por uma ETT. É um local onde, como diz, ou os seus colegas fazem muito pouco (hipótese que não excluo), ou necessitam efectivamente de gente. Mas nós, os contratados, estamos todos os meses com a guilhotina sobre o pescoço. Só dois dias úteis antes do fim do mês, sabemos se teremos ou não emprego no dia 1... e não faltamos, não nos atrasamos, não gozamos os tais 30 minutos a que dizem termos direito. Sei que entre os 14 que se mantêm (dos 50 iniciais), os objectivos são DUPLICADOS, mas todos temos conhecimento que, no final do mês de Outubro, TÊM de sair 7 pessoas. Que critérios vão utilizar, uma vez que nos mantemos em pé de igualdade, não conseguimos discernir. Apenas sabemos que 7 de nós, alguns com casa e filhos para sustentar, vamos deixar de ganhar os nossos €4,38/hora (o que é quase o dobro do que se pratica num call center, por onde também já passei) porque o Estado, para o qual prestamos serviço, prefere pagar uma quantia que desconheço (duvido que consiga ter acesso ao tal caderno de encargos) a assumir a responsabilidade de empregar gente da qual mostra necessidade.

Na realidade, em vez de sindicalistas, aquilo que tenho visto é muita gente segura do seu lugar a fazer muito pouco e a avisarem os contratados: “não ultrapasses os objectivos porque depois exigem o mesmo de nós”. Se a casa está desarrumada com empregados deficitários, arrumem-na - é um dever para com todos nós, portugueses – mas não escamoteiem a realidade. O trabalho precário serve para ofender, ainda mais do que os direitos do trabalho, os Direitos Humanos de quem tem de se lhe sujeitar.

Mais, convido-o a sair do seu assento de instalado na função pública para conhecer a realidade do mercado de trabalho em Portugal. Visite, por exemplo, e só, estes dois locais:

http://www.net-empregos.com/
http://www.infoemprego.pt/

Inscreva-se, procure empregos, como se necessitasse deles, envie currículos...
Uma vez que o seu perfil e contacto são inacessíveis, esperarei aqui mesmo pela resposta, para saber o que conseguiu.

Boa sorte!

Atentamente
Uma precária, quase a tornar-se inflexível