Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Américo Amorim: Candidato ao Prémio Acumulação 2008


Ontem foi noticiada uma quebra de 6,3% dos resultados líquidos da Galp relativamente ao ano passado. Foi noticiado ainda que houve uma quebra da margem de refinação de 29,4% por causa das descidas do preço do petróleo.

Ainda assim... a Galp obteve cerca de 353 milhões de €uros de lucros. Ou seja, o roubo é de tal forma gigantesco nos bolsos da maioria que os principais accionistas e donos da Galp continuam, sempre e negando a existência de qualquer crise para si próprios, a aumentar de forma fabulosa a sua riqueza... à nossa custa.

O principal beneficiado é Américo Amorim, o homem mais rico de Portugal, e que recebeu esta - Galp - bela prenda de Sócrates. Vejamos então, segundo o DN, quem é este rico homem que é candidato ao Prémio Acumulação 2008 (votação a decorrer!).

rUImAIA

DN: Grupo Amorim suspeito de branqueamento de capitais


2 comentários:

Precários Inflexíveis disse...

"DN de 9 de Novembro de 2008

A grande fortuna do senhor Américo

Ascensão. Durante anos conhecido, simplesmente, como o 'senhor Américo', o homem mais rico do País só teve o primeiro par de sapatos aos dez anos. Hoje, o imério do empresário Américo Amorim, que vai da cortiça a energia, passando pelo imobiliário, vale mais de três mil milhões de euros.

Do rapaz de socos ao homem mais rico de Portugal. Com um sentido de oportunidade apurado e pouco dado a idealismo políticos ou utopias românticas, Américo Amorim lavrou o caminho até se tornar no homem mais rico do País. Na década de 50, já o mundo se dividia em duas facções opostas, Amorim derrubou fronteiras e fez negócio com os comunistas.

Através de um escritório que abriu na Áustria, estabeleceu relações económicas com o Comecom, uma organização de países satélites da ex-URSS. Começou pela Roménia e em pouco tempo estava a comercializar cortiça com os russos. Por razões políticas óbvias, Portugal não tinha relações económicas com os povos eslavos, mas os contratos eram feitos com o acordo do Banco de Portugal, os pagamentos eram realizados através de Viena e a mercadoria omitia a sua verdadeira origem.

A seguir ao 25 de Abril, em prol do negócio, o senhor Américo, como era conhecido, voltou a aproveitar as circunstâncias políticas em seu favor. Comprou cortiça aos trabalhadores de unidades colectivas de produção instalados em herdades ocupadas na revolução.

Hoje, Amorim mantém-se indiferente ao que dizem dele. Associou-se a Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, no Banco Internacional de Crédito, e Sindika Dokolo, o marido da filha mais velha do Presidente de Angola, é um dos nove membros do Conselho de Administração da Amorim Energia, que controla um terço da Galp Energia.

Com fracos recursos económicos, Américo Amorim nasceu em Julho de 1934, em Mozelos (Santa Maria da Feira). Os primeiros anos de vida foram dramáticos, numa casa agrícola onde andou de socos de madeira até lhe oferecerem o primeiro par de sapatos quando chegou à quarta classe. O trabalho no campo era duro, mas Américo também não era um aluno empenhado.

Até hoje, admite que não gosta de ler e muito menos de escrever. Dos oito irmãos, era o mais teimoso, com tiques de galã e queda para os negócios. Frequentou o curso comercial, na Escola Académica do Porto, mas por vontade própria começou a trabalhar cedo na pequena fábrica de rolhas do avô. Com o negócio em expansão, após o final da II Guerra Mundial, Américo Amorim tornou-se, nas palavras de Filipe Fernandes no livro Fortunas & Negócios, uma espécie de ministro dos Negócios Estrangeiros da Amorim & Irmão. Imediatamente, começou a viajar pelo mundo com o intuito de conhecer outros mercados.

Hoje, é considerado o primeiro empresário português a entender a globalização como inevitável e a saber tirar dividendos dela. Em 1963, surgiu a Corticeira Amorim e, seis anos mais tarde, Américo Amorim e os irmãos compraram a totalidade da empresa aos restantes familiares. Daqui para a frente o caminho foi ascendente.

Em 78, foi criada a Ipocork, fábrica de placas de cortiça, em 82, a Champcork, fábrica de rolhas para garrafas de champanhe. Dois anos mais tarde, Amorim aspirou a entrar na banca e conseguiu. Durante um almoço no Restaurante Grill do Hotel Altis, em Lisboa, fez a Jorge Jardim Gonçalves uma proposta irrecusável: queria que o engenheiro liderasse o banco que Amorim ia fundar. O almoço ainda hoje lhe está atravessado. Poucos anos mais tarde, Jardim Gonçalves neutralizou o poder de Américo Amorim através da blindagem dos estatutos do BCP. Resultado: podia fazer o que entendesse sem ter de dar satisfações ao empresário.

Amargurado, Amorim afastou-se do BCP, mas assegurou ao seu biógrafo, Carlos Oliveira Santos, que em relação a Jardim Gonçalves não guardou quaisquer ressentimentos. As querelas familiares também fazem parte do percurso de Amorim. No final dos anos 80, incompatibilizou-se com o seu irmão José por terem visões diferentes do negócio. E, em 1997. quando o grupo Amorim festejou 75 anos de vida, 1300 convidados juntaram-se num almoço comemorativo em Santa Maria de Lamas. Estavam lá todos: familiares, amigos e colaboradores. Só José Amorim não compareceu.

Em 1991, um romeno despedido do grupo Amorim acusou Américo Amorim de ser um agente dos serviços secretos soviéticos. A história nunca se confirmou. A única coisa que se conhece, segundo revelou Filipe Fernandes no livro Fortunas & Negócios, Empresários Portugueses do Século XX, é que Américo Amorim foi aliciado plo KGB num hotel de Moscovo. A sua reacção é desconhecida.

Com Maria Fernanda Oliveira Ramos, filha de uns amigos da família Amorim, Américo teve três filhas: Paula, Marta e Maria Luísa. A mais mediática, Paula Amorim, adquiriu à família Ribeiro, em 2005, a rede de lojas FashionCUnic. Recentemente, foi notícia por razões menos agradáveis. Paula Amorim e Filomena Pinto da Costa são arguidas num processo de fraude fiscal relativo à compra de um palacete no Porto, em 2005. No Tribunal Criminal do Porto, a primeira sessão do julgamento, marcada para o dia 30 de Outubro, foi adiada.
Rita Roby Gonçalves"

Anónimo disse...

é um candidato forte!

JP