Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Salário Mínimo sobe mesmo para 475€: quem paga?


O aumento de salário mínimo de 2010 será mesmo de 475€, um aumento de 25€, cumprindo as metas acordadas em concertação social em 2006. Não se sabe, no entanto, se em 2011 atingiremos o valor de 500€, porque os patrões garantem não aguentar o esforço que esse aumento significaria.

Mas quem é que está a pagar este aumento de 25€? São mesmo os patrões? Parece que não.

O governo negociou com os patrões descontos na taxa social única, incentivos à qualificação e programas de modernização e o desconto de 1% na contribuição à Segurança Social. Assim, o Estado desembolsa com contrapartidas e este aumento 124 milhões de euros.

Feitas as contas o Estado vai financiar 84% dos custos do aumento do salário mínimo!

E a Segurança Social sofrerá com a redução das contribuições. Será que numa altura em que há um enorme esforço para pagar subsidios de desemprego e uma menor receita porque há menos emprego, e logo menos contribuições, a Segurança Social chega para tudo?

Além disto, e ainda sobre o salário mínimo, é importante lembrar que desde que foi criado, há 35 anos, apenas aumentou 434€ (atenção um ordenado de 16€ por mês há 35 anos valia mais do que valem hoje os 450€). Tendo em conta a inflacção devia estar num valor bem superior de 562€.

No Luxemburgo o valor do salário mínimo é de 1413€, em França é de 1321€ e em Espanha de cerca de 700€. Portugal fica assim no 11º lugar da UE, tendo em conta os valores íliquidos e se retirarem os impactos das diferenças do custo de vida dos vários países.


Notícias aqui, aqui e aqui.

3 comentários:

Oed disse...

Estimo saber que se opõe a que o Estado redistribua a riqueza pelos que têm menores rendimentos.

Ricardo Vicente disse...

Não vejo aqui qualquer oposição à distribuição de rendimentos. Aliás, é exactamente o contrário. Onde é que a riqueza está concentrada? Não é nos patrões? É por isso que estes têm de ser obrigados a pagar mais aos trabalhadores e não deve ser o Estado a pagar o aumento dos salários por eles.

Oed disse...

O que o texto critica é a transferência de dinheiro do Estado para quem ganha o salário mínimo. Isto não é distribuição de rendimentos?