Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

As 100 piores empresas para se trabalhar em Portugal


A revista Exame e a Heidrick & Strugles (H&S) juntam-se para lançar anualmente uma lista que contempla as 100 melhores empresas para se trabalhar em Portugal. As empresas candidatam-se e os colaboradores avaliam, passando por temas como a transmissão de informação, relação com as chefias, aposta na formação ou acções de responsabilidade social.


Pergunto-me então porque não lhes interessa também publicar e publicitar a lista das 100 piores empresas para se trabalhar. Era fácil, em vez de ser o administrador ou sócio a inscrever a empresa, seria um dos “colaboradores”, e depois havia a investigação normal que há para a lista das 100 melhores. Poderiam analisar os mesmos indicativos, mas obviamente teriam de acrescentar mais uns quantos, porque quando se fala de precariedade não se avalia quem recebe mais massagens por semana ou quantas vezes se pode levar o carro ao serviço de lavandaria (regalias existentes na empresa Microsoft).


Penso que poderia ser de uma utilidade fantástica para a sociedade, porque a partir daí as empresas que constassem na lista “As 100 piores empresas para se trabalhar em Portugal” fariam (espero) um esforço para sair dela, tendo obviamente de dar mais direitos aos seus trabalhadores.


Leonor

Opinião: Responsabilidade

O Público noticia hoje que as empresas vão travar aumentos salariais, congelar contratações, anunciar despedimentos e todas aquelas medidas rigorosas, de responsabilidade, pragmatismo e modernidade da gestão a que têm habituado os trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo.

Sabe-se, porque os governos, patrões e gestores não se cansam de o repetir, que a baixa produtividade das empresas, as fracas e rígidas economias, têm como responsáveis os duros, corporativos e privilegiados trabalhadores e trabalhadoras. Os tais que têm acesso a uma segurança-social demasiado generosa.

O que é facto é que ninguém responsabiliza os trabalhadores pelos 3.1 milhões de milionários europeus. No ano de 2007 200.000 novos agregados entraram no grupo dos milinorários, ou seja, num ano de crise imensa, parece que houve quem acumulasse, e não pouco. Foi um aumento de 3.7%, de 2006 para 2007.

O aumento da riqueza desses agregados foi ainda maior, ou seja, nos anos de crise, pelos vistos, as oportunidades de acumulação de riqueza aumentam grandemente. De 2001 até 2007 a acumulação de riqueza nesses agregados subiu 20%, de um total de 8.4 trilliões de US$ em 2001 para 10.6 trilioes de US$ em 2007. Ou seja, quanto maior o poder económico, mais acumula.

Por cá, também temos os nossos predadores de todos os dias, que não enjeitam oportunidades como estas para acumular ainda mais às custas de quem já têm uma vida complicada. Américo Amorim (apadrinhado por Sócrates), Belmiro de Azevedo, José de Mello, Joe Berardo, e muitos outros que sabem bem como se situar e apertar o cinto na crise... o cinto dos outros e outras. Os governos, por todo o mundo, acorreram a dar colo aqueles que mais acumulam.

O desemprego é anunciado às dezenas de milhar todos os dias. As pessoas sofrem com a chantagem da "crise" e ao mesmo tempo é-lhes pedido para baixar ainda mais as expectativas de vida porque as dificuldades são muitas.

Começa a estar na hora de se propor aquilo que é justo. Começa a estar na hora de colocar questões como a proibição de despedimento nas empresas que tiveram elevados lucros nos últimos anos e equacionar a utilização desses lucros milionários, não no preenchimento das contas dos capitalistas, mas para pagar os empregos e suportar as vidas de quem não tem alternativa senão viver dificilmente do seu trabalho. Começa a estar na hora em exigir de quem acumulou à custa do trabalho dos outros que reforce a segurança social de cada país.

Os governos que têm ajudado de várias formas à instalação e manutenção de empresas, com incentivos fiscais, com a cumplicidade entre o IEFP e as empresas para fornecimento de mão-de-obra barata, e na desresponsabilização das funções sociais, têm que tomar posição e não ficar impávidos e serenos à espera da derrocada que observamos todos os dias.

rUImAIA

Fontes: notícia do Público aqui.
Euromemorandum 2008 aqui.

ps: Não faltarão "pessoas com ideias" a justificar o que se pode e não pode fazer, do ponto de vista técnico e não só. Ainda bem. Era bom discutir isto.

Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Reunião dos Precários Inflexíveis 02/02/09


A precariedade no emprego e na vida afecta cada vez mais pessoas e o PI precisa de cada de uma delas para poder juntar vozes e movimento para criar alternativas!

As reuniões do PI são abertas a todos e todas os/as que quiserem trilhar este caminho connosco!

A próxima reunião do PI será dia 2 de Fevereiro às 21h se quiseres vir envia um email para precariosinflexiveis@gmail.com para te podermos dizer onde vamos reunir.

Juventude precária na rua? Da revolta grega à realidade portuguesa

Quinta-feira :: 29 Janeiro
Café Aviz :: filme e debate
(R. de Aviz, no centro do Porto)


http://3.bp.blogspot.com/_V7yl_8W1D8E/R4wIDzR1qsI/AAAAAAAAAPM/Zdgqa_txSwk/S269/Mona+Lisa+Blog.jpg


21h :: Filme: "Revolta na Grécia", de Tiago Afonso

22h :: conversa com: José Soeiro (sociólogo) e Cristina Andrade (fundadora do FERVE - Fartos d'Estes Recibos Verdes)

Desemprego, precariedade, exploração, insegurança e incerteza são a marca da relação dos jovens de hoje (e não apenas dos jovens) com o mercado de trabalho. Mas a precariedade é também imposta como um novo modo de vida ao qual não se pode fugir: o mundo dos biscates, do trabalho temporário, do desemprego, dos contratos a prazo ou dos falsos recibos verdes significa não apenas um trabalho sem direitos mas uma vida congelada. Foi também isto, a par de uma violenta repressão policial e de um ataque ao ensino público, que esteve na origem da revolta dos jovens gregos, que desde Dezembro vêm pondo em causa o poder naquele país. Por cá, também a geração 500 euros se tem feito ouvir através de múltiplas acções. Com um filme de Tiago Afonso sobre os acontecimentos na Grécia e os testemunhos de José Soeiro, que esteve naquele país a acompanhar os protestos e de Cristina Andrade, fundadora e activista do FERVE (Fartos d'Estes Recibos Verdes), esta conversa, organizada pelo Bloco de Esquerda, pretende pensar a partir de exemplos concretos os caminhos da luta dos desemprecários na Europa e imaginar alternativas libertadoras.

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Clientes do Mundo: Uni-vos!


Cometi o erro ir ao site da IKEA procurar emprego e logo me arrependi!

Precisei de quase 30 minutos para fazer uma candidatura espontânea que sei não ter a mínima hipótese...

No final do processo da E-recruitment apareceu este ecrã!

Ao que parece a IKEA considera os seus empregados ou futuros empregados CLIENTES (!!!) do mercado de trabalho da IKEA!

Ai sim? Então em vez de ser explorado pela IKEA os seus trabalhadores compram um serviço (com o seu trabalho)... e que serviço é esse? Será o de terapia ocupacional? Será o de ocupação de tempos livres?

Se a IKEA presta um serviço aos seus empregados gostava que todos eles pegassem no livro de reclamações e enviassem à ASAE uma queixa a dizer que como clientes sentem que o serviço que compraram à IKEA está abaixo do que eles desejavam e que ainda por cima está caro!

O ridículo merece ser gozado.

Ricardo o Sueco

Opinião: 70.000 desempregos/dia e a receita Caterpillar


Enquanto foi notícia pelos media nacionais que em apenas num dia foram anunciados cerca de 70 mil despedimentos por empresas norte-americanas e europeias, parece não levantar grande dúvida aos editores dos media e a quem decide a comunicação, o fundo de algumas questões pouco relevantes. Por exemplo, será que a Caterpillar, que anunciou o despedimento de 20.000 pessoas, o faz apenas com o objectivo de manter os lucros milionários de accionistas e investidores? Ou será, por outro lado, que é a única medida de manter alguns postos de trabalho devido a crise que se instalou?

Se algum jornalista mais destemido (e sem medo de ser despedido ou perseguido no trabalho) se tivesse dado ao trabalho de publicar o relatório final que está acessível pela net no próprio site da Caterppilar, poderia dar algumas informações importantes. É que a empresa em causa anunciou ontem que atingiu vendas e lucros record de $51.324 biliões em 2008. Mais 14% do que em 2007. A empresa também divulgou que o último trimestre de 2008 aumentou 6% os lucro relativamente ao último trimestre de 2007. Mais, o ano de 2008 foi o sexto ano consecutivo de vendas e lucros record. Tudo isto dito pelo CEO da empresa, de seu nome, um tal de Jim Owens.

Anunciam na página seguinte, no mesmo documento, que,tendo em conta as dificuldades de previsão de vendas e lucros para o próximo ano (?) tomaram a decisão estratégica de mandar embora 20.000 trabalhadores e trabalhadoras.

Existiram alguns media, entre os quais, OJE, que, ou leram outro relatório, ou então mentiram. Porque justificam o despedimento colectivo gigantesco, irresponsável e criminoso dos senhores da Caterppilar com a quebra de receitas em 30%, coisa que não está escrita no relatório em lado nenhum, bem pelo contrário.

O que escandaliza é que haja tanta gente que acredite na maior mentira de sempre. Que ainda há quem acredite na concorrência, nas empresas, na livre iniciativa privada. Há quem receite mais capitalismo para o capitalismo, mais regras para os ladrões e criminosos que ocupam as posições de poder e detêm o capital do mundo.

Há até quem acredite que em Portugal as receitas são diferentes da receita Caterppilar. É a receita da destruição.

Cada um acredita no que quer...

rUImAIA

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Despedimentos na Controlinveste ainda podem ser evitados

Depois de um apelo do Sindicato dos Jornalistas relativo aos 122 despedimentos na Controlinveste, a questão vai ser debatida na Assembleia da República no próximo dia 28 de Janeiro.

"A unidade de todos os jornalistas, e não apenas dos abrangidos pelo procedimento de despedimento colectivo anunciado pela Controlinveste, é condição decisiva para impedir a Administração de conseguir os seus intentos", afirmava o Sindicato dos Jornalistas (SJ) em comunicado divulgado a 18 de Janeiro.

No dia 15 de Janeiro o SJ tinha já lançado um comunicado na sequência de uma primeira reunião com a administração da Controlinveste em que criticava o processo e afirmava que "as culpas não podem morrer solteiras", acusando não apenas a administração da Controlinveste, mas também o Governo.

Entretanto, está a circular um manifesto/abaixo-assinado em defesa do Jornal de Notícias, "o útlimo grande jornal da cidade do Porto", denunciando também as arbitrariedades nestes despedimentos e a forma como os seus proprietários têm desestruturarado e prejudicado o jornal.


Os precários inflexíveis estão solidários com todos os jornalistas e outros trabalhadores dos jornais em causa. Vínculos precários, flexibilização, desestruturação dos contratos e das secções dos jornais não servem apenas para prejudicar a vida de muitos trabalhadores e para chantageá-los. Servem também para acabar a pouco e pouco com os jornais e põem em causa, cada vez mais, a liberdade de imprensa.

Público: Philips vai despedir seis mil trabalhadores e encerrar fábrica em Portugal

"
26.01.2009 - 09h16
Por AFP, PÚBLICO


O fabricante holandês de produtos de electrónica de consumo Philips anunciou hoje o despedimento de seis mil trabalhadores este ano dos 121 mil funcionários que emprega, depois de ter gerado prejuízos de 186 milhões de euros no ano passado. Esta decisão inclui o encerramento da unidade de controlos remotos, em Ovar, onde emprega 70 pessoas.

A medida de corte de pessoal irá economizar 400 milhões de euros anuais e será aplicada em todos os sectores da empresa e países onde se encontra implantada, referiu ainda um porta-voz do grupo à AFP.

Francisco Hortihuila, responsável pela comunicação da Philips Iberia, disse à Lusa, na semana passada, que o encerramento da fábrica em Portugal ainda não tem data definida, estando apenas decidido que será este ano.

A empresa está a negociar a rescisão contratual com os cerca de 70 trabalhadores, acrescentou."


notícia aqui.


Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Queremos a nossa vida de volta!

Ontem à noite, várias dezenas de pessoas encheram o bar do Teatro A Barraca, para assistir e participar na proposta de debate que o PI organizou. "Vemo-nos gregos - Queremos a nossa vida de volta?" era o mote para este encontro de pessoas, ideias e vontades. Queríamos olhar para a revolta grega, aprender com ela e aproveitar para pensar as urgentes respostas que precisamos para o nosso quotidiano de combate à precariedade no trabalho e na vida.

João Romão (economista e activista do PI), José Soeiro (sociólogo e recentemente chegado da Grécia), Rui Tavares (historiador e opinador frequente nos media) e Carvalho da Silva (secretário-geral da CGTP): uma mesa com contributos importantes, para arrancar um debate que foi também um ponto de encontro que entusiasmou quem nele esteve.



A conversa foi longa, mas nem demos pelo tempo passar. Ainda vimos um filme que José Soeiro nos trouxe da Grécia - denúncias, mobilizações e formas de organização que nos ajudam a pensar. Depois, até à uma da manhã, falámos das nossas urgências e preocupações. A degradação do valor do trabalho, a intensificação da exploração, a imposição da precariedade - aliás, das precariedades. Mas também a organização e as respostas, sem certezas absolutas, com vontade de as descobrir no encontro das lutas - sim, das lutas, porque elas existem, na Grécia, em Portugal e em todo o lado.

João Romão falou sobre o contexto das alterações nas relações laborais e de como elas afectam particularmente a "geração precária", num contexto de degradação dos serviços públicos e do Estado-Providência. Vindo da Grécia, José Soeiro trouxe-nos a experiência do que lá viu, o entusiasmo daquela mobilização e as suas formas de organização e o que, infelizmente, não vemos nos jornais ou na televisão. Já Rui Tavares relembrou outras expressões de revolta juvenil, como os acontecimentos dos subúrbios de Paris, e centrou a sua intervenção na crise, na liberdade e nas relações entre Estado, mercado e pessoas. Carvalho da Silva contribuiu com várias reflexões sobre as características da ofensiva actual sobre os trabalhadores e trabalhadoras, mas apontou também pistas importantes para as respostas: defendendo o lugar central do trabalho e a importância do sindicalismo, sublinhou a importância da organização "onde estão as pessoas e nas suas condições", num diálogo e numa aprendizagem que terão que ser intensificados.



Foi, portanto, um debate muito interessante, rico nos conteúdos e na participação. Saímos dele com energias redobradas e com a responsabilidade de continuar a encontrar caminhos que rompam o isolamento e o medo, que abram a comunicação entre pessoas e sectores, que acrescentem força, ideias e organização à luta contra a exploração e a precariedade.

Queremos a nossa vida de volta, sim senhor! E estamos a fazer por isso. Com a precariedade, querem-nos isolados e isoladas e aumentar o saque às nossas vidas. Responder-lhe precisa de todos os contributos e todos os encontros. Ontem à noite ficámos menos longe disso.

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Precários convocam para o Debate Vemo-nos Gregos...



Os Precários Infléxiveis estiveram ontem na rua a convocar para o debate de esta noite: Vemo-nos Gregos... Queremos a nossa vida de volta?

Vai ser hoje às 21h no Teatro A Barraca e vai contar com a presença de Carvalho da Silva, Rui Tavares, José Soeiro e João Romão.

Haverá ainda tempo para ver gravações trazidas pelo José Soeiro da sua visita à Grécia.


Aparece!! Até logo!

PS recua no período de experiência no Código de Trabalho




O PS recuou ontem na sua proposta da alteração do período experimental do/a trabalhador(a) de 90 para 180 dias (noticia aqui). Fê-lo porque o Tribunal Constitucional considerou esta alteração inconstitucional e não porque se tenha apercebido da gravidade desta alteração para os/as trabalhadores/as.

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Governo anuncia alargamento do subsídio social de desemprego

O Governo anunciou hoje que vai alargar a atribuição do subsídio social de desemprego de um período de 12 para 18 meses. O anúncio foi feito por Vieira da Silva, em conferência de imprensa no final de uma reunião de Conselho de Ministros de hoje.


Convém dizer que esta contribuição social é bem diferente do subsídio de desemprego: trata-se de uma valor baixo, correspondente a fracas contribuições para a Segurança Social. Ou seja, é o melhor a que podem aspirar os precários e precárias, porque ter uma carreira contributiva significativa não é compatível com contratos a prazo ou menos do que isso.

Num país em que o desemprego e a precariedade são os principais problemas sociais, esta medida é ténue. E contrasta com a generosidade que este Governo teve com os sectores previligiados (e responsáveis pela crise, já agora). O Governo não responde ao essencial e mantém a insustentável situação vivida por muita gente sem emprego e sem qualquer subsídio. Um número que não pára de crescer e que representa uma verdadeira urgência social.

Ora, justamente reagindo a este anúncio, Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, declara que este prologamento é "insuficiente". Salientando que o cenário de enorme debilidade social que o país atravessa "e que, infelizmente, tende a prolongar-se" exige mais respostas, adianta que o valor desta contribuição é muita baixa, não permitindo "uma vivência com dignidade". "Temos 40% dos desempregados sem nenhum subsídio: sem subsídio de desemprego nem subsídio social de desemprego", diz ainda este dirigente, que culpa a fraqueza do Governo perante a precariedade. "Neste momento, há milhares e milhares de trabalhadores que, em função da situação de excessiva precariedade em que se encontram, não chegam sequer a formar o tempo sufiente" para receber qualquer subsídio.

notícia TSF aqui

Administradores da CGD tentam despedir trabalhadores do BPN


Segundo noticia hoje o Público, o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) vai pedir ao primeiro-ministro para que intervenha de modo a evitar o despedimento dos 250 trabalhadores contratados do Banco Português de Negócios.

"O compromisso do governante (primeiro-ministro) foi assumido numa reunião da concertação social e, mais tarde, plasmada na própria lei da nacionalização, que num dos seus artigos diz que cabe à Caixa Geral de Depósitos acautelar a defesa dos direitos dos trabalhadores", diz o SBSI num comunicado.

O SBSI reuniu-se no início do mês com a administração do Banco Português de Negócios (BPN) que manifestou a intenção de não renovar os contratos a prazo, embora não tenha definido se a decisão irá abranger todos os trabalhadores a termo certo ou apenas uma parte.

O governo de Sócrates, Teixeira dos Santos (e Vítor Constâncio?), nacionalizou um banco em moldes que aparentemente não só, não acautelaram o dinheiro dos contribuintes, como não garantiram os postos de trabalho de quem lá trabalha. Porque estão a ser utilizados dinheiro e recursos do estado através da CGD para "salvar" o banco não podemos aceitar que não se "salvem" os postos de trabalho e os direitos dos trabalhadores do BPN, quer sejam precários ou não.

É necessário garantir a solidariedade e unidade de todos os trabalhadores do BPN para resistir a esta intenção da administração indicada pela CGD que parece bem mais preocupada em "salvar" a especulação e a acumulação de accionistas e investidores do que em "salvar" centenas de pessoas da degradação de se submeterem ao IEFP.

Ver notícia completa aqui

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

TVI: Reportagem sobre ofertas de emprego ilegais com colaboração do IEFP

Os Precários-Inflexíveis participaram numa reportagem da TVI onde se denuncia a oferta de empregos ilegais através do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), entidade da responsabilidade do Governo.

PI divulga Debate :: Vemo-nos Gregos... Queremos a nossa vida de volta?


O PI foi ontem distribuir cartazes e panfletos do Debate "Vemo-nos Gregos... Queremos a nossa vida de volta?" esta quinta-feira (22/01/09) no Teatro A Barraca às 21h.

Estivemos no Call Center da Zon TV Cabo, na Faculdade de Direito e de Letras, no ISCTE e nos Cinemas do Monumental.

Insistimos em mostrar que o precariado está a acordar por aí...

As cambalhotas de Vitalino

A atenção do blog Fúria do Cajado, leva-nos a esta peça da Lusa, que merece ser lida.

Nela, Vitalino Canas revela-se "preocupado", na sequência do despedimento colectivo imposto a 254 precários na Autoeuropa: "Fico muito preocupado pelo facto de nesta situação de crise haver desigualdade de tratamento" entre os trabalhadores temporários e os que têm outro tipo de vínculo, disse Vitalino Canas à Lusa, quando questionado com a decisão da Autoeuropa de não renovar os contratos de 254 trabalhadores temporários."

Trata-se de mais uma pérola do cinismo do senhor Provedor, que nos brindou ainda com a sua habitual flexibilidade - bem diferente da que nos impõe a nós, pois claro -, ao dizer que falava "na qualidade de Provedor e não na de deputado ou de porta-voz do PS".

Mas este ginasta não aguenta. E explica logo a seguir ao que vem: está "preocupado", mas com as ETT's, como sempre... Afinal, são elas que lhe pagam mais um salário para ele fazer o frete. Para Vitalino "será um desperdício prescindir" dos precários e das precárias. Claro que sim, porque ele sabem bem que os lucros da exploração aumentam com a precariedade.

Pois é. Pretensamente surpreendido, o senhor Provedor adianta que ainda não recebeu nenhum pedido de ajuda destes trabalhadores e trabalhadoras em resultado destas situações. Ninguém se espanta. Muito menos Vitalino Canas, que sabe melhor que ninguém que não representa ninguém que trabalha para as empresas de trabalho temporário que defende, à excepção dos seus administradores.

Domingo, 18 de Janeiro de 2009

DN: Taxa de desemprego será a maior dos últimos 23 anos

"A taxa de desemprego pode já estar acima de 8%. Com as mais recentes previsões, o Governo assumiu para este ano o pior cenário desde 1986. Os economistas avisam que parte do desemprego veio para ficar. 2010 não será ainda o ano da recuperação do mercado de trabalho
...
Ao assumir uma taxa de desemprego de 8,5% para 2009 - previsão idêntica, aliás, à da OCDE -, o Governo reconhece que o mercado de trabalho vai enfrentar uma das situações mais preocupantes das últimas décadas. A taxa prevista corresponde ao valor mais alto dos últimos 23 anos, segundo dados da Comissão Europeia, baseados nas definições do Eurostat. Associada a este cenário está a projecção de uma quebra de 0,7% no número de empregados, o que se traduz na perda de pelo menos 36 mil postos de trabalho. O Partido Socialista justificou esta semana a decisão de não alargar a duração do subsídio de desemprego argumentando que os números ainda não evidenciam uma degradação pronunciada do mercado.

O cenário do Governo sugere, contudo, que o desemprego deverá já ter superado o valor historicamente elevado de 8%: para que 2008 tenha chegado ao fim com uma taxa anual de desemprego de 7,7% (tal como o Executivo agora prevê, depois de uma ligeira revisão em alta) o último trimestre do ano terá que ter registado uma subida do indicador para valores que podem oscilar entre os 8% e os 8,3%. O que decorre do facto do nível de desemprego ter sido mais baixo nos primeiros três trimestres (7,6, 7,3 e 7,7%), segundo os dados oficiais já divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.

A corrida aos centros de emprego sugere, aliás, uma maior instabilidade no mercado de trabalho desde o final de 2008."

CATARINA ALMEIDA PEREIRA
AMIN CHAAR - ARQUIVO DN
Fonte:DN
Ler aqui a notícia completa.

Parabéns Sócrates e Vieira da Silva!

Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Vemo-nos Gregos... Queremos a nossa vida de volta?

A nossa vida não é o que nos anunciaram: os empregos escasseiam e não duram, as qualificações escolares não garantem o acesso a um mercado de trabalho cada vez mais selvagem, os serviços são cada vez menos públicos, o futuro é incerto e o presente cheio de dúvidas.

Esta é a primeira geração condenada a viver pior do que os seus pais, desenquadrada de estruturas representativas dos seus interesses difusos e incertos, cada vez mais desconfiada das burocracias partidárias e nomenclaturas administrativas.

Dos protestos que a geração-precária está a protagonizar na Grécia, interessa-nos discutir as condições sociais que levaram à revolta e as suas formas de organização.

É para isso que nos juntamos na quinta feira, 22 de Janeiro, pelas 21.00 no bar do Teatro A Barraca.

Convidados:

  • Carvalho da Silva - Secretário Geral da CGTP
  • Rui Tavares - Historiador
  • José Soeiro - Sociólogo
  • João Romão - Economista e membro do PI

Faz o download do panfleto aqui! Imprime-o e divulga-o na tua faculdade, local de trabalho ou escola. Envia-o por email a todos os teus contactos. O precariado está a acordar!

Aparece!

Teatro A Barraca :: Largo de Santos, 2

Metro – Cais do Sodré (linha verde
CP – Estação de Santos
Carris – 6, 727, 60, 104, E15, E25, E28


Grupo Renascença: testemunho enviado ao PI por e-mail



"O meu nome é Frederico Pinheiro e fui jornalista da Rádio Sim Elvas Grupo Renascença desde 12 de Dezembro de 2008 até 13 de Janeiro de 2009. Saí da referida Rádio pois fui despedido pelo director em Elvas, que não tem carteira de jornalista, Dr. Francisco Galvão.


Os motivos do meu despedimento são o que me levam a enviar-lhe esta carta. O Dr. Francisco Galvão despediu-me depois de eu lhe ter pedido para não me mandar fazer "Publireportagens". Estas "Publireportagens", ou "Reportagens Comerciais" como as designa o Dr. Francisco Galvão, são publicidade dissimulada de informação: eu iria entrar em directo no espaço informativo ou na emissão (algo que em Elvas só se justifica com algo muito importante), de uma loja que tivesse publicidade paga na Rádio Sim Elvas – Grupo Renascença. A ideia era fazer publicidade, mas dissimulada de informação. Enganar as pessoas com publicidade, quando elas pensavam que era informação. Para mim, o jornalismo tem uma função formadora e não manipuladora.


Dia 11 de Janeiro de 2009, dirigi-me ao gabinete do Dr. Francisco Galvão e pedi-lhe para não me mandar fazer as referidas reportagens. A resposta que obtive foi : ou fazes ou vais embora e arranjo outra pessoa. Eu dei a alternativa ao Dr. Francisco Galvão de enviar alguém descomprometido com o jornalismo, como um animador ou alguém da secção de publicidade. Esta minha alternativa foi recusada pois, segundo o Dr. Francisco Galvão, com um jornalista a "Publireportagem" seria muito mais credível e assumiu que a ideia era passar publicidade com a máscara de informação. Informei o Dr. Galvão que me custava imenso fazer algo como isso, pois estaria a enganar as pessoas. Além do mais, eu, como jornalista, tenho o direito e o dever de me recusar a fazer algo como a "publireportagem". Expliquei ao Dr. Galvão que fazer isso me iria comprometer jornalisticamente para sempre e que eu não iria ficar bem com a minha consciência. O Dr. Galvão disse-me que sabia isso, que compreendia, que tinha pena que eu recusasse pois assim mandar-me-ia embora.


Na segunda-feira, dia 12 de Janeiro, falei com o Dr. Francisco Galvão sobre os papeis para pedir a minha carteira de jornalista, algo que já estava combinado há algum tempo, sendo que o Dr. Galvão me perguntou: aceitas fazer as "Reportagens Comerciais"? Eu limitei-me a responder que não me queria ir embora.


Dia 13 de Janeiro, mal cheguei ao estúdio de manhã para começar a trabalhar, o Dr. Francisco Galvão disse-me que eu estava despedido, dizendo que não podia ter um jornalista que se recusava a fazer as Publireportagens, que eu tinha que fazer tudo o que ele pedisse, desde informação até às Publireportagens. Ora, quando eu fui contratado, disseram-me que queriam jornalistas, com licenciatura, pois era uma norma interna da Rádio Sim. No fim, fui despedido por alguém que nem possui a carteira profissional e por eu ter exercido um direito e um dever meu, ou seja, recusar-me a fazer as "publireportagens".


Gostaria que esta situação fosse resolvida, pois eu tenho o direito de me recusar a fazer as ditas "publireportagens" e é ilegal despedirem um jornalista por isso. Quero ver reconhecido o meu direito de me recusar a fazer as "Publireportagens" e o meu direito de continuar a exercer jornalismo na Rádio Sim Elvas – Grupo Renascença.


Faço isto não por mim, pois já estou a sofrer as consequências de tudo isto, mas por todos os jornalistas que estão condicionados e são obrigados a enganar o seu público. Quero que saibam que todos juntos podemos fazer a diferença e que a liberdade de imprensa é um bem inalienável para uma sociedade que se quer melhor.

A mudança é possível... Com recibos verdes estamos condicionados de todas as formas possiveis. Cheguei, trabalhei, mas por ter exercido um direito meu, fui despedido, sem qualquer justificação credível.


Atenciosamente

Frederico Pinheiro"

Despedimentos nas TI


Mesmo as empresas gigantecas, geradoras de lucros milionários, como a Google , Yahoo, Alcatel-Lucent, HP (ou outras) despedem, mandam e desmandam nas pessoas como se fossem simples peças de máquinas, microchips, placas gráficas ou motherboards às quais se faz upgrade, se deita fora, se instalam noutro sítio... tudo a bem do mercado e dos "revenues", dos lucros, das taxas, dos números, dos gráficos, das curvas...

A área das pomposas TI - Tecnologias de Informação - é aquela onde a maioria acha que o futuro está à sua frente, e que o mundo de holofotes e luzes coloridas e psicadélicas de consultores, banca, seguradoras, dinheiro, desportos radicais e viagens é o seu próprio mundo e futuro. Tenho dúvidas muito grandes em relação a isso. Parece-me que estamos apenas a passar por aí, e é bem necessário que comecemos a perceber onde nos encaixamos e o que temos ou não, podemos ou não, fazer daqui a um futuro próximo.

A Microsoft disse "Where do you want to go today". Se calhar seria bem mais importante perguntar a cada um ou cada uma de nós "Where do you think you're going... tomorrow".

A Google anunciou o despedimento de 100 pessoas ligadas ao recrutamento de novos trabalhadores. A Yahoo, que no ano de 2008 foi notícia devido aos prometidos despedimentos e pelo anúncio da dispensa de 10% dos seus trablhadores aparece hoje no Jornal de Negócios falando dos salários muito pouco precários da sua nova CEO. Um milhão de dólares (760 mil euros), ao ano e opções sobre acções (StockOptions) avaliadas em mais de 18 milhões, para além de um eventual bónus anual. A justiificação para a troca de CEO na Yahoo deve-se às dificuldades que a empresa tem vindo a enfrentar, em especial no que diz respeito ao negócio de publicidade na “online”.

Bom, que se perceba, eu não estou aqui a dizer que as dificuldades são só para uns e que as receitas do "mercado" e do "capital" são sempre as mesmas... isso, eu deixo aos meus colegas e minhas colegas yuppies que certamente, na generalidade, terão uma opinião bem formada, informada, concreta e bem alicercada sobre estes assuntos... estes e outros, claro.

rUImAIA

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

122 despedidos na Controlinveste


A “retracção” do mercado. Assim justifica a administração da Controlinveste o despedimento de 122 pessoas, cerca de metade jornalistas, mas também muitos outros trabalhadores dos recursos humanos, contabilidade ou informática.

“O grupo Controlinveste tem quase mil trabalhadores, é detentor de vários meios de comunicação, tem participações em diversas empresas na área dos media e do desporto. O grupo detém a SportTV, na televisão, a TSF, na rádio, e o "Jornal de Notícias", o "Diário de Notícias", o "24Horas" e "O Jogo". Para além destes títulos, possui ainda outras publicações mais especializadas, como o jornal "Ocasião", jornais de imprensa regional, como o "Açoriano Oriental", o "Jornal do Fundão", o "Diário de Notícias da Madeira". As revistas "Evasões", "Volta ao Mundo" e ainda uma participação accionista na Lusa, agência de notícias, são pertencentes ao grupo. A Controlinveste controla ainda empresas na área da impressão e da distribuição de imprensa.

Os dois maiores jornais do grupo, o "Diário de Notícias" e o "Jornal de Notícias", vão dispensar 25 pessoas cada um, segundo uma fonte da empresa, citada pela Lusa. "O Jogo" irá reduzir cerca de 15 trabalhadores, enquanto o "24Horas" extingue a delegação do Porto, onde trabalham 10 pessoas. A administração manda as culpas para a situação económica e para “a crise da imprensa”: “A evolução acentuadamente negativa do mercado dos media, em particular na área da imprensa tradicional, e a profunda quebra de receitas do sector impõem à Global Notícias Publicações e à Jornalinveste Comunicação uma opção difícil mas inadiável: iniciar um processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores, em diferentes áreas das duas empresas” pode ler-se no comunicado da administração.

É muito confortável. Despedir, precarizar, destruir paulatinamente os jornais e desbaratá-los ao sabor do mais ou menos interesse, mais ou menos publicidade, mais ou menos lucro, e depois pôr na rua quem fez tudo para que eles continuem a existir.

A unidade dos trabalhadores, sejam quais forem as suas condições salariais e tipos de contrato, é a resposta necessária. Sabemos que o sindicato dos jornalistas ia reunir com a administração e promete mandar um comunicado em breve.

Atentos e solidários, os precários de várias profissões só podem estar contra a decisão da administração. Jornalistas, fotógrafos, gráficos, contabilistas, informáticos, façamos o que fizermos, temos de denunciar estes despedimentos, exigir todos os direitos e nenhumas desculpas para o santo mercado, nem para a crise que é agora palavra útil para reprimir, explorar e descartar trabalhadores. Não se cortam trabalhadores como se corta uma notícia.

Pedro Rodrigues (a partir da Lusa e de várias notícias publicadas hoje)
links úteis:
http://www.controlinveste.pt/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Controlinveste_Media

Testemunho: técnico de Higiene e Segurança no Trabalho

Partilhamos mais um testemunho, chegado ao nosso mail por um técnico de Higiene e Segurança no Trabalho. O que é, aliás, uma triste ironia: quem trabalha para implementar e verificar as condições de outros tabalhadores e trabalhadoras, está sujeito a todas as ilegalidades e atropelos aos seus direitos.



"Eu sou técnico nível 3 na área de Segurança e Higiene no Trabalho (ampla área de precariedade e recibos verdes).

Estou a trabalhar para uma empresa de serviços externos. Em que sou pago por "pacote" ou seja, faço 45 estabelecimentos e ganho 500€. Pagam também 30€ para chamadas de rede móvel, sendo que estes 30€ até pagarem, demoram uma eternidade. Sei que a empresas que por auditoria pagam só, repito SÓ, 7,5€ por auditoria. Quer seja nível 3 (Técnico de segurança e higiene no trabalho) ou nível 5 (técnico superior de segurança e higiene no trabalho). Não percebo o porquê de ainda não ter havido uma "santa alminha" denunciar isto!

É um abuso que nós técnicos sofremos na pele!

Para a semana vou para fora da zona onde costumo trabalhar e querem pagar menos de metade do que recebo agora. Ou seja, 45 estabelecimentos só 150€ e se fizer 50 estabelecimentos tenho um "bónus" de 100€ sendo que vão pagar-me 10€ por noite (dormida) isto tudo só numa semana. E transporte da empresa. É UM ABUSO!

Só me resta dizer: vá, continuem a tirar pós graduações nesta área e a tirar cursos nível 3...

Cumprimentos, e continuem com este excelente trabalho!

Jaime"

Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Via FERVE: testemunho de precariedade no IEFP!

Partilhamos aqui um testemunho recentemente divulgado no blog do FERVE. É mais uma história pessoal de precariedade... no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP)! Depois do país ter ficado a saber que a leitura das opiniões políticas do primeiro-ministro contam nos concursos internos do IEFP, este testemunho vem reforçar a triste realidade vivida num organismo do Estado que, ainda por cima, tem todas as responsabilidades na área do emprego! Mais uma vergonha, no País das Impunidades!



"Trabalho há praticamente treze anos exclusivamente para o IEFP e para empresas de gestão protocolar do IEFP, como formador. Desde 1996 que passo recibos verdes e sofro com a precariedade.

É que a formação por vezes pára alguns períodos, havendo que realizar alguns trabalhos de organização que são feitos gratuitamente para podermos manter esperanças de continuar a dar formação. Nestas alturas a "corda na garganta" aperta e já estive muitas vezes desesperado... Com tudo isto não tenho direito a subsídio se for posto na rua por não haver formação, nem a estar de baixa ou dar assistência à minha família se necessário.

Aparentemente, no final do ano até tenho razoáveis rendimentos (menos de 25000€) mas tenho de pagar Segurança Social, impostos, custos muito grandes de deslocações pois a formação é feita em locais diversos (por vezes ando mais de 1000km por semana), refeições, etc... Feitas as contas, temos um trabalho que é altamente qualificado pago ao preço da chuva.

Tenho 41 anos e apesar de ir tendo trabalho, tenho também a certeza que vou pagar caro esta minha paixão pela formação profissional. Perspectivam-se mudanças nos próximos anos. A formação profissional por parte do Estado, a continuar nos moldes actuais, vai terminar rapidamente.

A qualidade da formação está a baixar tremendamente o que conduzirá ao descrédito e ao final. Nessa altura ficarei com uma mão à frente e outra atrás....

Fernando Marques
"

Precários pagam a crise na AutoEuropa


Surpresa das surpresas: quando as empresas começam a sentir apertos os primeiros a ir para a rua são os precários!

A AutoEuropa confirmou hoje que irá despedir 254 trabalhadores que estavam contratados através de empresas de trabalho temporário.Cá está a flexibilidade no seu melhor! Quando a empresa é atingida pela crise mundial faz com que sejam os trabalhadores precários os primeiros a pagar a factura. Precários que nem sequer poderão protestar contra estes despedimentos! Assim é mais fácil, rápido e barato...

A única maneira de evitar estes despedimentos é a solidariedade dos restantes trabalhadores que dentro da AutoEuropa ainda podem protestar! Só com solidariedade podemos, em cada local de trabalho, quebrar a lógica dos trabalhadores internos/externos. Só com solidariedade podemos impedir que uns sejam usados como armas contra os outros.


Ricardo Santana

254 precários despedidos na Autoeuropa

A Autoeuropa anunciou o despedimento de 254 precários, contratados através de empresas de trabalho temporário (ETT). Mas para a Autoeuropa este não é um sinal negativo para a empresa. Carmo Jardim, porta-voz da Volkswagen Autoeuropa, assegura que esta situação "não deve ser interpretada como sinal de dificuldades ou risco de viabilidade da fábrica", definindo-a como "corrente", enquadrando estes despedimentos numa "gestão optimizada de recursos humanos".

(notícias aqui ou aqui)


Carmo Jardim diz ainda que "a Volkswagen Autoeuropa recorre a serviços de empresas de trabalho temporário para suprir necessidades que, como o próprio conceito enuncia, são temporárias e, logo, transitórias". Está frase é uma formulação interessante, digna das melhores técnicas de marketing. Este porta-voz já aprendeu a lenga-lenga, sem dúvida. Mas o suposto carácter "temporário" das necessidades que levam estas grandes empresas a subcontratar trabalho através das ETT's é cada vez mais permanente. A triste notícia por trás deste despedimento colectivo, é que ele é hoje mais fácil que nunca e é descrito como "dispensa de temporários", designação com uma leveza que só interessa aos patrões. É isto a precariedade: menos salário, poucos ou nenhuns direitos, uma enorme fragilidade para quem assim trabalha e ainda uma legitimação (legal, mas não só) para os patrões despedirem ou fazer outras tropelias.

Vale a pena anotar as palavras de Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, que, comentando este caso, defendeu que a precariedade vai continuar a ser uma realidade enquanto não houver "mudanças de fundo em relação às grandes políticas", acrescentando que "a precariedade no emprego, também aqui se demonstra, nunca resolve coisa nenhuma, apenas agrava as condições e o que há a fazer é uma luta solidária o mais possível para que os trabalhadores sejam protegidos, sejam todos protegidos o mais possível" (notícia aqui).

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

IEFP exige leitura de discurso de Sócrates para concurso interno

O Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), organismo tutelado pelo Ministério do Trabalho e da Segurança Social e que tem por função tratar das questões relacionadas com o emprego (e, já agora, devia também tentar também resolver as situações de desemprego...), impõe, num concurso para preenchimento de vagas para "técnico administrativo principal", a leitura de um texto político de José Sócrates. É um exemplo chocante da lógica da abosuta obediência na Administração Pública deste Governo, justamente num organismo com especiais responsabilidades nesta matéria.

O texto em causa está disponível no site do Programa Novas Oportunidades (com a fotografia do eloquente autor, de braços cruzados, que aqui partilhamos) e, ironicamente, encontra-se na secção "Ambição". Quem se candidata às referidas vagas no IEFP tem que conhecer a voz do chefe que, em ano de eleições, não desiste da propaganda permanente e da domesticação da Administração Pública.


A notícia, divulgada pelo Diário de Notícias na edição de sábado passado (disponível aqui), revela ainda uma preocupante ligeireza do Presidente do IEFP, Francisco Madelino: apesar de admitir que, "em última instância", a responsabilidade é sua, "não é um crime de lesa-pátria" incluir matéria política como critério explícito de selecção num organismo público.

O Governo, num ano de muitas eleições, parece estar disposto a tudo. Depois de escandalosamente dispensar as autarquias de desenvolverem concursos públicos as empreitadas até 5 milhões de euros, talvez já seja difícil espantar-nos... Que outras medidas de instrumentalização do Estado a seu favor terá ainda José Sócrates para nos mostrar?

ACT no Instituto Superior Técnico?

As mais distintas entidades públicas usam e abusam da precariedade laboral, tal como as empresas privadas. A contratação de serviços é feita na base do preço baixo, geralmente associada a baixos salários, e, quando se trata de áreas laborais para as quais a segurança é um elemento fundamental, o preço baixo implica também a baixa dos níveis de segurança para os trabalhadores.

Já vimos muitos exemplos de acidentes de trabalho por falta de condições de segurança, e acima de tudo, porque não existe nenhuma entidade realmente fiscalizadora e actuante na protecção de quem trabalha e na prosecução do cumprimento da lei.

Também o Instituto Superior Técnico, escola supostamente de excelência nas áreas da construção e tecnologia, contrata empresas sem estar muito interessado em saber quem está a contratar. Neste caso, ou contrata empresas de Ar-Condicionado onde habitam Homens-Aranha, ou então é mais um caso de trabalhadores em actividade, em instituições públicas, uns bons 30 metros acima do solo, sem qualquer barreira.

Edifício: Complexo Interdisciplinar do IST.



Não há alternativas? Não há dinheiro para a Segurança Social?


Enquanto os desempregados são tratados como criminosos que têm de se "apresentar" nos Centros de desEmprego todas as duas semanas para poder receber 300€ para sobreviver, enquanto o número de pobres que trabalha dispara e o poder nos prepara para o aceitar de novas e acrescidas dificuldades nos próximos anos, muitos dizem que não há alternativas...

Armando Vara foi ex-ministro de Guterres, é vice-presidente BCP, vice-presidente do Banco Internacional de Moçambique e fundador da Fundação para Prevenção e Segurança (entidade de legalidade duvidosa que levou Jorge Sampaio a meter alguma ordem na delinquência da utilização dos dinheiros públicos). É portanto mais um senhor que domina muitas habilidades, com destaque para a ligação entre os cargos públicos e a sua relação com os privados.

Pois é, também esteve na CGD (cargo de nomeação política) e foi promovido ao escalão máximo de rendimentos já depois de se mudar para o BCP. Esse aumento terá efeitos na sua reforma, ou melhor, numa das suas reformas. Por acaso, esta até é paga indirectamente pelo nosso dinheiro.

Não há alternativas à nossa precariedade?
Não há dinheiro para reforçar a segurança social e a protecção no desemprego e na doença?
Porque nos humilham para nos pagarem pequeníssimos subsídios de desemprego que nos servem no máximo para sobreviver, fazendo-nos crer que nos estão a fazer um favor?

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/
Notícias: aqui e aqui


Sábado, 10 de Janeiro de 2009

Saúde 24 :: dia de luta

Atendimento na Linha Saúde 24 de Lisboa já foi reactivado
10.01.2009 - 15h37 Margarida Gomes
O atendimento da Linha de Saúde 24 de Lisboa já foi retomado. O “call center” de Lisboa esteve inactivo durante três horas, entre as 8h00 e as 11h00, o tempo que durou o protesto de um grupo de enfermeiros que hoje de manhã, que por volta das 7h30 se concentrou frente às instalações da Saúde 24, na Avenida das Forças Armadas, em Lisboa. Na base do protesto está o despedimento recente de oito enfermeiros do atendimento por parte da administração da LCS- Linha de Cuidados de Saúde, que explora a linha.

Aqueles enfermeiros foram dispensados, alegadamente, por terem denunciado numa carta que escreveram, à ministra da Saúde, Ana Jorge, em Outubro passado, “os maus métodos de trabalho ali que são praticados e da falta de interesse por parte da direcção clínica em melhorar os serviço”.

Um enfermeiro supervisor que não aderiu ao boicote chamou a polícia ao local e interditou a rua durante algum tempo. Enquanto isso, à porta das instalações da empresa, os enfermeiros não escondiam a revolta que sentem pela forma como a administração os trata. Indignado, Lúcio Silva, um enfermeiro que participou no protesto, declarou que na base do afastamento dos colegas está o facto de terem denunciado a situação que se vive na Saúde 24. “Esta empresa tem um único objectivo que é ganhar dinheiro. O nosso trabalho e a qualidade dos cuidados fica ao nosso critério”, disse aquele profissional

Foi este aparato que o director-geral da Saúde, Francisco George, encontrou quando chegou às instalações da linha, na Avenida das Forças Armadas. Apanhado de surpresa, Francisco George elogiou “o trabalho exemplar dos enfermeiros”, reconheceu que o ambiente de trabalho se tem vindo a degradar e sublinhou que “é preciso ter em conta que estamos a lidar com uma empresa privada no contexto de uma parceria [público-privada], aliás, a primeira estabelecida pelo Estado neste contexto novo”.

DGS recebe enfermeiros na segunda-feira

Francisco George fez um apelo aos enfermeiros para se dirigirem aos seus postos de trabalho, comprometeu-se a recebê-los na segunda-feira nas instalações da DGS. O responsável anunciou ainda que vai chamar no mesmo dia às 12h00 a comissão de acompanhamento do contrato de exploração dos serviço do Ministério da Saúde, que integra varias entidades, e a própria administração da Caixa Geral de Depósitos, a que a LCS pertence. Na sequência deste apelo, os enfermeiros do atendimento dos turnos das 8h00, 9h00 e 10h00 acederam começar a trabalhar e a Linha voltou a funcionar normalmente.

Todavia, só aceitaram entrar acompanhados do enfermeiro Sérgio Gomes, da Direcção-Geral da Saúde, responsável pela Saúde 24. No interior das instalações estava Paulo Lopes, o director do serviço.

É provável que muitas das chamadas feitas para o “call center” de Lisboa tenham sido encaminhadas para a Linha Saúde 24 do Porto, mas ainda não há informações nem sobre quantas chamadas é que se perderam, nem sobre quantas foram transferidas para o Porto.

O secretário de Estado adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, adiantou ao PÚBLICO que o ministério já mandou fazer um relatório para ter uma ideia precisa do número de utentes que telefonaram para Lisboa e não foram atendidos e quantas chamadas é que o Porto recebeu. O PSD e o Bloco de Esquerda são os dois partidos que maior atenção têm dispensado a este caso, que tem pendente há dois meses, uma audição do director-geral de Saúde, no Parlamento.


fonte: Público

Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Visão Online: Embaixadas sem funcionários devido à falta de renovação de contratos

Mais precariedade patrocinada pelo Estado, desta vez nas embaixadas. Será que há algum Ministério deste Governo que não esteja manchado de precariedade?



"Embaixadas sem funcionários devido à falta de renovação de contratos - sindicato


Lisboa, 09 Jan (Lusa) - Várias embaixadas portuguesas ficaram sem funcionários e reduzidas ao embaixador e a um diplomata depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) não ter renovado os contratos de 45 trabalhadores, denunciou o sindicato do sector.

"O MNE tinha 45 funcionários a termo certo que, a 31 de Dezembro, finalizaram os três anos. Se renovassem tinham de passar a efectivos. O MNE pediu ao Ministério das Finanças para renovar os contratos, mas não foi dada a autorização", disse hoje à Agência Lusa Alexandre Vieira, do Sindicato dos Funcionários Consulares e das Missões Diplomáticas (STCDE).

De acordo com o sindicalista, o MNE "tentou e está a tentar contratar funcionários através de empresas locais de trabalho temporário" para substituir os que foram dispensados, situação que considera ser ilegal.

Suíça, Bélgica, Alemanha, Inglaterra, Espanha, Estados Unidos e quase todas as embaixadas abertas em países do Leste europeu são alguns dos postos, segundo Alexandre Vieira, atingidos pela não renovação dos contratos de trabalho.



(...)"


Precária em hospital privado (testemunho enviado ao PI por e-mail)



"Sou enfermeira precária, trabalho a recibos verdes há 2 anos, trabalhei durante 1 ano e 6 meses apenas numa empresa de Med. Trabalho (onde me mantenho) a recibos verdes e ao fim desse tempo consegui entrar para um hospital privado, onde me encontro desde há 6 meses também a recibos verdes. A situação mais escandalosa é o hospital privado, que tem cerca de 70% dos enfermeiros a recibos verdes, sendo a grande maioria apenas trabalhadores naquela entidade. Isto é, temos um horário superior a 42horas/semanais e não há previsões de um contrato de trabalho, isto porque, quando o trabalho diminui no hospital estes enfermeiros são dispensados de trabalhar, não ganhando como é evidente. Como não tenho um salário fixo, mas oscilante todos os meses, tenho de pagar segurança social e fazer retenção, não posso assumir compromissos: casa, carro, casar e ter filhos.
Podem perguntar, mas porque não muda de emprego, a resposta é simples ele não existe, o pouco que há é longe de casa (fora do país), por isso optei por estas condições precárias."

enfermeira precária

Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Querem ver que vão começar a trabalhar?

A ACT está aí... na imprensa (aqui, aqui ou aqui, por exemplo). A Autoridade para as Condições do Trabalho está a desenvolver uma operação de charme que lhe permitiu ser notícia por um dia. Ainda não é, infelizmente, pelo trabalho que realizou - e não seria difícil: no País das Impunidades, complicado seria que os inspectores da ACT, numa das suas visitas, não encontrassem ilegalidades. Por enquanto, a ACT é notícia apenas... por anunciar que vai trabalhar. Óptimo!

Segundo Paulo Morgado de Carvalho, presidente da ACT, os inspectores estarão especialmente atentos, nos próximos dias, aos despedimentos colectivos. Aquele responsável promete avaliar os processos de falência de muitas empresas, em tempos de crise: "face a um número significativo de empresas que estão a recorrer a estes mecanismos temos de actuar com alguma ponderação para verificar efectivamente se em cada caso será uma situação real de crise e de fundamentos financeiros e económicos que levam a esta situação", prometendo verificar se "a empresa se aproveita de uma situação conjuntural para através destes mecanismos impor aqui alguma situação de fraude". Infelizmente, não faltarão empresas para estas visitas. Os inspectores poderão começar, por exemplo, por avaliar a suspensão de 536 trabalhadores e trabalhadoras da Tyco Electronics, em Évora.

Ficamos então à espera dos resultados destas averiguações. Mas registamos já o esforço que Paulo Morgado de Carvalho fez para não assustar muito os patrões: o sr Presidente já avisou que "devemos ter ponderação e bom senso" nas inspecções, para, nas suas palavras, não agravar ainda mais a situação das empresas. Claro que sim: a ilegalidade faz parte do equilíbrio que sustenta as contas de muitos empresários, que vão enriquecendo à custa do trabalho alheio.

"A nossa missão é controlar e fiscalizar, sobretudo no que toca à segurança e ao trabalho ilegal, e não deixaremos em caso algum de o fazer", diz Paulo Morgado de Carvalho. Conhecendo a realidade do país, como é possível que a ACT não apresente resultados todos os dias?

Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

PS está com pressa em aprovar o Código do Trabalho

O PS está com pressa. Depois do chumbo do Tribunal Constitucional, por unanimidade, à norma do novo Código de Trabalho que oferecia aos patrões um período experimental de 180 dias, o Partido Socialista está agora disponível para "alterar" a norma para poder colocar o Código em vigor "o mais rápido possível". As palavras são do deputado Jorge Strecht e não surpreendem. Mais norma menos norma, este é o Código do Governo PS e dos patrões.


A notícia da TSF (na íntegra, aqui) divulga ainda uma oportunista declaração daquele deputado: "É nesta altura que o código é vital para os trabalhadores e as suas normas (...). Existe uma urgência real na entrada em vigor deste código".

A crise dá para tudo. Até dá para o PS sugerir que este agressivo Código do Trabalho vem ajudar os trabalhadores e trabalhadoras a aguentá-la. Será que alguém ainda acredita?

Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Revista Autor: "Precariedade: o direito ao trabalho no séc. XXI"

Partilhamos aqui um excerto dum recente e interessante artigo publicado no sítio da Revista Autor, da autoria de André Pirralha (versão integral, aqui).


«Precariedade: o direito ao trabalho no séc. XXI

(...)

As profundas transformações que o mundo tem conhecido têm-se repercurtido de um modo muito concreto na área laboral. O mercado de trabalho evidencia problemas estruturais de atipicidade, precarização, instabilidade, exclusão e discriminação que, embora de fácil diagnóstico, se revelam de díficil resolução. Ao mesmo tempo, assistimos à tentativa de implementação de uma multiplicidade de reformas no mundo do trabalho com o objectivo de criar maior “Flexibilidade” e assim potenciar a adaptabilidade económica aos períodos de crise, tal como este que agora atravessamos. Mas porque o direito ao trabalho é um inalienável direito humano, importa agora, mais que nunca, pensar nos actuais desafios que se põe à noção de “trabalho conforme a dignidade humana”.

Actualmente, um dos principais problemas no mundo laboral é o crescimento sem precedentes do trabalho precário e da precariedade que mesmo sendo um fenómeno extremamente diverso acaba por provocar um enorme sentido de insegurança a partes cada vez mais significativas da população. “Trabalho precário” é a expressão utilizada para designar todas as formas de emprego em que o trabalhador, devido à natureza não permanente do seu contrato, não tem a mesma protecção social e legal que os outros trabalhadores com vínculos de duração indeterminada. Mas a “Precariedade” é mais do que uma relação de trabalho, é o transformar da própria vida numa certeza adiada e intermitente que toma como refém a esperança num futuro melhor. É um fenómeno complexo com implicações económicas, sociais e jurídicas que se tem tornado cada vez mais presente no nosso quotidiano. Contudo, a sua generalização é relativamente recente e fica muito a dever à inserção das economias nacionais no sistema financeiro global, apenas respondendo às leis da concorrência e competição, sem que fosse prestada a devida atenção aos custos sociais desta deslocalização. O trabalho foi-se transformando numa mera “variável de ajustamento” da criação de riqueza, utilizada ao sabor dos ciclos e das condições da economia e desprezando o seu valor enquanto factor de integração social.

Em Portugal, um dos países onde o trabalho temporário mais progrediu, a situação é particularmente grave, atingindo com maior severidade aqueles que já por si detem posições fragilizadas no mercado de trabalho, como os jovens, os trabalhadores menos qualificados, os imigrantes. Primeiro, começa-se por ser precário porque se é jovem, só agora se entrou no mercado de trabalho e a experiência de dificuldades faz parte de um certo rito iniciático de passagem para a vida adulta. O contrato incerto, sem direito a férias nem a protecção no desemprego, não é mais do que um ponto de partida e de um sinal de que “a vida é difícil mas melhores dias virão”. A irregularidade de horários, a falta de condições de trabalho e os baixos salários são a pena que se deve tomar de animo leve porque se é jovem e a precariedade é inevitável para fugir ao desemprego. Depois, já não se é tão jovem mas porque o ciclo é vicioso a situação mantem-se, de contrato em contrato, ao mesmo tempo que se vão adiando as expectativas de estabilidade e esquecendo os benefícios sociais como a assistência na doença ou na maternidade. Pode até ser qualificado, ter um curso superior, um mestrado, um doutoramento, sem que nada disso garanta as legitimas expectativas de levar vida melhor. Até que chega o momento de abandonar a vida activa e mesmo depois de anos e anos de trabalho e de descontos, o incumprimento dos períodos de garantia mínima da Segurança Social não são suficientes para a aquisição do direito a prestações sociais.

(...)

»

Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

D. Manuel Martins: «Código de trabalho desrespeita direitos humanos»

Mais uma voz contra este vergonhoso Código do Trabalho imposto por Governo e patrões, via Agência Ecclesia:


"D. Manuel Martins: «Código de trabalho desrespeita direitos humanos»

D. Manuel Silva Martins considera que o código de trabalho desrespeita os Direitos Humanos. Numa entrevista concedida ao programa de rádio Caminho de Emaús, o Bispo emérito de Setúbal defende que "muito do que é fundamental nos direitos do homem está a ser esquecido". D. Manuel Silva Martins especifica: "refiro-me só no que diz respeito ao trabalho. E, se quiser, ainda afunilo mais e digo, no que diz respeito, ao código de trabalho".

(...)"

Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Jovem desemprecária no Público de hoje

Mais um testemunho na imprensa, desta vez na página 5 do jornal Público de hoje. A reportagem fala em "15 anos de políticas falhadas" para os "portugueses esquecidos" de que falou Cavaco Silva na "mensagem de ano novo": agricultores, pequenos comerciantes e jovens sem emprego.


"Excluída por ter uma licenciatura
Carla Vinagre, 21 anos, licenciada no desemprego
Clara Viana

Foi por ter uma licenciatura, concluída no Verão passado, que Carla Vinagre se viu automaticamente excluída" até da mera possibilidade de vir a ser candidata a um lugar na Câmara Municipal de Lisboa (CML). Confirmada em Outubro, quando concluiu um estágio curricular de três meses na Divisão de Programação Cultural da CML, esta experiência definidora só lhe custou mais porque tudo o resto - ou seja, o trabalho que lá fez - tinha corrido "muito bem": "Aprendi bastante."

Mas em situação de estrangulamento financeiro e apesar da falta de qualificação do seu pessoal ser um dos problemas identificados (o grupo mais numeroso tem a antiga quarta classe), na CML terá passado a ser apresentada como "expressamente proibida" a contratação de licenciados. Foi o que lhe disseram, dando-lhe conta de que isto tem a ver com patamares de vencimentos. E na administração local as habilitações contam para este efeito.

Na sua mensagem de Ano Novo, o Presidente da República referiu-se a pessoas como Carla: os jovens que, "tendo terminado os seus estudos, vivem a angústia de não conseguirem emprego". Foi um dos três grupos que escolheu para ilustrar os tempos difíceis que o país atravessa. Segundo dados do INE, no final do ano passado, entre os desempregados, cerca de 69 mil estavam à procura de primeiro emprego. Em quase duas décadas, este número só foi ultrapassado em 1995, o último de dez anos de Cavaco como primeiro-ministro, e nos dois seguintes, que foram os primeiros do Governo de António Guterres.

Carla Vinagre ouviu o discurso de Cavaco e subscreve a escolha feita: "Faz sentido incluir-nos, e é um sinal de que o grupo está identificado e de que é preciso tomar medidas." Mas pensa que o Presidente poderia ter ido mais além: "Limitou-se a constatar um facto. Teria sido mais importante que tivesse apelado directamente às empresas e Governo para que mudassem, por exemplo, as políticas de contratação."

No final do ano passado, ainda segundo dados do INE, entre os desempregados, cerca de 69 mil tinham um curso superior concluído. Há dez anos eram à volta de 15 mil. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, Carla Vinagre, que vive em casa dos pais, prepara-se agora para fazer o que têm feito muitos outros diplomados à procura de emprego: iniciar um mestrado. Entretanto está a responder a anúncios, a enviar currículos, a ir entrevistas - já conta com uma dúzia. Não tem respostas, mas está optimista. Tem 21 anos."

Sábado, 3 de Janeiro de 2009

As declarações (de interesses) de Pacheco Pereira

Num post recente no seu blog Abrupto, Pacheco Pereira divulga mais uma das suas contribuições para a revista Sábado. Sem surpresas, nela podemos ler mais uma defesa da precariedade e da sobre-exploração baseada no trabalho sem direitos, aproveitando com obscena prontidão a onda da crise.


Nada de novo em Pacheco Pereira, é certo. Como tantos outros, defende para a maioria os apertos, dificuldades e um "come e cala" que, do alto dos seus privilégios, nem sabe o que são. É assim esta elite: acha que pode viver como quer, às custas do trabalho e esforço de toda a gente, e ainda dizer que a malta tem que apertar o cinto. São sempre aqueles que, tal como ele, ganham reformas de príncipe e acumulam rendimentos várias vezes superiores aos que um trabalhador ou trabalhadora médio aspiram, nos vêm dizer que "vivemos acima das nossas possibilidades", "cuidado com os aumentos" e coisas semelhantes.

Nada de novo, mas acaba por surpreender a colagem sem reservas ao novo discurso dos senhores empresários. A Pacheco Pereira talvez se exigisse, pelo menos, uma formulação intelectualmente mais elaborada. Mas não: as suas palavras parecem um plágio sem brilho das recentes declarações de Van Zeller.

Os que engordam com o nosso trabalho, com a crise e com tudo o que podem, bem como o seu fiel exército de mediáticas e obedientes figuras, vêm desenvolvendo, com maior ou menor elaboração, duas significantes reflexões:


1. O desemprego é um problema. Como, na prática, não temos Estado-Providência em Portugal, o aumento do desemprego - agora falam no "fantasma dos dois dígitos"... - pode criar graves tensões sociais. Para lá do atabalhoado Van Zeller, Mário Soares ou Ramalho Eanes explicam-no com preocupação. É uma espécie de apelo que, não beliscando toda a solidariedade com a ofensiva deste Governo, clama por migalhas para tentar corrigir a ira colectiva.

Pacheco Pereira resume assim: "É o desemprego, é o desemprego, é o desemprego. É o desemprego o principal factor de crise social e de empobrecimento que se manifestará em 2009, e tudo o resto é secundário. O desmprego é hoje uma brutal realidade e baterá à porta de muitas famílias por esse Portugal fora".


2. A ameaça do desemprego deve ser transformada em chantagem generalizada, concretizada através da imposição da precariedade. A precariedade e a selvajaria nas relações laborais são já o "programa" assumido desta gente. E têm boas razões para acreditar no seu sucesso, para dizer a verdade: a precariedade é praticamente a única expectativa de quem chega hoje ao mundo do trabalho - uma realidade que, sendo optimista, duplicou numa década, tornando-se, para além disso, cada vez mais agressiva e correspondendo a uma intensificação (no salário, mas não só) da exploração. Ora, a crise combinada com a chantagem do desemprego, configuram a possibilidade de imposição imediata e incontestada da precariedade como única alternativa para quem trabalha.

Pacheco Pereira, entrecortando cínicas lágrimas de crocodilo, explica: "O que vou escrever vai por os cabelos em pé a muita gente. Mas nestes dias de crise mais vale ter emprego, mesmo que mau, desprotegido, sem direitos, precário, do que não ter emprego nenhum. E é por isso que o reforço dos direitos laborais, o aumento das contribuições sociais, a dificuldade de contratar a recibo verde, a penalização do trabalho “negro”, têm um enorme preço em deixar mais gente na miséria. Em teoria nada há de mais aceitável, na prática nada há de mais injusto, porque em nome de quem tem trabalho e direitos adquiridos, penaliza-se quem quer qualquer trabalho, porque não encontra um trabalho decente. Para além disso é ineficaz, porque muita gente que não aceitaria trabalhar em condições de precariedade está hoje disposta a fazê-lo em quaisquer condições. A necessidade obriga e a necessidade tem muita força. É um retrocesso em termos sociais? Certamente que é, mas a alternativa é um retroceso ainda maior, é a pobreza. Não estamos em períodos de normalidade, precisamos de soluções excepcionais, mesmo que temporárias, indexadas por exemplo, aos indicadores de desemprego e de pobreza. Porque na prática, há por aí muita procura de trabalho que não se materializa, porque empregar sai demasiado caro".


São estas as brutais declarações de interesses destas pessoas. Pacheco Pereira e muitos outros, afinam pelas mesmas notas de horror. Esta gente, tão inteligente e capaz das melhores reflexões, dispensa agora pensar, um micro-segundo que seja, nas razões e nas soluções para esta crise. Limitam-se a um apoio (mais ou menos entusiasmado, conforme as tonalidades) e uma justificação da ofensiva do Governo, que é a sua. Dizer que empregar sai demasiado caro é uma mentira que representa o descaramento máximo, porque não é preciso ser um génio para saber e perceber que a exploração sobre o trabalho está a ser intensificada. Ou seja, cada vez se ganha mais (e não menos) com o trabalho alheio.

"...muita gente que não aceitaria trabalhar em condições de precariedade está hoje disposta a fazê-lo em quaisquer condições. A necessidade obriga e a necessidade tem muita força". Repito esta frase de Pacheco Pereira, porque ela resume todo o cinismo e a dimensão da ofensiva que nos fazem. Estar preparado para ela, fazer um esforço permanente para a acompanhar e compreender, é uma condição essencial para preparar respostas consequentes que nos permitam frustrar o plano que nos estão a traçar. Estamos cá para isso.


Tiago Gillot

Enfermeira precária no Público de hoje

"Tem 23 anos, uma licenciatura em Enfermagem e um vínculo precário num lar de idosos do Porto, onde lhe pagam uma média de 800 euros por mês. Não diz o nome porque neste caso, como na maioria dos 32 mil licenciados que segundo o Instituto Nacional de Estatística estão neste momento a trabalhar "a recibos verdes" em Portugal, assumir a indignação poderia equivaler a perder o pouco que tem".



Assim começa uma reportagem, publica hoje na página 8 do caderno P2 do jornal Público. É mais um testemunho que retrata uma realidade que infelizmente não pára de crescer. Entre os enfermeiros e enfermeiras, como em tantos outros sectores de actividade, a precariedade está a impor-se como regra.


Deixamos aqui alguns excertos da reportagem:

Prometeram que talvez, mas, claro, sem garantias, mesmo que já lhe conheçam as capacidades da semana que ali passou a zelar pela saúde de um idoso, em turnos de seis ou 12 horas, pagos a 6,50 euros à hora - os recibos da sua caderneta comprovam-no, sempre a mesma quantia, fosse trabalho diurno ou nocturno. Aceitou porque acredita que isso lhe permite manter uma porta aberta e porque, no pior dos cenários, vai ganhar experiência para somar ao currículo. Há meses, recusou a proposta de outra clínica para trabalhar a troco de 3,50 euros por hora. "Disse-lhes que por esse preço não ia. E não era porque não precisasse, mas era uma questão de manter uma posição: se todos fizéssemos isso, nunca mais se atreveriam a oferecer esse dinheiro." Nem todos o fazem. Num sector onde, segundo o Sindicado dos Enfermeiros Portugueses (SEP), há cinco mil trabalhadores precários e cerca de três mil inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional, dizer "não" é um luxo”.

"Entre os que continuam a dizer 'não', muitos encontram-se nas caixas de supermercados ou vão ganhando alguns euros em campanhas de lançamentos de perfumes e afins. 'Ganham cinco euros à hora e fazem umas horas por semana. É pouco mais do que ganhariam numa clínica, mas têm aquela percepção que não se pode aceitar tudo na enfermagem porque, se assim for, a coisa vai continuar a piorar'".

"Não se percebe muito bem, considerando que há falta de enfermeiros no país. Ou antes: há milhares de vagas de enfermagem que continuam por preencher nos hospitais e nos centros de saúde da rede pública. Se dermos como verdadeiras as estimativas da Ordem dos Enfermeiros, faltam 12 mil enfermeiros nos cuidados primários - ou seja, nos centros de saúde - e mais 20 mil nos cuidados diferenciados - nos hospitais. 'O que se passa é que, com a actual política de restrições orçamentais, as instituições optam por pagar horas extraordinárias', explica Fátima Monteiro [do SEP]. Caso concreto: 'No Hospital de S. João, pagam uma média de 1900 horas por mês em cuidados de enfermagem. Feitas as contas, dava para contratar cerca de 70 enfermeiros'".

"'É uma coisa que não se percebe: o país investe na formação dos seus recursos humanos, para os desperdiçar depois', lamenta Fátima Monteiro, mostrando-se cansada de ver tantos enfermeiros a emigrar enquanto as vagas por cá continuam por preencher. 'O recurso ao trabalho extraordinário', insiste, 'reflecte-se depois numa menor qualidade dos cuidados prestados ao doente'".

FERVE pede acção contra a precariedade


Na sequência da "mensagem de ano novo" do Presidente da República - em que Cavaco Silva, perspectivando o ano de 2009, se demonstrou preocupado com o desemprego entre os jovens - o movimento FERVE (Fartos d'Estes Recibos Verdes) veio exigir a acção dos responsáveis políticos.

Cristina Andrade, em declarações à TSF, fala na especial responsabilidade do Estado na regulação das relações laborais e faz dois desafios imediatos: "o preenchimento do quadro dos inspectores da Autoridade para as Condições do Trabalho" e a eliminação dos falsos recibos verdes no Estado "por conversão em contratos de trabalho".

Só podemos saudar os nossos amigos e amigas do FERVE. Sabemos que têm razão: acabar com a ilegalidade no Estado seria um começo importante. Hoje existirão bem mais de cem mil precários e precárias a trabalhar para o Estado, na sua larga maioria ilegalmente.