
Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Paulo Morgado de Carvalho insiste que é legal a ACT ter juristas a recibos verdes

Presidente CM Ponta Delgada afirma não empregar Falsos Recibos Verdes
A Presidente disse ainda ser "inflexível" relativamente a trabalho precário.
Visto que existe um conflito entre o testemunho que recebemos e as afirmações da Presidente da Câmara de Ponta Delgada mudámos o estatuto no site da campanha.
Precariedade na Azambuja: instrutores de natação a recibos verdes

Recebemos hoje, no âmbito da Campanha Autarquia Sem Precários, um testemunho que acusa a Câmara Municipal da Azambuja de manter vários instrutores de natação, alguns há mais de 5 anos e em horário completo, a falsos recibos verdes.
Ao que parece a Directora do Dep. de Intervenção Sócio Cultural (DISC) terá mesmo dito que "se tivessem contrato sentir-se-iam no direito de poder faltar ao trabalho".
Os Precários Inflexíveis consideram esta situação extremamente grave - muito semelhante à do 1º testemunho recebido nesta campanha acerca da autarquia de Sintra - e iremos solicitar esclarecimentos ao Sr. Presidente da Câmara da Azambuja Dr. Joaquim António de Sousa Neves Ramos acerca desta situação e das escandalosas declarações da Sra. Directora do DISC.
Soneacom põe hoje na rua 200 trabalhadores e propõe-lhes acordo vergonhoso

O contacto que recebemos explica que viu, durante os anos que lá trabalhou, "muitas exigências ilegais, faltas de respeito, como estas empresas são especialistas, aproveitando-se da ingenuidade e falta de informação sobre direitos que as pessoas normalmente têm neste tipo de trabalhos."
O sistema de outsourcing - diz o testemunho que recebemos - vai enviar centenas de "homens e mulheres, jovens e menos jovens, estudante, mães e pais, com as mais diversas formações e percursos de vida, que, se dedicavam com grande empenho a representar a imagem da Clix, constantemente pressionadas para produzir mais e melhor", algumas com mais de 3 anos de casa, para o desemprego.
Mais grave ainda é o facto "ter sido a oportunidade às pessoas de fazer contrato com a nova empresa, mas com condições ainda mais precárias, vencimentos mais baixos e aceitando perder todas regalias de anos de contrato."
Os Precários Inflexíveis condenam a atitude da Sonaecom que lava as mãos - qual Poncio Pilates - deste assunto, denunciam as Empresas de Trabalho Temporário Select e Teleperformance como promotoras de precariedade e solidarizam-se com estes/as trabalhadores/as e com o seu drama.
Presidente CM Guimarães nega "abusar" de estagiários
Lembramos que a resposta do Sr. António Magalhães vem na sequência do testemunho que os Precários Inflexíveis receberam no âmbito da campanha Autarquia sem Precários.
Os Precários Inflexíveis lançaram, no passado dia 28, um repto a todos os presidentes de câmara e ainda não obtiveram resposta de qualquer autarquia.
Como existe um conflito entre as afirmações do Presidente da Câmara e o testemunho que nos enviaram mudámos o estado desta autarquia no site da campanha.
Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
Amanhã 200 trabalhadores da Clix vão ser despedidos
Estas duas centenas de trabalhadores e trabalhadores trabalhavam para o grupo Sonae mas tinham contrato com a Empresa de Trabalho Temporário Select, que perdeu este ano o contrato de prestação deste serviço.
A denúncia que nos chega revela também o lado humano desta história:"Assim, ao fim de 3 anos, acaba a minha história nestas 2 empresas que se entretêm a somar lucros à custa da precariedade dos seus colaboradores, sendo agora mais um a engrossar as fileiras do desemprego."
Os Precários Inflexíveis estão solidários com estes trabalhadores e trabalhadoras e estamos prontos para, com eles e elas, trabalhar para denunciar a Select e a Sonaecom como promotoras de precariedade.
Precariedade na Ponta Delgada: falsos recibos verdes a trabalhar na Câmara

Este testemunho esclarece também que algumas das pessoas que estão a ser integradas nos quadros da Câmara mas que os anos que estiveram a recibo verde não estão a ser contados como anos de serviço, ainda que exista um "histórico documental dos casos muito importante", fazendo com que sejam integrados em categorias profissionais inferiores às suas habilitações e tempo de serviço.
Segundo o testemunho muitas das pessoas afectadas por esta situação "não falam por medo de serem dispensadas e discriminadas".
Os Precários Inflexíveis esperam agora uma tomada de posição por parte da Sra. Presidente da Câmara de Ponta Delgada, Berta Cabral, acerca deste assunto.
Precariedade em Sta. Maria da Feira: Falsos Recibos Verdes em Empresa Municipal

<<"A Feira Viva, cultura e desporto, empresa municipal, é 100% tutelada pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Tem como função administrar e gerir os equipamentos desportivos, culturais e sociais, assim como promover actividades desportivas, recreativas e culturais, actividades de animação e iniciativas de carácter socio-económico e científico" (in quem somos: feiraviva.com (2009) )
Esta empresa municipal tem vários trabalhadores a seu cargo na sua maioria jovens e com vínculos precários, "contratos" a recibo verde, mas trabalham no mínimo oito horas diárias e 5/6 dias por semana, sendo que fazem de praticamente tudo, desde de manutenção e vigilância nas piscinas municipais (e outros equipamentos desportivos da câmara) e no Zoo de Lourosa (freguesia de Sta.Maria da Feira), ao trabalho de armazém da empresa municipal, à montagem e segurança dos eventos culturais, tão propagandeados pelo executivo camário, como o Imaginarius e a Viagem Medieval, são também empregados de balcão em todo o tipo de eventos culturais e musicais que a Câmara Municipal organiza.

Os trabalhadores da Feira Viva executam todo o tipo de tarefas fulcrais para que qualquer evento ou equipamento da Câmara Municipal funcione, mas na verdade, a maior parte deles não são sequer trabalhadores, são prestadores de serviço, e assim entram e assim saem, poucos passam para os quadros. Portanto é igualmente verdadeiro afirmar, que dos mairoes eventos culturais (Imaginarius e Viagem Medieval) que se organizam no país, e segundo a Câmara, da europa também, são postos em prática essencialmente por mulheres e homens que não gozam de qualquer direito laboral.>>
Os Precários Inflexíveis vão contactar o Sr. Presidente da Câmara de Santa Maria da Feira a fim de conhecer a sua posição acerca desta situação.
Ladrões de Bicicletas :: A Economia Moral do recibo verde
Acontece no entanto que o recibo verde é uma instituição extraordinária que consegue transformar um patrão em cliente. Com o recibo verde o meu patrão pode-me pagar todos os meses o meu salário como se estivesse a remunerar serviços que lhe prestei e pode deixar de fazê-lo quando entender, sem qualquer custo. Ao mesmo tempo ele continua a poder dar-me ordens. Segundo ouvi dizer numa entrevista de uma representante dos Precários Inflexíveis, isto é o que acontece em 900 000 casos em Portugal. Uma enorme anomalia: 900 000 mil relações de trabalho dependente transformadas em prestação de serviços por obra e graça de uma instituição chamada recibo verde. É absurdo, não é permitido, mas pode fazer-se. O recibo verde usado a torto e a direito ilegalmente, instituiu-se. É considerado natural.
Para alguns pensadores liberais do século XIX a legitimidade do assalariamento assentava na provisão de segurança de um salário (fixo) pelo capital, em troca de esforço, obediência e lucro (variável) por parte do trabalho. Tornar a relação de assalariamento “flexível”, e o recibo verde (ilegal) representa a forma mais acabada de “flexibilidade”, equivale a libertar uma das partes do contrato (o capital) da obrigação que legitimava a relação de assalariamento: a assunção dos riscos e a provisão de segurança.
Em que se transforma a relação de assalariamento depois de isso acontecer? Num produto da circunstância que decorre de alguns não terem (enquanto outros têm) acesso à terra e aos instrumentos de produção. Num produto da necessidade, da coerção e da força bruta.
Texto de José M. Castro Caldas no blog Ladrões de Bicicletas
Hospital de Valongo: Auxiliares sem formação trabalham quase de graça
Assim, pessoas sem formação na área da saúde estão a cumprir funções permanentes, sendo que os POC só podem ser activados para situações de trabalho sazonal, tudo para que a Administração do Hospital de Valongo possa pagar apenas apenas "a diferença entre o subsídio de desemprego e o vencimento dos auxiliares que já de si é miserável".
Esta é uma situação grave de abuso dos Planos Ocupacionais Carenciados que, estamos certos, o Hospital de Valongo irá esclarecer.
Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
Precariedade em Guimarães: estágios não remunerados há vários anos

O testemunho refere que a própria Câmara Municipal de Guimarães "recruta anualmente estagiários para diversas áreas que trabalham a tempo inteiro sem remuneração, subsidio de alimentação ou de deslocação".
Para que não haja dúvidas o testemunho esclarece que se trata de estagiários "acesso à profissão, curriculares, profissionais ou do PEPAL" mas para funções permanentes.
Os Precários Inflexíveis consideram que esta situação é muito grave e iremos contactar o Sr. Presidente da Câmara de Guimarães António Magalhães da Silva pedindo-lhe uma tomada de posição sobre esta questão.
A força dos testemunhos que nos têm chegado atestam a urgência que esta campanha tem.
Lançamento da "Autarquia sem precários" divulga campanha e testemunho
Terça-feira, 28 de Julho de 2009
Precariedade em Sintra: "Autarquia Sem Precários" recebe primeiro testemunho!
O testemunho que nos chegou relata trabalho a falsos recibos verdes nas Piscinas Municipais de Ouressa, no concelho de Sintra. O empregador é a empresa municipal "Educa", que gere também outros equipamentos desportivos ou cantinas e transportes escolares. O testemunho fala numa "vergonha" em que instrutores de natação e hidroginástica estão forçados a trabalhar a falsos recibos verdes "há dez anos"!
Relembramos que Fernando Seara, tal como os Presidentes de todas as Câmaras Municipais do país, foram já por nós interpelados no sentido de se pronunciarem sobre a existência de trabalho precário na sua autarquia, num convite também a que assumam o compromisso de não recorrerem a este expediente. Ainda não recebemos qualquer resposta de Fernando Seara. Além de a aguardarmos, enviaremos uma nova missiva dando-lhe conta deste testemunho e solicitando uma resposta que confirme ou refute esta situação.Já começámos a receber testemunhos :: Lançamento da Campanha Autarquia sem Precários
Vamos mostrar o desafio que fizemos às Câmaras Municipais e à Sociedade Civil para que, todos juntos, sejamos capazes de traçar o retrato da precariedade nas autarquias em Portugal.
Se tiveres um testemunho ou quiseres ver o que já está a dar que falar em Portugal vai a www.autarquiasemprecarios.info
Já hoje recebemos um testemunho de uma das maiores Câmaras do país que divulgaremos esta noite!
Teremos ainda tempo para um debate e um concerto. Aparece!
Precários Inflexíveis lançam campanha “Autarquia sem precários” Bar do Teatro “A Barraca” :: 3ª feira, 28 de Julho, às 21h (Comunicado de Imprensa)
Vê aqui o mapa
Juristas da ACT a recibos verdes acusam Paulo Morgado de Carvalho

Antes de iniciar a exposição querermos desde já agradecer toda a atenção prestada pelos PRECÁRIOS INFLEXÍVEIS na divulgação da situação dos juristas a prestar trabalho permanente e subordinado nos diversos Serviços da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) a Recibos Verdes.
Após os juristas da ACT terem tornado pública a situação deles é notório que se verificou uma mudança de atitude e de postura do Sr. Inspector-Geral do Trabalho na resolução da nossa situação, garantindo o mesmo a abertura de um concurso para 56 técnicos superiores.
Porém é de lamentar que mais uma vez todo este discurso não passe de simples promessas que não se concretizem.
Com efeito, até a presente data e, uma vez que já decorreu mais de um mês desde a data em que o Sr. Inspector-Geral do Trabalho garantiu a abertura de um concurso para 56 Técnicos Superiores (que regularizaria a situação dos juristas a prestar trabalho subordinado e permanente nos diversos Serviços da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) a Recibos Verdes) ainda nada aconteceu.
Os juristas a prestar trabalho subordinado e permanente nos diversos Serviços da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) a Recibos Verdes continuam na mesma precaridade, (pagamento de uma avença de €700,00 mensais, sem Subsídio de Alimentação, Subsídio Férias e Subsídio de Natal), sem esperança de ver a situação deles revolvida.
Toda esta situação é agora da nossa parte, assumida como insustentável devido à frustração contínua das promessas feitas e, ao percebermo-nos que após estes anos todos de dedicação a ACT nada mais podemos esperar!
Face ao exposto, roga-se aos PRECÁRIOS INFLEXÍVEIS e, para não cairmos no esquecimento, que volte a divulgar a situação dos juristas a prestar trabalho subordinado e permanente nos diversos Serviços da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) a Recibos Verdes.
Antecipadamente gratos por toda a atenção dispensada, subscrevemo-nos, apresentando os nossos cordiais cumprimentos
Os Juristas a recibos verdes da ACT »
Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Grupo GPS ameaça e "despede" ilegalmente professores
notícia completa aqui.
PI lança campanha "Autarquia sem precários"!
Sábado, 25 de Julho de 2009
Acção do PI é notícia nas Caldas da Raínha (II)

Aqui fica a notícia da Gazeta das Caldas:
O presidente da Câmara e activistas do grupo Precários Inflexíveis envolveram-se numa discussão à entrada dos Paços do Concelho durante um protesto destes últimos no passado dia 15 de Julho.
Os jovens acusaram a Câmara das Caldas de decidir investir cegamente na criação de postos de trabalho “independentemente da qualidade desses postos”. Fernando Costa diz que não é papel da autarquia avaliar se o emprego é ou não precário pois neste momento o que se pretende é “criar mais emprego”. Diz que há muita gente sem trabalho e “a passar fome nas Caldas e essas pessoas não vivem de teorias, mas sim de realidades”.
“Eu pagava para se irem embora”
Segundo o presidente, também lhe interessa saber “quando alguém entra na Câmara se vem para trabalhar ou só para receber o ordenado”. Há gente a trabalhar no município “que eu pagava indemnizações para se irem embora porque não são úteis nem rentáveis. São alguns e sabem publicamente disso”.
Os Precários Inflexíveis contrapunham que aplicar dinheiro público “para apoiar trabalho precário é inaceitável” e Fernando Costa rebatia, respondendo que “é mais importante gastar 700 mil a criar emprego do que a tapar buracos de alcatrão”.
Para os activistas, a Câmara das Caldas está a demitir-se das suas obrigações sociais e, em nome da criação de emprego, “está a apostar na criação do trabalho precário e nos baixos salários”.
Gripe verde sem vacina...

Ao contrário da gripe A, esta não é transmitida pelos porcos, mas sim por senhores muito bem colocados na esfera do capitalismo nacional e internacional. A principal via de transmissão em Portugal tem sido a legislação do Governo de Sócrates e a ineficácia do que deveria ser o principal fármaco de combate à doença – ACT.
Com a chegada do Outono e o avanço da Gripe A, a situação pode tornar-se dramática para os trabalhadores a “falsos recibos verdes”, cuja condição laboral não lhes permite ter acesso a qualquer tipo de protecção social, incluindo o direito a baixa médica.
Coloca-se a pergunta: o plano agora anunciado - com tanto estardalhaço que até parece algo extraordinário pagar baixas aos trabalhadores quando estes adoecem -, também contempla estes trabalhadores e trabalhadoras, cuja tão grande fragilidade laboral se deve à não actuação da ACT e à desastrosa política social do próprio Governo?
Rui Beles Vieira
Sexta-feira, 24 de Julho de 2009
Adiante, nada de novo...
Sonhei que estava no escritório e de repente chegava o patrão, que nunca antes tinha visto, e me dizia: "A partir de amanhã escusa de vir. Não gosto de si, não a quero cá mais". Falando com uma amiga, esta aconselhava-me: "Não te vás embora sem assegurar que te pagam todas as contribuições para a Segurança Social, o 13º e 14º meses e as férias não gozadas". Assim ficava decidido. Entretanto ia-me apercebendo de tudo o que tinha feito ao longo de um ano naquele posto de trabalho. E do quanto aquela medida era arbitrária, tortuosa e injusta. E caminhava pelos corredores da empresa, observando mil e uma irregularidades flagrantes, E dava de caras com os chefes - tantos chefes, incrível! Tantos chefes para tão poucos subalternos... - entrando para (mais) uma reunião. E tentava chamar um deles para o colocar perante a minha situação. Para questioná-lo. Afinal, tinha sido ele a contratar-me... Mas ele não me ouvia. Subitamente eu tinha ficado transparente e inaudível para todos à minha volta. Como nos filmes, apenas eu sabia da minha própria existência, ninguém mais dava por mim.
E depois acordei. Assarapantada. Imóvel e estremunhada, ali permaneci, longos minutos, tentando discernir a realidade, buscando a custo o aqui e o agora. Afinal, onde estava eu? Se aquilo não passara de um sonho, então, tudo devia estar bem. Teria eu um emprego? Que horas seriam? Deveria eu estar a trabalhar? Estaria atrasada? Que dia seria hoje? Em que país estava? Em que ano? Em que dimensão?
E depois lembrei-me. Afinal, já tinha sido despedida há mais tempo. Só que não tinha havido pagamentos à Segurança Social nem subsídios de férias nem de Natal e muito menos férias remuneradas. Não tinha havido nem havia qualquer vestígio de hipótese de que um dia viesse a haver. E no trabalho anterior a mesma coisa. E assim para trás, tão longe quanto a memória mais remota pudesse recordar. E diante de mim nada. Nada...
O que há é onze anos de recibos verdes, uma dívida desmesurada a pairar sobre a minha cabeça e o espectro do desconhecido estendendo-se longo à minha frente, indefinidamente, vago e pegajoso, como uma interminável estrada de alcatrão perdida no meio do Alentejo em tarde de verão.
MZ
Público :: Emigração e Pobreza
Em 2001 foram pouco menos de 10 mil. Em 2007 chegaram aos 26.800 e no ano passado ainda ficaram acima dos 20.000 os portugueses que deixaram o país para viver e trabalhar no estrangeiro. Os especialistas dizem que são as más condições do mercado de trabalho que levam muitos a emigrar. Angola, o novo destino da construção civil, está no topo dos destinos dos trabalhadores portugueses. Mas também há a saída de quadros qualificados. Feitas as contas, a população aumentou no ano passado, porque a chegada de imigrantes compensou as saídas.
O desemprego continua a crescer a ritmos históricos. Em Junho, face a igual mês do ano passado, o número de desempregados inscritos aumentou 28,1 por cento, o crescimento mais elevado desde 2003. Mas desde há quatro meses que o ritmo de entrada de novos desempregados tem abrandado.
De acordo com os números divulgados ontem pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, a entrada de novos desempregados atingiu um pico histórico em Janeiro passado (mais 70 mil pessoas). Só no primeiro semestre do ano, inscreveram-se mais 363 mil desempregados (mais 32 por cento do que no mesmo período de 2008). Em Junho passado, foram 52.831 desempregados, mais 21,4 por cento do que no mesmo mês de 2008. Mas, desde Março passado, o ritmo de entrada atenuou-se, embora ainda a taxas de variação muito pronunciadas.
O afluxo de novos desempregados marcou a trajectória do desemprego registado total. Em Junho passado, estavam registados como desempregados 489.820 pessoas, ou seja, o ponto mais alto de uma trajectória de subida do desemprego iniciada em Outubro passado. Essa subida registou-se apesar de se ter verificado no primeiro semestre de 2009 uma elevada anulação de inscrições de desempregados pelos centros de emprego, apenas comparável ao verificado em 2003.
A anulação pode ocorrer por diversas razões, nomeadamente porque o desempregado encontrou sozinho emprego, faltou à convocatória dos centros de emprego, esteve em formação profissional, foi alvo de medidas de emprego ou reformou-se. Em Junho passado, foram anulados 45,5 mil desempregados (mais 20 por cento do que em Junho de 2008). E essa anulação explica em grande medida porque, face a Maio passado, o desemprego registado cresceu apenas 0,1 por cento, mesmo quando entraram mais 52 mil desempregados em Junho. Mas desconhece-se a razão dessa anulação, porque o conselho directivo do IEFP se recusa a divulgar os valores mensais dos motivos de anulação.
...
Face a esta evolução, o presidente do IEFP realçou a "estagnação do crescimento do desemprego", embora ainda em "níveis muito elevados". Mas no PS, já se deita foguetes. O deputado socialista VÍtor Baptista declarou que o desemprego "começa a ceder".
João Ramos de Almeida, in Jornal Público
Quinta-feira, 23 de Julho de 2009
Docentes dos politécnicos em vigília na residência oficial do PR

Opinião :: A insustentável inexistência da ACT

Na 3a feira o Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Actividades Diversas anunciou no seu blog uma mobilização em frente à ACT. Transcrevo aqui o texto de um post que dispensa qualquer tipo de comentários sobre a (in)existência da ACT como a conhecemos:
Ligação para o site do STAD aqui
Blog dos Vigilantes, aqui
rUImAIA
Acção do PI é notícia nas Caldas da Raínha
Francisco Gomes»
A percentagem de jovens portugueses desempregados é superior à média europeia
O desemprego entre a população portuguesa, com idade entre os 15 e 24 anos, é superior à média europeia, quer na Zona Euro, quer na União a 27. Segundo os últimos dados do Eurostat, a taxa de desemprego entre os jovens portugueses aumentou para 19,6 por cento no primeiro trimestre de 2009. Este valor é um aumento significativo face ao mesmo período de 2008, quando o desemprego chegava a 15,9 por cento desta população.
Outra mudança que se pode concluir destes dados é a diferença entre o desemprego entre os homens e as mulheres nestas idades. Se em 2008, o desemprego afectava 20,1 por cento das mulheres entre os 15 e 24 anos e apenas 12,5 por cento dos homens, com a mesma idade. Actualmente, no período em análise, a diferença entre os dois sexos é muito mais diminuta: o desemprego afecta 21 por cento delas e 18 por cento deles. Ou seja, nas mulheres o desemprego cresceu apenas 0,9 pontos percentuais, enquanto que nos homens cresceu 5,5 pontos percentuais.
Na União Europeia, a média passou de 14,6 por cento no início de 2008, para 18,3 por cento no primeiro trimestre de 2009, tendo os homens nas idades analisadas passado a ser os mais afectados. Actualmente, 17,4 por cento das mulheres jovens (14,7 em 2008) não têm emprego, enquanto que 19,1 por cento nos homens (14,6 há um ano) sofrem do mesmo.
Via TvNet
Terça-feira, 21 de Julho de 2009
Opinião :: Por falar em política baixa...
Há algum tempo atrás, quando se falou em Bruxelas de limitar os salários dos gestores (apenas no despontar da crise, agora já lhes passou), Ulrich disse que «Compete-nos a nós e aos colaboradores pelo que o Governo não tem nada a ver com isso». Disse ainda que falar sobre este tema «é política reles e da mais baixa».
Sábado, 18 de Julho de 2009
Intermitentes em protesto contra revisão do Código Contributivo

Esta revisão do Código Contributivo – além de apressada e prestes a ser atabalhoadamente aprovada por iniciativa do Governo, com o apoio da maioria parlamentar – irá penalizar ainda mais a maioria dos trabalhadores e, em particular, não responde às questões centrais da precariedade: mais uma vez, depois da revisão do Código do Trabalho, legitima os vínculos precários, limitando-se a mudar as regras neste mundo de ilegalidades e injustiças. É este o caso dos cerca de 900 mil trabalhadores e trabalhadoras a falsos recibos verdes e, concretamente, dos intermitentes, que continuam justamente a reclamar regras adaptadas à sua situação, no que diz respeito à Segurança Social.
Divulgamos aqui um desafio lançado pelos Intermitentes, que apelam ao envio dum protesto dirigido à Comissão da Assembleia da República sobre mais esta medida que ignora as suas reivindicações:
«Está a ser discutida na Assembleia da República a Proposta de Lei do Governo para a Segurança Social, PPL nº 270/X/4a, que irá ser aprovada em plenário no dia 23 de Julho.
Desde o início que o regime Intermitente criado na Lei dos trabalhadores do Espectáculo (4/2008) não é aplicável aos profissionais do sector porque, para além de não definir objectivamente a Intermitência, supõe que estes trabalhem para uma só entidade. Esta lei deve ser reformulada, alterada e englobar todos os Intermitentes do espectáculo e do audiovisual, bem como deve regulamentar o seu artigo 21º (Segurança Social).
Na realidade não há qualquer sistema de Segurança Social actual ou proposto, que defina a situação específica dos profissionais do espectáculo quando trabalham para diferentes entidades sucessivamente.
José Sócrates afirmou há uns dias que os trabalhadores do espectáculo poderiam ser abrangidos por contratos de muito curta duração. Mas a lei que regulamenta este tipo de contratos (artigo 142º da Lei 7/2009), só abrange explicitamente trabalhadores sazonais agrícolas e do Turismo. Contratos que aliás, não são sujeitos à forma escrita nem prevêem protecção social na doença e no desemprego.
A proposta de lei da Segurança Social, apesar de contemplar todas as formas de contrato, não prevê a definição do conceito objectivo da actividade dos trabalhadores intermitentes do espectáculo e do audiovisual. É impensável que após tantas reivindicações específicas, o governo continue a ignorar um sector de actividade fundamental para o desenvolvimento do país.
AGE JÁ: COPIA O CORPO DESTA MENSAGEM, ASSINA E ENVIA PARA com11ctssap@ar.parlamento.pt DE FORMA A PRESSIONAR A COMISSÃO DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA QUE ESTÁ A DISCUTIR ESTA LEI.
NOTA: NÃO REENVIAR. COPIAR E MANDAR INDIVIDUALMENTE.
Os Intermitentes»
Precariedade :: Testemunhos dos Professores do Ensino Politécnico
Algumas notícias que vão sendo publicadas ajudam a perceber as greves no Ensino Politécnico em que os professores exigem o regresso do Governo às negociações, por forma a chegar a um Estatuto mais justo. Contestam em particular o regime de transição das carreiras, porque não protege a situação de muitos docentes que, depois de sujeitos a uma situação de precariedade obrigatória há vários anos, não têm agora nenhumas garantias de assegurar a integração nos quadros e temem o mesmo o desemprego.
"Não é possível continuar a usar os professores do ensino politécnico em contratos renovados sucessivamente por períodos de dois ou três anos e ao fim de 15, 20 anos, e nalguns casos mais, a submeterem-se a concurso público internacional, o que não acontece em mais nenhuma classe profissional portuguesa", criticou Jorge Almeida, professor do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC).
Professora há 17 anos no ISEC, com contratos sucessivos há 11 anos, Margarida Silva considera lamentável que o ministro Mariano Gago tenha dito que a contestação ao estatuto "era atraso cultural".
"É lamentável que uma pessoa que aprovou os estatutos da forma tão pouco transparente, sem dialogar com os professores, ainda nos diga que é atraso cultural", afirmou a docente de engenharia civil, recordando "que o primeiro-ministro saiu da nossa escola, onde temos muito bons exemplos a nível nacional".
O professor Álvaro Santos, com 15 anos de serviço no ISEC, lamentou à Lusa que "estejam a ser tratados como docentes de segunda, num ensino de segunda, quando na realidade os nossos alunos são sempre bem-vindos quando chegam ao mercado de trabalho".
Segundo o docente, "após 15 anos de serviço, sou descartável, embora tenha entrado com concurso público, tenha visto os meus contratos renovados de dois em dois anos, continuo numa situação muito precária".
O projecto de estatuto foi enviado pelo Ministério da Ciência e do Ensino Superior para a Presidência da República para promulgação", na quinta-feira à tarde, depois de ter sido aprovado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, órgão em que os professores em greve não se revêem."
Entretanto, o ministro Mariano Gago falou diz que não compreende o medo que os professores têm de ir a concurso e lamenta a forma como os estudantes estão a ser prejudicados. "Não é concebível sequer imaginar que um bom professor, com provas dadas, possa ter receio de um concurso na sua própria instituição, isento e transparente, em que a experiência anterior é obrigatoriamente valorizada, como o novo Estatuto expressamente prevê, agora que, pela primeira vez, será posto a concurso um número extremamente alargado de lugares permanentes, de carreira", afirma o ministro."
Se o Ministro do Ensino Superior não percebe porque razão é que alguém (precário) que vê a sua vida incerta de dois em dois anos, ou de três em três anos, não quer ir, passados 15 ou 20 anos, a concurso internacional para ter o lugar no quadro a que tem direito, então Mariano Gago merece uma negativa baixinha.
Ver aqui, aqui e aqui o post anterior neste blog
Sexta-feira, 17 de Julho de 2009
Público :: Os chantagistas levaram a melhor no país das impunidades
É mais um momento de perguntar a todos qual é a liberdade que pode haver numa edição nacional que faz chantagem desta forma sobre os trabalhadores? Será que os jornalistas do Público podem ser livres e independentes? Será que não têm medo no local de trabalho de escrever algo que desagrade aos chantagistas, ou melhor, aos directores?
O grupo Sonaecom detém para além do Público, a Optimus, a Clix, o miau.pt a bizDirect e a MainRoad, entre outras empresas.
A Sonaecom é de Belmiro de Azevedo (pai, ou filho, tanto faz), dois dos homens mais ricos de Portugal. Figuram entre a lista da revista Forbes nos mais ricos do mundo.
Que país é este em que a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), e os Tribunais do Trabalho, nada têm a dizer sobre os patrões que chantageam os trabalhadores? Que país é este onde os donos e senhores podem ameçar de despedimento as pessoas que trabalham se não baixarem os seus ordenados?
Quinta-feira, 16 de Julho de 2009
Protesto dos bolseiros já fez a FCT prometer abrir os cordões à bolsa
Uma das bolseiras, Alexandra Sá Pinto, em entrevista ao Canal UP, diz que apenas ontem recebeu resposta dos serviços da FCT garantindo que todos os retroactivos serão pagos no dia 1 de Agosto. A justificação para o atraso do pagamento é a falta de recursos humanos para resolver todos os processos.
Enquanto isso, a Alexandra vive dependente do marido e da família, e com "o empréstimo da casa para pagar, despesas de deslocação, os cuidados com a minha filha, o carro, e mais despesas".

Estão cerca de 200 pessoas na mesma situação.
PI comenta estudo sobre pobreza na TVI
A TVI, em reportagem sobre o tema, divulgou várias dimensões dos resultados do estudo e ouviu as desculpas e a propaganda do ministro Vieira da Silva. Mas recolheu também as opiniões de Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, e dos Precários Inflexíveis. Rui Maia, activista do PI, aparece no final da reportagem denunciando a degradação das condições de trabalho e de vida e o aumento da precariedade.
Comentando os resultados do estudo, no Diário de Notícias, a economista Manuela Silva considera que "há mais pessoas a viver numa situação de pobreza, mesmo entre os que têm trabalho, porque os salários estão mais baixos e há uma maior precariedade de emprego". É isso mesmo. Infelizmente, não há dúvida: desemprego, baixos salários e generalização da precariedade são a marca da vida de milhões de pessoas em Portugal, que tem vindo a crescer nos últimos anos e promete continuar.
Estado engorda negócio das ETT

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Acção do PI hoje nas Caldas da Raínha confrontou Presidente da Câmara

Comunicado de imprensa do PI :: Acção nas Caldas da Raínha contra 700 mil euros de financiamento da Câmara ao ES Contact Center
Em Abril deste ano, a Câmara Municipal das Caldas da Rainha avançou, por iniciativa do Presidente da autarquia, com o financiamento do aumento do espaço das instalações da E.S. Contact Center, uma empresa do Grupo Espírito Santo. Chegou a especulava-se que a autarquia teria capitulado face a uma ameaça de deslocalização por parte da empresa, mas, tendo em conta as afirmações do Presidente Fernando Costa ao Diário de Notícias, a 7 de Maio último, os 700 mil euros que serão gastos no aumento do espaço físico da E.S. Contract Center são apenas um dos múltiplos apoios que a Câmara já ofereceu ao Grupo Espírito Santo.
Pedro Champalimaud, Administrador delegado deste call center, também já garantiu não ter realizado nenhuma ameaça de deslocalização, o que compreendemos muito bem, visto que os 12,8 Milhões de euros de volume de negócios e a afirmação de que são uma "empresa em crescimento" não nos levam a pensar que esteja em dificuldades: são lucros magníficos que provêm do pagamento de salários muito baixos (500 euros líquidos, segundo o próprio Champalimaud) aos seus trabalhadores, que são muitas vezes contratados com vínculos precários, através de empresas de trabalho temporário.
Ameças no Publico :: Tudo bons rapazes
De acordo com a mesma fonte, 40 trabalhadores (entre as mais de duas centenas de pessoas que seriam abrangidas pela medida) já assinaram a declaração concordando com a proposta de redução salarial, apesar desta já ter sido rejeitada por duas vezes em plenário de trabalhadores.
A última proposta de redução salarial estava escalonada entre os três e os 18 por cento nas retribuições brutas superiores a 1200 euros.
Trabalhadores do Arsenal do Alfeite em greve
O que se passa no Alfeite é mais um exemplo gritante do desinvestimento público e ataques aos trabalhadores especializados que dedicaram a sua vida inteira a um ofício.
A nova empresa Arsenal, SA, vai despedir cerca de 400 trabalhadores e propõe aos restantes um contracto individual em que perdem todos os direitos vigentes.
A solidariedade com estes trabalhadores e principalmente entre os que serão despedidos e os que ficarão é demasiado importante para ser deixado passar em branco.
O combate às ofensivas neoliberais deste governo aos trabalhadores e trabalhadoras é para ser feito por tod@s.
D.Neves













