Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Autarquia sem Precários :: C.M.Sintra instrutores de natação e hidroginástica a falsos recibos verdes “despedidos”

A campanha Autarquia Sem Precários tem feito um percurso importante no mapa da precariedade por este país fora. Não esquecemos que logo no primeiro dia desta iniciativa nos chegou um importante testemunho relatando a existência de falsos recibos verdes, há vários anos, nas Piscinas Municipais de Ouressa, no concelho de Sintra. Estas piscinas são, recorde-se, geridas pela empresa municipal “EDUCA".

E mesmo que quiséssemos, não poderíamos esquecer. Infelizmente, segundo parece, esta história está a desenrolar-se segundo um triste enredo que, lamentavelmente, se vem tornando demasiado frequente neste país e também nas autarquias: recebemos agora novas informações que nos garantem que estes trabalhadores, depois de sujeitos durante tantos anos à injustiça da ilegalidade dos recibos verdes, estão a ser “despedidos”.

Este desfecho, a confirmar-se, é da maior gravidade. Perante a ilegalidade, uma empresa municipal, com as especiais responsabilidades a que não pode fugir, sob autoridade da Câmara Municipal de Sintra – e, em particular, do seu Presidente Fernando Seara –, renova um comportamento que se serve da ilegalidade para impor piores condições aos seus trabalhadores e, com toda a facilidade, lhes retirar um posto de trabalho a que deveriam ter direito.

Ficamos também a saber que, perante este cenário, a revolta é grande entre alunos, a quem foi garantido que estes profissionais continuariam a desempenhar as suas funções, que são reconhecidas por toda a gente que frequenta aquele equipamento. Sim, terá sido o próprio Presidente da “EDUCA”, António Canelas, que garantiu a estes profissionais, pressionado pelos alunos e depois de muita insistência dos próprios trabalhadores, em reunião durante o período de férias, que em Setembro estes trabalhadores regressariam às suas funções.

Recordamos que o Presidente da “EDUCA”, aquando da divulgação do primeiro testemunho, viu-se obrigado a prestar as seguintes declarações ao Rádio clube de Sintra: “não temos ninguém a falsos recibos verdes… o que acontece é que temos alguns prestadores de serviços, (…) cinco… ou seis… ou sete, (…) a quem convidamos para dar algumas aulas nas nossas instalações (…) abaixo daquilo que será um horário completo (…)”. Perante a evidência desta confusão entre trabalho a tempo parcial e prestação de serviços – com claro prejuízo para os direitos dos trabalhadores –, podemos, infelizmente, esperar tudo.


Já enviámos nova carta ao Sr. Presidente Fernando Seara, que é quem tem a responsabilidade de esclarecer esta situação, antes de qualquer outro. Lamentamos todos os silêncios deste responsável até ao momento, apesar da gravidade da situação aconselhar a uma clarificação. Não respondeu ao nosso apelo inicial, não esclareceu a primeira suspeita e continuou mudo quando os Precários Inflexíveis foram a Sintra exigir uma resposta. Esperamos agora que Fernando Seara não deixe por esclarecer o que de facto se está a passar nas Piscinas de Ouressa.

Se, depois de todas as insistências, continuarmos sem obter as respostas que toda a gente tem que conhecer, não teremos, perante a gravidade da situação, alternativa a classificar Sintra como “Autarquia Com Precários”.

Continuamos, nesta e em todas as autarquias do país a procurar histórias que retiram da obscuridade a precariedade e os compromissos políticos inadiáveis para terminar com esta triste realidade. Hoje, cerca de dois meses depois de termos arrancado com esta iniciativa, sabemos que está a valer a pena fazê-la e que estamos a contribuir para enfrentar a precariedade nas autarquias portuguesas.

Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

"Claro voto à esquerda exige políticas e governação à esquerda"


Depois dos resultados eleitorais a CGTP pronunciou-se exigindo ao novo governo PS uma política à esquerda e apontando prioridades. Porque "de forma clara, os portugueses votaram maioritariamente à esquerda e esse voto tem de ser respeitado".

Por aqui, achamos que a perda da maioria absoluta do PS e o crescimento dos votos à esquerda são sinais de que estamos fartos e fartas das políticas de direita que têm promovido a precariedade no trabalho e na vida. Foram muitos os trabalhadores e trabalhadoras que nestas eleições decidiram "castigar" este governo. Certamente que muitos precários e precárias que são grande parte da força de trabalho deste país não se esqueceram do quão castigadas têm sido as suas vidas por um governo que anda de mãos dadas com a exploração.


A CGTP aponta 10 prioridades para um programa de governo:

1.º Evitar despedimentos e investir na criação de empregos estáveis.
2.º Garantir o direito constitucional de contratação colectiva.
3.º Valorizar o trabalho e os direitos dos trabalhadores.
4.º Combater a precariedade.
5.º Alargar o subsídio de desemprego para que mais desempregados possam ser abrangidos pela prestação.
6.º Promover o aumento real dos salários e das pensões, assim como do Salário Mínimo Nacional, de modo a alcançar 500 euros em 2011 e 600 euros em 2013
7.º Reforçar a solidariedade, promover a coesão social e combater as desigualdades.
8.º Reforçar os serviços públicos e de protecção social.
9.º Reorientar as políticas económicas.
10.º Tornar o sistema fiscal mais equitativo e combater o endividamento do país.


Suicídios na France Télécom - Até quando?


A vaga de suicídios na France Télécom está a tomar proporções assustadoras. Subiu ontem para 24 o número de trabalhadores da telefónica francesa a pôr termo à vida. Desta vez, foi um trabalhador de 51 anos, pai de dois filhos, que se atirou de um viaduto, tendo deixado uma carta que coloca sérias questões em relação às condições de trabalho na empresa. À semelhança dos casos anteriores, também este funcionário fora recentemente deslocado.Pela primeira vez desde que se iniciou a vaga de suicídios, há 18 meses, Didier Lombard, o presidente da FT, dirigiu-se pessoalmente ao local de trabalho do funcionário, desta feita a delegação de Annecy-le-Vieux em Haute Savoie onde, segundo os trabalhadores, as condições são desumanas.

(imagem daqui)



Segundo Patrice Diochet, do sindicato CFTC, citado pelo Diário de Notícias, aquela delegação é "conhecida há muito tempo por ser insuportável, havia uma verdadeira indiferença, nenhum calor humano, não se falava senão de números, os empregados eram carne para canhão".

Há apenas duas semanas, ao ser divulgado o 22º suicídio, do qual demos conta aqui, a France Telecom havia anunciado medidas urgentes, entre as quais a suspensão até 31 de Outubro das "mobilidades de pessoas afectadas pelos projectos de reorganização" para "reexaminar as condições para implementar essa medida". Ontem, Dider Lombard, que foi vaiado à chegada a Annecy-le-Vieux, voltou a anunciar as mesmas medidas assim como "a suspensão imediata dos objectivos individuais neste local até serem melhoradas as condições materiais" (!)


O presidente da mortífera France Télecom afirmou estar "profundamente comovido" com o acontecimento que toca "toda a família Telecom", referindo que a tragédia poderia ter sido evitada pois o trabalhador tinha consulta marcada para a medecina do trabalho no próprio dia. Tendo em conta que foi preciso morrerem mais dois trabalhadores até o bem-intencionado patrão da telefónica perceber que talvez fosse melhor implementar imediatamente aquilo que anunciara para um mês depois, a ver vamos se realmente as medidas são postas em prática, e ainda se foram pensados procedimentos retroactivos, já que são inúmeros os funcionários já atingidos por estas deslocalizações. Poderá o desespero dos trabalhadores esperar ou haverá mais baixas a lamentar nesta grande "família" - uma família bem disfuncional, diga-se -, que emprega, recorde-se, 100 mil funcionários?

Notícias aqui, aqui e também na edição online do Le Monde.

Autarquia sem Precários :: Cantoneiros com contratos a prazo em Ponte de Sor

A cada dia que passa, a campanha "Autarquia sem Precários" tem recebido novas informações. Já são 26 autarquias as que deram entrada no mapa e hoje adicionamos mais uma.


O testemunho que divulgamos agora chega-nos de Ponte de Sor e diz que existem cantoneiros a trabalhar para a Câmara Municipal de Ponte de Sor com contrato a termo, questionando-se sobre se o trabalho de limpeza pode ser considerado temporário.

Os Precários Inflexíveis sublinham essa questão e dirigem-na ao Sr. Presidente da C. M. de Ponte de Sor, João José de Carvalho Taveira Pinto, pedindo também um esclarecimento relativamente a esta situação. Aguardamos a sua resposta e ficaremos atentos a informações sobre Ponte de Sor.

Vamos actualizando todas as informações em

Lançamento do livro "2 anos a FERVEr" é hoje, em Coimbra

Depois dos lançamentos no Porto e em Braga, o livro "2 anos a FERVEr: retratos da luta, balanço da precariedade" chega a Coimbra, acompanhado por um debate.

Este evento, a decorrer no dia 1 de Outubro, às 21h00, no bar do Teatro Académico Gil Vicente, insere-se na programação do I Colóquio de Estudantes de Doutoramento do Centro de Estudos Socias (CES) da Universidade de Coimbra.
O debate terá a participação de:
- Cristina Andrade: co-fundadora do FERVE
- José Soeiro: sociólogo e doutorando do CES
- Hugo Dias: sociólogo e investigador do CES

Aqui fica um texto de apresentação do livro, da autoria do FERVE:

"Há cerca de dois anos, surgiu, no Porto, o FERVE - Fartas/os d'Estes Recibos Verdes.

Tínhamos como objectivo denunciar situações de uso abusivo de recibos verdes e promover um espaço de debate acerca desta realidade laboral. Designámos este fenómeno como 'falsos recibos verdes'; um fenómeno que atinge 900 mil pessoas em Portugal, ou seja, quase 1/5 das/os trabalhadores/as em Portugal.

Ao longo destes dois anos, temos colaborado na visibilização, denúncia e dinamização de diversas lutas, cuja persistência tem trazido para a praça pública a discussão sobre esta condição laboral.
Assinalamos dois anos de existência constatando que a expressão 'falsos recibos verdes' está ganha mas a sua existência persiste.

Assinalamos dois anos num momento em que a precariedade alastra no mercado laboral português. Assinalamos dois anos quando Portugal regista a mais alta taxa de desemprego dos últimos anos.

Optámos, assim, por assinalar estes dois anos de luta com a edição de um livro onde se cruzam testemunhos de vidas precárias, reflexões de activistas contra a precariedade, intervenções de investigadores/as, jornalistas e sindicalistas.

"2 anos a FERVEr: retratos da luta, balanço da precariedade" é o título deste livro de 130 páginas, editado pela Afrontamento, que conta com dez testemunhos de trabalhadores/as a recibos verdes, ilustrados por Catarina Falcão, Chico, Gémeo Luís, Isabel Lhano, João Alves, Luís Silva, Paulo Anciães Monteiro, Rui Vitorio dos Santos.

O livro "2 anos a FERVEr: retratos da luta, balanço da precariedade", conta também com as contribuições de:
- Carvalho da Silva: Secretário Geral da CGTP-IN
- Henrique Borges: Sindicato dos Professores do Norte e membro da CGTP
- Elísio Estanque: Sociólogo - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra
- Castro Caldas: Economista - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra
- Sofia Cruz: Socióloga - Faculdade de Letras, Universidade do Porto
- Ana Maria Duarte: Socióloga - Centro de Estudos Sociais, Universidade do Minho
- São José Almeida: jornalista do Público
- Sandra Monteiro: jornalista do Monde Diplomatique
- Alexandra Figueira: jornalista
- Regina Guimarães: escritora
- valter hugo mãe: escritor
- Tiago Gillot: Precários Inflexíveis
- José Soeiro: Sociólogo e activista do MayDay
- Luísa Moreira: activista do MayDay
- Luís Silva: activista do MayDay"

Campanha "Autarquia sem Precários" em contacto com trabalhadores de Odivelas

A campanha "Autarquia sem Precários" voltou à rua para contactar com os trabalhadores. Desta vez, os Precários Inflexíveis foram às instalações da Câmara Municipal de Odivelas, na Av. Amália Rodrigues.

Aguardamos informações sobre os tipos de vínculos que a C. M. de Odivelas tem com os seus trabalhadores e estaremos atentos a novidades.

Relembramos que a campanha foi lançada no final de Julho, momento em que foi feito um apelo a todos/as os/as presidentes de câmara do país para que se pronunciassem acerca da situação da sua autarquia relativamente ao recurso a trabalho precário e a sua posição face ao aumento da precariedade nas autarquias. Um novo apelo foi feito no dia 1 de Setembro e ainda não tivemos nenhuma resposta da Sra. Presidente da C. M. de Odivelas, Susana de Fátima Carvalho Amador, bem como de muitos outros autarcas.

Dirigimo-nos também a toda a sociedade civil, apelando a que nos informem das situações de precariedade nas autarquias que conheçam, para que possamos traçar, o mais completo possível, o mapa da precariedade nas Câmaras Municipais do país.

Vamos actualizando todas as informações em
http://www.autarquiasemprecarios.info/

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Opinião :: Van Zeller e Ministro do Trabalho, Vieira da Silva, "Amigos para Siempre"

Francisco Van Zeller, patrão dos patrões, reafirmou hoje que não abre mão das meninas dos seus olhos no governo reconduzido de José Sócrates. Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e Segurança Social e Teixeira dos Santos, Ministro da Economia e das Finanças são escolhas dos patrões.

Van Zeller não esquece os amigos, e se disse antes que o Código do Trabalho aprovado pelo governo Sócrates devia ir mais longe nos despedimentos ao mesmo tempo que garantia que "Vieira da Silva fez melhor do que um Governo de direita", agora, veio relembrar José Sócrates que em equipa que ganha não se mexe. Mais, sugeriu ainda que para avançar na precarização do trabalho, basta que o PS faça um acordo com o PSD em que este apenas tem de ficar quieto e calado que o próprio PS faz o trabalho sujo, à imagem da legislatura anterior, ou em alternativa, um acordo com o CDS, o partido do Código Bagão.


Precisamente nas principais pastas relativas ao mundo do trabalho e da economia, Van Zeller está sintonizado com Sócrates, Vieira da Silva e Teixeira dos Santos, exactamente em oposição ao mundo precário. A linha está portanto definida.

Mas cada vez mais, nós cá estaremos, cada vez mais cedo, cada vez com mais energia, a energia de quem está e de quem chega, cada vez mais na linha de combate pelos direitos de quem vive do seu trabalho.

Ver aqui e aqui

rUImAIA

Autarquia sem Precários :: Precários desempenham funções permanentes na C. M. de Sátão

A campanha "Autarquia sem Precários" continua a juntar informação sobre a relação das Câmaras Municipais com a precariedade. Desta vez, o testemunho veio de Sátão, distrito de Viseu.


Segundo o testemunho, existem várias pessoas, em diversos departamentos da Câmara Municipal de Sátão, a desempenhar funções permanentes com vínculos precários - contratos a termo e avenças.

Os Precários Inflexíveis já contactaram o Sr. Presidente da C. M. de Sátão, Dr. Alexandre Mendonça Vaz, a pedir esclarecimentos sobre esta ou outras situações de precariedade na sua autarquia e a apelar a que nos dê a sua posição face ao aumento da precariedade nas câmaras municipais. Aguardamos a sua resposta e estaremos atentos a novas informações.


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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Autarquia sem Precários :: Falsos recibos verdes nas piscinas de Valongo

Os Precários Inflexíveis receberam mais um testemunho no âmbito da campanha "Autarquia sem Precários" que chegou de Valongo.
Mais uma vez, o testemunho refere-se a vários professores de natação que se encontram a trabalhar a falsos recibos verdes, nas piscinas da Câmara Municipal de Valongo. O testemunho fala também de pessoas que foram "dispensadas", obviamente sem direito a subsídio de desmprego.

Ficamos à espera de uma resposta do Sr. Presidente da C. M. de Valongo, Fernando Horácio Moreira Pereira de Melo, no sentido de se esclarecer a siuação e perceber a sua posição relativamente à precariedade.


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Bolseiros de Investigação protestaram frente à AR

Conforme tínhamos anunciado, os bolseiros de investigação concentraram-se ontem à tarde frente à Assembleia da República para protestarem contra a situação precária em que - também eles - se encontram. Sob o lema "Investir em Ciência é investir em quem a faz", os bolseiros apelaram mais uma vez aos partidos para que discutam as condições sob as quais o trabalho e a investigação científicos são produzidos em Portugal.



"A precariedade, a ausência de acesso à segurança social, a falta de perspectivas futuras de emprego científico e a não actualização das bolsas desde 2002, 'com uma perda de poder de compra de mais de 20%'" são as principais preocupações dos bolseiros. Preocupações partilhadas pelos Precários Inflexíveis que, desde a primeira hora, se têm associado à luta dos bolseiros. Porque juntos temos todos muito mais força.


Notícias aqui e aqui.

Campanha "Autarquia sem Precários" em contacto com trabalhadores

Os Precários Inflexíveis levaram novamente a campanha "Autarquia sem Precários" aos trabalhadores da Câmara Municipal de Lisboa, desta vez às instalações do Campo Grande.


Para além dos presidentes de câmara, nesta campanha, dirigimo-nos a toda a sociedade civil, dos precários aos não precários, dos municipais aos restantes. Só com o contributo e solidariedade de todos será possível desenhar um mapa nacional que represente não só a precariedade que afecta as diversas autarquias mas também os compromissos de quem tem a responsabilidade inadiável de alterar a situação.

Todas as notícias e novidades em

Lançamento do livro "2 anos a FERVEr" é hoje, em Braga

Depois do lançamento inicial no Porto, o FERVE continua a divulgação do livro "2 anos a FERVEr: balanço da luta, retratos da precariedade".

É já hoje, dia 24 de Setembro, quinta-feira, às 21h15, no estaleiro cultural Velha-a-Branca, em Braga (Largo da Senhora-a-Branca, 23). A inciativa inclui um debate com Cristina Andrade (do FERVE) e os activistas do MayDay Luís Silva e Amarante Abramovici.

Se puderes, não faltes!

Recordamos que este livro inclui uma escolha ddos vários testemunhos deixados por precários no blog do FERVE ao longo destes dois anos, bem como vários textos de activistas contra a precariedade e várias personalidades.

Já agora, fica a informação de que em breve o livro será também lançado em Lisboa.

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

POUS responde ao desafio lançado pelo PI

O desafio está lançado desde o primeiro dia da campanha eleitoral para estas eleições legislativas: quisemos saber o que pensam os partidos sobre a imposição da precariedade e o que defendem para a combater. Frente Ecologia e Humanismo, Partido Comunista Português, Bloco de Esquerda e Partido Social Democrata já nos tinham feito chegar as suas respostas.

Recebemos agora também a resposta do Partido Operário de Unidade Socialista. Partilhamos aqui o fundamental da réplica do POUS - para permitir a leitura neste formato não é possível publicar o texto na íntegra. No que fica por publicar, o POUS refere-se à actualidade do "Programa da IVª Internacional", critica algumas decisões de algumas organizações de trabalhadores ("Memorando de Entendimento" na luta dos professores ou os acordos na fábrica "Autoeuropa"), defende um acordo para um governo entre PS, PCP e BE, propondo ainda a organização duma "Conferência Nacional pela Proibição dos Despedimentos".



Portugal tem hoje cerca de dois milhões de trabalhadores em situação precária. Como avaliam esta alteração das condições de trabalho, a vulgarização dos recibos verdes, contratos a prazo e outras formas de sub-emprego?
A situação de precariedade dos trabalhadores, que se desenvolve a par e passo com o desemprego, é o resultado da forma de organização da sociedade assente na propriedade privada dos grandes meios de produção. O capital não consegue ser rentável na esfera da produção e é canalizado para a especulação, para economias parasitárias e mesmo destrutivas (nomeadamente a droga, a prostituição e a pedofilia, os negócios das armas e da guerra).
Nestas circunstâncias o desemprego resulta da crise global do capitalismo, que não consegue mais responder às necessidades de sobrevivência dos trabalhadores e da sociedade no seu conjunto. Para diminuir sistematicamente o custo do trabalho e intensificar a exploração dos trabalhadores da forma mais rentável, no quadro de uma concorrência feroz à escala nacional e internacional, o capitalismo vê-se obrigado a reduzir os salários, os direitos sociais e o número global de trabalhadores em funções. Explorar ao máximo o menor número possível de trabalhadores, eis a forma do capitalismo, em derrocada, procurar salvaguardar os seus lucros! Se isto não bastar, os grandes grupos económicos não hesitam em encerrar empresas (como aconteceu em Portugal com a Qimonda), deslocalizando-as para países de mão-de-obra muito mais barata, ou mesmo escrava, completamente desprovida de direitos democráticos que cerceiam fortemente a sua capacidade reivindicativa, como é o caso de muitos países asiáticos ou do leste europeu. (...)

Consideram prioritário intervir nesta matéria? Que medidas defendem para combater a precariedade?
As medidas para combater a precariedade estão ligadas às medidas para proibir os despedimentos. Isto quer dizer que são necessárias políticas que invertam a lógica de organização da sociedade actual: em vez da subordinação da produção e da vida do povo português à lógica do capital especulativo e aos interesses das grandes multinacionais, é urgente a mobilização de todos os recursos do nosso país (nomeadamente dos seus sectores estratégicos – Banca, telecomunicações, energia e transportes) para salvar os postos de trabalho e garantir a sobrevivência das pequenas e médias empresas, no quadro de uma cooperação solidária com os outros trabalhadores e povos da Europa e do resto do mundo.
Um Governo que aplique esta política tem que apoiar-se nos trabalhadores e nas suas organizações, tem que pôr em prática uma legislação laboral que decorra dos princípios consignados na Constituição da República Portuguesa, incompatíveis com as directivas e os tratados da União Europeia.

Que avaliação fazem da actual legislação que regula o trabalho? Consideram necessário fazer alterações ao Código do Trabalho recentemente aprovado? Quais?
Esta legislação – concentrada no Código laboral de Durão Barroso / Bagão Félix – indica, logo no seu 1º artigo, que se trata da transposição para a realidade portuguesa de 17 directivas da União Europeia. A este Código foi acrescentada, pelo governo de Sócrates, a “flexigurança” – que não é mais do que o aumento do horário de trabalho e a utilização da sua média anualizada, permitindo ao patronato a imposição de horários semanais que podem ir até às 70 horas.
É por isso que o POUS defende a revogação deste Código do Trabalho, e não apenas das disposições mais gravosas.
Note-se que, antes do Código do Trabalho ter sido aprovado, ambas as Centrais consideraram que ele constituía “uma declaração de guerra à classe trabalhadora”.
Trata-se do Código do Trabalho imposto pela União Europeia – de acordo com os seus tratados que afirmam: “A concorrência é livre e nada a pode obstaculizar”. Este Código é a fonte de todos os ataques aos trabalhadores portugueses, às suas organizações sindicais e comissões de trabalhadores, visando destruí-las enquanto organismos de classe, para que estas aceitem transformar-se em instrumentos ao serviço do patronato, do Governo e do Estado, assumindo a aplicação dos planos contra os trabalhadores.
(...)

Autarquia sem Precários :: Recibos verdes na Câmara Municipal da Horta

Recebemos mais um testemunho, no âmbito da campanha "Autarquia Sem Precários", a denunciar uma situação de precariedade na Câmara Municipal da Horta.

O testemunho fala em trabalhadores a recibos verdes na área de consultadoria jurídica, na C. M. da Horta, nos Açores.

Aguardamos a resposta do Sr. Presidente da Câmara, João Fernando Azevedo e Castro, a esclarecer esta situação, na certeza de que a precariedade não é um tema indiferente para o autarca.

Vamos actualizando todas as informações em
http://www.autarquiasemprecarios.info/

Anúncios precários na net

Recebemos hoje um comentário anónimo no nosso blog, num post relativo a mais uma denúncia de um caso de precariedade numa autarquia. Este comentário dá conta de um anúncio de emprego precário, num dos muitos sites de emprego que proliferam por aí. Os Precários Inflexíveis já denunciaram esta situação, na altura num site apoiado pelo IEFP, mas a lei continua a não ser cumprida.


Líder mundial e nacional em cuidados domiciliários procura empregada INTERNA, com conhecimentos na área de geriatria, para prestação de cuidados no domicílio de um cliente.

As candidatas deverão: - Ser pessoas carinhosas, dedicadas e responsáveis. - Ter nacionalidade portuguesa. Oferecemos: - Trabalho flexível com folgas aos fins de semana; - Recibos verdes, ordenado compatível com a função.

Telefone de contacto: 214167600

Ou enviar currículo para: recrutamento@homeinstead.com.pt ou info@homeinstead.com.pt interna a recibos Verdes é obra!!!!


Depois de uma rápida busca na net é possível encontrar vários anúncios desta empresa, que, à boleia da sensibilidade das pessoas, não cumpre a lei. Como se pode ver neste outro anúncio:


Nome da Empresa:Home Instead Senior Care

Contacto:Email

Área/Função:Diversos

Local de Emprego:Carregado

Habilitações:Indiferente

Pretende:Experiência na área (Lares, Hospitais, domicílios) Preferencialmente com formação na área. Gosto em trabalhar com idosos. Ser meiga, responsável. Exige-se pontualidade e assiduidade

Descrição da Oferta de Emprego: Pagamento das horas efectivamente trabalhadas. Pagamento através de recibos verdes. Seguro de acidentes de trabalho e responsabilidade civil

Número de Vagas:2

aqui e aqui

Mas não é só esta empresa, são milhares os empregos precários disponíveis nos sites de emprego.

Precariedade na Lisnave: palavras de Carvalho da Silva

A concentração de ontem em frente à Lisnave contou com a presença e o apoio de Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP. Esta concentração foi uma acção de protesto contra o despedimento de Filipe Rua, membro da comissão de Trabalhadores, que, segundo justificação da administração da Lisnave, ajudou um dirigente sindical a participar num plenário de trabalhadores precários que ocorreu dentro das instalações da empresa.
Carvalho da Silva acusou a empresa de estar a promover um " despedimento político" e de recusar aos trabalhadores o direito de discutirem os problemas derivados do seu vínculo precário.

Deixamos aqui um excerto da notícia do DN:

"A administração da Lisnave sabe muito bem que tem aqui cerca de 80 a 90 por cento de trabalhadores com vínculo precário. Para discutir os problemas dos trabalhadores que aqui laboram, é preciso discutir com esses 80 a 90 por cento de trabalhadores", justificou, aproveitando o exemplo da Lisnave para se referir à situação do país.

Para o líder da CGTP/IN, as duas causas fundamentais que levaram à situação de desemprego em que se encontram cerca de 650 000 trabalhadores, são a "proliferação da precariedade do trabalho e a destruição do sector produtivo", sendo a Lisnave "um exemplo do que pode ser essa degradação".

"A Lisnave ainda tem hoje alguma qualidade porque há uma aquisição do passado de formação, de sentido de organização do trabalho, mas, mantendo e intensificando a precariedade, tudo isto se esvazia rapidamente e, dentro de pouco tempo, infelizmente, ao que assistiremos é à justificação, com qualquer argumento técnico, do desaparecimento da empresa", disse.
"Nós não queremos isso. O país precisa do aparelho produtivo e não há aparelho produtivo eficaz sem trabalhadores com os seus direitos", frisou o líder da CGTP/IN.

Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Autarquia Sem Precários :: Vínculos precários na Biblioteca Municipal de Portalegre

Os Precários Inflexíveis receberam mais um testemunho no âmbito da campanha "Autarquia sem Precários" a relatar mais um caso de precariedade.

Segundo o testemunho existem trabalhadores da Biblioteca Municipal de Portalegre com vínculos precários, a cumprir funções permanentes. Neste local, sobre a chantagem do desemprego, os trabalhadores continuam a aceitar estes vínculos precários sem poder contestar.

Aguardamos agora uma resposta do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Portalegre, José Fernando da Mata Cáceres, a esclarecer a situação destes trabalhadores e dos outros trabalhadores da autarquia.

Recordamos que a campanha “Autarquia sem Precários” interpelou os presidentes de todas as Câmaras Municipais do país. Enviámos 308 cartas a estes responsáveis, pedindo informação sobre a existência ou não de vínculos laborais precários nas suas autarquias e, sobretudo, convidando estes autarcas a assumir o compromisso de não recorrer ao trabalho precário nas autarquias a que presidem. Além disso, apelamos para que toda a sociedade civil, em particular aos milhares de trabalhadores e trabalhadoras das autarquias espalhados pelo país, que partilhem testemunhos sobre situações que têm que ser conhecidas.

Vamos actualizando todas as informações em

LISNAVE :: Despedimento de trabalhador por ter permitido o acesso de um dirigente sindical a um plenário de trabalhadores precários

Dezenas de trabalhadores da Lisnave concentraram-se hoje de manhã à entrada dos estaleiros navais da empresa, na Mitrena, Setúbal, e observaram uma paralisação de duas horas.O protesto, iniciado às 08:00, foi convocado pelo Sindicato dos Metalúrgicos (SM) na sequência do despedimento de Filipe Rua, por alegadamente ter permitido o acesso de um dirigente sindical a um plenário de trabalhadores precários.

Filipe Rua (Coordenador da comissão de trabalhadores (CT) ), acompanhou Américo Flor, dirigente do sindicato, quando este se deslocou ao estaleiro, para reunir com jovens trabalhadores formados na Lisnave, contratados em regime de trabalho temporário por meio da Select e aos quais a administração exigiu, como condição para manterem o emprego, que baixassem de categoria profissional, de Oficiais para Praticantes.

Recusando esta perspectiva, foi convocado um plenário, indicando na convocatória que iria estar presente Américo Flor. A Lisnave tentou que o plenário não se realizasse, mas não o conseguiu. Os trabalhadores exerceram um direito que legalmente lhes assiste, para rejeitarem a baixa de categoria e a mudança para a «empresa» Lisnave 2, criada para servir esse objectivo da administração."

As novas leis aprovadas na AR, com a maioria do PS, vêm reforçar os poderes das entidades patronais e é por isso que estamos a assistir a esta ofensiva contra os direitos dos trabalhadores", afirmou Filipe Rua.

Ler aqui e aqui

Geração precária

"A maioria dos dois milhões de trabalhadores precários tem menos de 30 anos, tornando o problema do emprego um dos mais expressivos para os jovens. Especialistas alertam para o medo e frustração que a instabilidade laboral provoca nesta população.
(...)
"Há uma ideia perniciosa em relação à precariedade que é a de ser uma situação normal e ainda mais quando se é jovem", critica Cristina Andrade, um das fundadoras do movimento Ferve (Fartos d'Estes Recibos Verdes). A líder do movimento, que nasceu durante este Governo, defende que "o mercado de trabalho não deve ser um calvário, onde as pessoas primeiro têm de merecer a confiança dos empregadores para depois terem um contrato".
Também Arménio Carlos, da CGTP, sublinha que "as alternativas dadas aos jovens pelas empresas são o trabalho precário ou o desemprego". O dirigente sindical recorda ainda que "a precariedade dos jovens é a antecâmara do desemprego. Até porque 60% dos desempregados são trabalhadores que não viram o seu contrato renovado"."

Notícia integral aqui.

Autarquia Sem Precários :: Isaltino Morais responde ao PI

O jornal Sol e o Diário de Notícias, divulgando um take da Lusa, dão conta das declarações de Isaltino Morais, Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, em que aquele responsável garante que "a autarquia não faz nada que não esteja na lei". Em causa está o testemunho que recebemos, na sequência duma acção de contacto com os trabalhadores daquele município, revelando a existência dum anúncio, no próprio site da Câmara, recrutando jovens para trabalhar num projecto de sensibilização ambiental, através de recibo verde ou acto isolado.

Embora seja impossível não registar com estranheza que Isaltino Morais considere que estas pessoas "não estão a trabalhar para a autarquia", mas apenas a "ocupar os tempos livres", assinalamos a Câmara Municipal de Oeiras no mapa que continuamos a traçar no sítio da campanha Autarquia Sem Precários com a respectiva marca de "conflito", correspondente a uma resposta do senhor Presidente da Câmara a um testemunho anterior.

Relembramos que todas as informações recolhidas no âmbito desta iniciativa vão traçando um mapa da precariedade e do compromisso político para acabar com ela, permanentemente actualizadas em http://www.autarquiasemprecarios.info/.

Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

PSD responde ao desafio lançado pelo PI

Depois do representante da Frente Ecologia e Humanismo, do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda, recebemos também uma resposta do Partido Social Democrata ao desafio lançado pelos Precários Inflexíveis a todos os partidos candidatos às próximas eleições legislativas.
Os responsáveis do PSD remetem-nos cordialmente para o programa eleitoral, dizendo que lá encontramos resposta às nossas perguntas e que, neste momento, não é possível uma resposta mais completa (por motivos de agenda). No entanto, não há nenhuma parte do programa que se refira à especificamente à precariedade laboral ou mesmo ao emprego - a palavra precariedade não aparece, aliás, nenhmua vez no documento. Ainda assim é dito que o desemprego é "o problema social número um das pessoas e do País", defendendo-se a extensão, com "cariz assumidamente excepcional" do período durante o qual se recebe o subsídio de desemprego. Além disso, registamos ainda a proposta de "estabelecer em cooperação com as Associações Empresariais, para 2010 e 2011, um programa especial de estágios profissionais para desempregados, nomeadamente jovens, e de formação no emprego, para empresas industriais com redução de actividade, promovido pelo IEFP".

Gostaríamos de obter uma resposta mais concreta, até porque o programa não nos permitiu, à primeira vista, obter resposta para as nossas questões. Por isso, renovámos já o apelo para que essa resposta ainda nos chegue, porque a consideramos, obviamente, importante.

Além desta, continuamos à espera da resposta de todos os outros partidos que ainda não partilharam connosco o que pensam do crescimento da precariedade laboral e de como enfrentar a deterioração das condições de trabalho e de vida que lhe está associada.

Autaquia Sem Precários :: Portimão assume compromisso

A campanha Autarquia Sem Precários recebeu mais um compromisso! Desta vez, a resposta veio da autarquia de Portimão, que nos esclarece ainda o número de trabalhadores em regime de contrato a termo resolutivo (153) e em avença (5), justificando os motivos para a existência destes vínculos:

"A celebração dos contratos de trabalho a termo resolutivo certo tiveram por base os seguintes motivos:
- Fazer face ao aumento excepcional e temporário da actividade do serviço;
- Exercício de funções em estruturas temporárias das pessoas colectivas públicas;
- Desenvolvimento de projectos não inseridos nas actividades normais dos serviços.

Relativamente aos contratos de avença a Autarquia recorreu a este tipo de contrato porque estava em causa a necessidade de assegurar a execução de trabalhos específicos e trabalhos de natureza excepcional que exigem pessoas especializadas com conhecimentos e aptidões técnicas específicas, e por não existirem funcionários com as qualificações adequadas ao exercício das funções objecto da avença."


Os Precários Inflexíveis mantêm a sua preocupação com a vulgarização do recurso a este tipo de vínculos nas autarquias e em vários sectores da Administração Pública, com ou sem cobertura legal. No entanto, valorizamos a escolha desta autarquia e do seu Presidente, Dr. Manuel António da Luz, pelo que assinalamos Portimão com o "verde" no mapa do sítio da campanha Autarquia Sem Precários. Com ele marcamos isso mesmo: um compromisso da autarquia de Portimão.

Como sempre, relativamente a esta e a todas as autarquias, convidamos toda a sociedade civil, em particular os milhares de trabalhadores dos municípios, para que partilhem todas as histórias de precariedade que sabemos que estão por contar. Foi o que já aconteceu relativamente a muitas Câmaras deste país, que estão assinaladas no mapa que continuamos a construir.

Vamos actualizando todas as informações em
http://www.autarquiasemprecarios.info/

Autarquia Sem Precários :: Novas informações sobre Ponta Delgada


Divulgamos aqui um comentário deixado no blog do PI sobre a situação na Câmara Municipal de Ponta Delgada. O comentário relata que as situações de precariedade continuam noutras formas que não a do recibo verde:

"Penso que há que distinguir aqui duas questões que não podem ser confundidas. Uma coisa são falsos recibos verdes, outra é precariedade.

A CMPD continua com precariedade, quando passa os falsos recibos verdes para contratos a termo. Depois da tomada de posição da autarquia em que é admitido a sua existência, não pode afirmar-se que a situação esteja resolvida de todo, a precariedade existe, só cinco casos foram efectivamente resolvidos 3 de técnicos superiores e 2 de técnicos de BAD, isto foi o que chegou ao conhecimento público. E os outros???

Comungamos dos comentários anteriores em que se diz que as pessoas têm de ser incluídas nos mapas de pessoal do organismo que os contratou a recibo verde, com respeito pelo tempo decorrido, categoria e habilitações de modo a não serem penalizadas em nenhum factor. Assim se faz, sempre se fez na observância pelo princípio da mais elementar justiça.

Deixemos de hipocrisias e que se assuma o papel de meros gestores da coisa pública e não de senhores absolutos da cadeira subservientes da 'cunha'. Esperamos que a justiça aconteça na CMPD, que seja esta a imagem que a Srª Presidente deixe ao sair mais dia menos dia daquele lugar."

Vamos actualizando todas as informações em
http://www.autarquiasemprecarios.info/

Sábado, 19 de Setembro de 2009

Bloco de Esquerda responde ao desafio lançado pelo PI

Depois do representante da Frente Ecologia e Humanismo e do Partido Comunista Português, recebemos também a resposta do Bloco de Esquerda ao desafio lançado pelos Precários Inflexíveis a todos os partidos candidatos às próximas eleições legislativas, com o objectivo de contribuir para que os 2 milhões de precários e precárias não fiquem de fora do debate sobre o futuro do país. À entrada para a última semana de campanha, continuamos na expectativa de ouvir todos os posicionamentos de todas as forças políticas.


Portugal tem hoje cerca de dois milhões de trabalhadores em situação precária. Como avaliam esta alteração das condições de trabalho, a vulgarização dos recibos verdes, contratos a prazo e outras formas de sub-emprego?
Portugal é o terceiro país europeu com maior peso nos contratos a prazo. O Estado tem ao seu serviço mais de 117 mil precários/as. Só estes dois dados são suficientes para uma avaliação claramente negativa.
Mas importa também reflectir nas razões que estão na base desta situação, por isso algumas considerações:
- O aumento da precariedade, que assume a cada dia que passa contornos mais perversos, constitui um dos pilares do modelo de desenvolvimento responsável pelo agravamento das injustiças e desigualdades sociais, afectando sobretudo e, particularmente, a geração mais jovem, por sinal a mais qualificada de sempre.
- A matriz deste modelo assenta na ideologia neoliberal de que o governo Sócrates foi um exímio executor.
- A teoria de que, mais vale ser precário/a do que desempregado/a é repetida à exaustão, o que se pretende com ela é a não aplicação dos direitos consagrados nas contratações colectivas, a fuga ao cumprimento das obrigações sociais e a redução dos custos do trabalho. Esta chantagem da ausência de direitos é a chantagem da repressão social.
É a esta chantagem que urge responder.

Consideram prioritário intervir nesta matéria? Que medidas defendem para combater a precariedade?
Responder a esta problema é obrigação dos que querem um país socialmente mais justo, onde o trabalho tem que ser dignificado e por isso defendemos:
- Um combate sem tréguas à precariedade, proibindo os contratos a termo para tarefas permanentes, e aos falsos recibos verdes, através de mecanismos inspectivos eficazes e de penalizações sérias para os prevaricadores.
- A redução dos casos de contrato a prazo apenas a situações de trabalho sazonal ou de trabalhos limitados no tempo, com um máximo de um ano;
- A interdição do uso da figura do contrato a prazo quando se trate de preencher postos de trabalho que resultem de despedimento colectivo ou da extinção de outros postos de trabalho nos doze meses anteriores;
- Em todos os casos em que não se verifiquem as situações aceites nos pontos anteriores, o trabalho a prazo deve dar lugar a um contrato permanente;
- A proibição da sucessão de contratos de trabalho temporário no mesmo posto de trabalho, porque tal sucessão demonstra a necessidade de um trabalho permanente.
- Substituir as empresas de trabalho temporário por ofertas de trabalho por via dos centros de emprego, cumprindo as normas legais e os direitos do trabalhador
- Garantir aos trabalhadores colocados as mesmas disposições em matéria de segurança, saúde, higiene e saúde laboral que se aplicam aos trabalhadores da empresa utilizadora;
- Estender as normas da regulamentação colectiva de trabalho ao exercício da actividade das empresas de trabalho temporário, incluindo o direito de participação na representação sindical e na eleição de comissão de trabalhadores, enquanto existirem;- Regular o tipo e duração do contrato de trabalho, assumindo a proibição da sucessão de trabalhadores temporários no mesmo posto de trabalho.

Que avaliação fazem da actual legislação que regula o trabalho? Consideram necessário fazer alterações ao Código do Trabalho recentemente aprovado? Quais?
O Código do trabalho e o Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas são as duas principais peças do ataque aos direitos dos trabalhadores do sector público e privado.
“São leis conservadoras e retrógradas porque ignoram a evolução do Direito do Trabalho ao longo de todo o século XX, retomam uma matriz civilista que assenta na ficção da igualdade das partes na relação laboral, sobrepõem a relação individual de trabalho às relações colectivas de trabalho.
O que verdadeiramente põem em causa é a filosofia e a alteração estrutural das leis laborais – o reforço dos poderes do empregador, o enfraquecimento da dimensão colectiva, o acentuar da dependência do trabalhador, visão que, tendo em conta a matriz constitucional do Direito do Trabalho”. (In declaração de voto do PS aquando da aprovação do código Bagão Félix).
Por outro lado, promovem a precarização da vida e do trabalho, a prepotência patronal e contribuíram para tornar Portugal no século XXI um país atrasado e injusto. Exigimos por isso a sua revogação.
Defendemos que as alterações têm que necessariamente contemplar o direito de contratação colectiva (em particular o regime do tratamento mais favorável) e à sobrevivência das convenções, aos serviços mínimos a observar durante a greve, à flexibilidade e mobilidade impostas.Englobar as medidas de combate à precariedade já referidas na anterior resposta.

ABIC apela à participação no protesto pelos direitos dos bolseiros

Como já tinhamos anunciado aqui, os bolseiros estão a organizar um protesto para a próxima 4ª feira, dia 23 de Setembro, às 17h, em frente à Assembleia da República. A Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) convoca esta mobilização sob o mote "Investir em Ciência é investir em quem faz!" e pretendem, desta maneira, sensibilizar toda a sociedade civil para os problemas dos bolseiros, convidando os partidos políticos e associações a tomarem posição sobre este problema.



Divulgamos aqui o apelo da ABIC, juntando-nos a ele:

"A ABIC convida-vos a apoiar e a comparecer na concentração que decorrerá na próxima semana, em Lisboa.

Após vários anos de luta, os bolseiros de investigação em Portugal continuam sem ver reconhecidos os direitos fundamentais inerentes ao desempenho de uma actividade profissional. Em Portugal, os bolseiros:
- não vêem aumentadas as suas retribuições mensais (i.e. as suas bolsas) desde 2002 (ano do último aumento), o que significa uma perda de poder de compra de cerca de 20% em sete anos;
- não são abrangidos pelo regime geral da Segurança Social (apenas com direito ao seguro social voluntário no escalão mínimo);
- não têm direito a subsídios de férias e de Natal, ou a subsídio de desemprego;- não vêem reconhecido o seu estatuto de trabalhadores, não tendo por isso acesso aos direitos que esse estatuto consagra.

Muitos bolseiros continuam ainda a assegurar necessidades permanentes das instituições, sendo essenciais ao seu funcionamento. Apesar disso, e embora muitos deles não estejam em formação, não lhes é reconhecido o estatuto de trabalhadores.

Assim, a ABIC convocou um protesto de bolseiros, que decorrerá no próximo dia 23 de Setembro (4ª Feira), pelas 17 horas, em frente à Assembleia da República, em Lisboa. A concentração terá como mote 'Investir em Ciência é investir em quem a faz!'. Pretende-se, com esta iniciativa:
(i) que todos os partidos políticos candidatos às eleições de 27 de Setembro se manifestem, se comprometam e/ou apoiem as legítimas reivindicações dos bolseiros de investigação em Portugal,
(ii) sensibilizar a sociedade civil, as organizações sindicais e todos quantos se solidarizam com os bolseiros de investigação, para as condições sócio-laborais em que se encontram muitos cientistas em Portugal.

Porque é tempo de mostrar reconhecimento por todos os que seguem uma carreira científica no nosso país, juntem-se a nós! A presença de todos é fundamental!"

Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

PCP responde ao desafio lançado pelo PI

O Partido Comunista Português (PCP) é o segundo partido a responder ao desafio lançado pelos Precários Inflexíveis no primeiro dia de campanha eleitoral, com qual o pretendemos contribuir para que, neste período em que se decide a futura composição do parlamento e do Governo, não se exclua a voz de cerca das cerca de dois milhões de pessoas que estão hoje sujeitas à precariedade em Portugal. Continuamos, obviamente, à espera de todas as respostas que faltam.



Partilhamos aqui na íntegra a réplica do PCP:


Portugal tem hoje cerca de dois milhões de trabalhadores em situação precária. Como avaliam esta alteração das condições de trabalho, a vulgarização dos recibos verdes, contratos a prazo e outras formas de sub-emprego?
Consideramos a vulgarização dos recibos verdes, dos contratos a prazo, da falsa prestação de serviços como situações inaceitáveis que são para os trabalhadores sinónimo de elevado risco de desemprego, de trabalho sem direitos, de insegurança do rendimento dependente de uma continuidade do emprego, de falta de valorização profissional e perspectiva de carreira. Estas situações deixam os trabalhadores na prática sem possibilidades de exercer direitos e vulneráveis face às vontades e aos abusos do patronato.

Consideram prioritário intervir nesta matéria? Que medidas defendem para combater a precariedade?
Consideramos prioritária a intervenção nesta matéria e entendemos que é necessário um ruptura com as políticas que têm vindo a ser seguidas pelo governo do PS, ruptura essa que leve a uma nova política que promova a estabilidade do emprego, nomeadamente através:
- Da revogação da norma do código de trabalho que discrimina os jovens e outros trabalhadores à procura do primeiro emprego
- Do reforço da fiscalização do cumprimento das normas de trabalho, nomeadamente, quanto ao uso abusivo e ilegal de contratos a termo, dos falsos recibos verdes e do trabalho temporário.
- Do aperfeiçoamento da Legislação para que os contratos de duração determinada sejam limitados a necessidades temporárias de trabalho, tanto no sector privado como na administração pública, nomeadamente pondo fim ao escândalo da utilização de desempregados pelo Estado em serviços e funções de natureza permanente, através de programas ocupacionais
-Da regularização da situação dos trabalhadores com falsa prestação de serviços/ falso trabalho independente/ falso recibo verde.
- Do combate à economia paralela, ao trabalho clandestino, às redes que exploram imigrantes e a legalização do seu trabalho.

Que avaliação fazem da actual legislação que regula o trabalho? Consideram necessário fazer alterações ao Código do Trabalho recentemente aprovado? Quais?
Fazemos uma avaliação negativa da actual legislação. Quer o código de trabalho quer a legislação laboral da administração pública teve apenas como objectivo enfraquecer a contratação colectiva e dar ainda mais poder ao patronato, desequilibrando ainda mais a favor do patronato as relações laborais, e retirar direitos aos trabalhadores.
Consideramos indispensável a revogação da legislação que integra o Código do Trabalho e a legislação laboral da Administração Pública, com prioridade para as suas normas graves:
- Pôr fim à caducidade das convenções colectivas
- O respeito pelo princípio do tratamento mais favorável ao trabalhador
- Acabar com a mobilidade imposta aos trabalhadores
- Eliminar as normas de desregulamentação dos horários de trabalho
- Repor o direito fundamental de contratação colectiva

Autarquia sem Precários :: Presidente da C. M. de Penalva do Castelo garante que a autarquia não recorre a ETT's

A campanha "Autarquia sem Precários" continua a recolher informações e compromissos para enfrentar a precariedade nas autarquias portuguesas. Desta vez, recebemos um compromisso do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Penalva do Castelo, Leonídio Monteiro, com a seguinte declaração:

"informo V.Ex.ª que, nesta Autarquia, não existe trabalho precário por intermédio de outras empresas de trabalho temporário".

Apesar de nesta declaração o sr. Presidente apenas se referir ao recurso a empresas de trabalho temporário, aceitamos este compromisso, uma vez que ele representa uma vontade expressa de se dirigir a esta campanha e aos seus objectivos. Assim, assinalamos com a marca verde este compromisso do sr. Presidente Leonídio Monteiro relativamente à autarquia de Penalva do Castelo.

Manteremos, no entanto, toda a atenção, relativamente a esta, bem com todas as outras autarquias do país. Entretanto, enviámos já nova missiva ao sr. Presidente, pedindo que confirme a extensão do seu compromisso a todas as situações de precariedade, como é o caso de contratos a prazo, recibos verdes ou estágios para funções permanentes.

Continuamos a apelar a todos os responsáveis políticos das autarquias que assumam o compromisso de combate à precariedade, bem como a que toda a sociedade civil, em particular aos milhares de trabalhadores e trabalhadoras das autarquias espalhados pelo país, para partilharem testemunhos sobre todas as situações que têm que ser conhecidas para que esta realidade possa ser alterada.

Autarquia sem Precários :: C. M. de Estarreja nega ter falsos POC's na autarquia

Na consequência da divulgação de um testemunho enviado para a campanha "Autarquia sem Precários" que referia a existência de falsos POC's (Planos Ocupacionais) na Câmara Municipal de Estarreja, recebemos a seguinte resposta do Departamento de Recursos Humanos, por via do Sr. Vice-Presidente da C. M. Estarreja, Abílio Silveira:

Ainda muito recentemente iniciaram funções 9 elementos POCs, segundo o despacho nº 41/09 do Vereador dos RH
(...)
Encontram-se previstos no mapa de pessoal de 2009 os seguintes:
2 Assistentes Operacionais para a Cantina;
2 Assistentes operacionais na DSU [Divisão de Serviços Urbanos];
3 Assistentes operacionais na DEV [Divisão de Equipamentos e Vias].

Assim e enquanto não se encontrarem concluídos os procedimentos julgo não ser abusivo por parte da Autarquia utilizar os POCs (sendo pessoas desempregadas, podem dar algum contributo ao erário público, trabalhando).

Entretanto, através de uma notícia do jornal Em Aveiro, a C. M. de Estarreja desmente as acusações. Mas "admite que estes funcionários fazem alguns trabalhos fora do âmbito POC "quando há pessoas em falta ou enquanto há concursos a decorrer"."

Os Precários Inflexíveis assistem com preocupação à vulgarização dos POC's para suprir as necessidades da administração pública e à ideia de que as pessoas desempregadas são ociosas que não querem trabalhar e que, como tal, terão que ser forçadas a cumprir um trabalho comunitário. Estarão as pessoas desempregadas em dívida para com o Estado (e com toda a sociedade, consequentemente) por não terem emprego, ou estará o Estado (e a sociedade) em dívida para com essas pessoas por não lhes garantir a existência de emprego?

Alteramos, então, Estarreja no sítio "Autarquia sem Precários" para uma situação de "conflito", uma vez que a Câmara Municipal nos dá a sua garantia de não estarem a ser cometidas irregularidades que promovam a precariedade.

És bolseiro?


Sabias que:

A bolsas não aumentam desde 2002 (ano do último aumento), o que significa uma perda de poder de compra de cerca de 20% em 7 anos;

Há quantos anos és bolseiro? Já pensaste na reforma que vais ter ao descontares pelo ordenado mínimo nacional? Já escolheste qual a esquina para pedir esmola pois a tua “reforma” nem sequer para os medicamentos vai dar?

Já reparaste que não tens direito a subsídios de férias e de Natal?

Como vai ser quando a bolsa acabar? Lembra-te que não tens direito a subsídio de desemprego…

Já reparaste que não tens estatuto de trabalhador pelo que te encontras privado do acesso aos direitos que esse estatuto consagra?

Caso penses que isto está mal junta a tua voz à nossa voz no dia 23 de Setembro pelas 17 horas junto à Assembleia da República, local onde os nossos destinos são traçados pelos senhores políticos

Participa e traz um amigo

Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

«"Obrigado, Sócrates, pela precariedade"»



"No palco José Sócrates. Na plateia Neto e Falâncio. O que teria sido uma simples acção de campanha socialista transformou- -se numa luta de decibéis com os humoristas em gritos de ordem - "obrigado, Sócrates, pela precariedade" -, e o primeiro-ministro a tentar fazer-se ouvir.

Nós, homens da luta, fomos ao comício do PS no Seixal para manifestar o nosso apoio incondicional ao primeiro-ministro", afirma ao i o actor Nuno Duarte, ou Jel, que se transforma em Neto. "Sócrates foi o melhor desde Vasco Gonçalves. Greves por todo o lado, precariedade. Isto está bom é para os homens da luta." A equipa do programa "Vai Tudo Abaixo", dos vídeos Sapo, instalou a confusão por entre bandeiras "Avançar Portugal" e gritos dos apoiantes socialistas "PS! PS!", que tentavam abafar os pregões dos humoristas "Olhem as fábricas a fechar!", "O desemprego a aumentar!".

José Sócrates acabou rapidamente o discurso e não prosseguiu com a arruada. "Coitadinho do povo do Seixal que já não teve a arruada. Falta de respeito pelo povo do Seixal. Nós queríamos falar com Sócrates mas a segurança não deixou", afirma Jel. "Fomos empurrados, agredidos e ofendidos pelos seguranças da campanha", acusa.

Ao trepar a uma paragem de autocarro para fugir aos seguranças, Jel partiu a estrutura, o que levou um agente da PSP a identificá-lo. "Muita segurança para o contacto com a população. É o medinho que ele tem do povo e as pessoas deviam tirar ilações disso", diz Jel.”
(...)

Vale a pena ver o vídeo

e o texto completo no diário "i"

Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Trabalhadores das autarquias em greve

Com uma greve que começou à meia noite de hoje, os trabalhadores das autarquias, empresas municipais, bombeiros e empresas privadas prestadoras de serviços públicos locais cumpriram uma protesto de 24 horas. As previsões do STAL (Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública) apontavam para uma boa adesão, que se concretizou numa forte paralisação nos serviços de recolha de lixo e limpeza de ruas na maior parte das cidades do país.



Foram mais de 60%, os trabalhadores e trabalhadoras que aderiram à greve, e chegaram a existir sectores que encerraram por completo, como por exemplo no Barreiro. Durante o dia, vários serviços de atendimento foram também afectados. O balanço pode ser visto no site do STAL.

No entanto a greve foi também marcada por vários actos intimidatórios face aos grevistas, que foram “visitados” na noite anterior, ou mesmo casos em que faixas foram retiradas, o que viola a lei da greve.

aqui havíamos dado conta desta greve, saudando o protesto e os motivos para ele. Não podemos estar mais de acordo com os trabalhadores da Administração Local. Esta greve constitui um sinal para as forças políticas de que é necessária uma mudança ao nível do caminho que tem sido seguido na Administração Pública. O sindicato questiona o facto destes trabalhadores estarem a ser empurrados para a mobilidade especial e exige ainda que sejam regularizadas milhares de situações de emprego precário actualmente existentes, medida esta que o Governo tem reiteradamente recusado cumprir.

Esta greve é justa e um sinal claro de que a deterioração das condições de trabalho não pára de ganhar terreno nas autarquias, como aliás em todos os sectores do Estado. Foi esse o sentido do lançamento da campanha Autarquia Sem Precários, que continua a procurar romper o silêncio imposto pela precariedade, juntando-nos a todas as vozes que não aceitam que esta situação se mantenha - por isso, continuamos a apelar para que nos cheguem testemunhos que confrontem os executivos e a procurar os compromissos políticos inadiáveis para dar a volta à precariedade nas autarquias.

notícias, por exemplo, aqui, aqui ou aqui.

Autarquia sem Precários :: Câmara de Oeiras "oferece" trabalho precário no seu site

No âmbito da campanha "Autarquia sem Precários", os Precários Inflexíveis foram hoje às instalações da Câmara Municipal de Oeiras contactar com trabalhadores e distribuir informação sobre esta iniciativa.

Depois da carta enviada ontem para o Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Dr. Isaltino Afonso Morais, a pedir que esclarecesse a afirmação do Vice-Presidente da C. M. da Amadora, Gabriel Alexandre Lorena de Oliveira, sobre a existência de recibos verdes na sua autarquia.

Relembramos que a campanha "Autarquia sem Precários" foi lançada no final de Julho e que já foram enviadas duas cartas a todos os presidentes de câmara a fim de se pronunciarem sobre a situação das respectivas autarquias, não tendo ainda recebido qualquer resposta do Dr. Isaltino Morais, entre outros.


Ora, recebemos hoje, no nosso mail, um link para um anúncio da Câmara Municipal de Oeiras, que continua no seu site. Este anúncio refere-se a um recrutamento de jovens para trabalharem no âmbito de um projecto camarário de sensibilização ambiental, para períodos quinzenais de trabalho que se realizaram entre 3 de Junho e 9 de Setembro. Acontece que a remuneração destes trabalhadores é feita, conforme o explicito no anúncio, através de recibo verde ou acto isolado, ao contrário do que é legalmente exigido para uma função temporária, subordinada e com horários de trabalho - Contrato a Termo Certo.

Os Precários Inflexíveis já pediram esclarecimentos à C. M. de Oeiras e continuamos à espera de uma resposta, sem a qual marcaremos Oeiras como uma Autarquia Com Precários.

Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Juristas da ACT não desistem da luta pelos seus direitos!

Os juristas da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) mantêm acessa a sua vontade de lutar para fazer valer os seus direitos. Relembramos que, em Dezembro do ano passado, romperam o silêncio e denunciaram a sua situação. Como anunciámos desde o primeiro momento, são dezenas de profissionais, na própria instituição que tem por missão avaliar o cumprimento das (já bastante desfavoráveis) leis laborais, que são forçados, há vários anos, a trabalhar a falsos recibos verdes. Cumprem funções permanentes e essenciais, mas o senhor Paulo Morgado de Carvalho, Presidente da ACT e Inspector-Geral do Trabalho, faz pouco mais do que passar pela vergonha de ter que tentar justificar o injustificável.



Estes trabalhadores não desistem. Partilhamos aqui mais uma tomada de posição, que é também um ponto de situação e uma resposta às tentativas sucessivas que se vão fazendo para esconder uma das vergonhas mais descaradas dum país em que a precariedade se está a tornar uma regra.

"Temos percebido que após a abertura do concurso pouco tem sido dito sobre a caricata existência de recibos verdes na ACT, no entanto, continuamos a existir e ao que tudo indica permaneceremos nas mesmas condições até a conclusão do concurso, no qual não temos qualquer garantia de aproveitamento da nossa experiência profissional, face as condições previstas no edital.

A existência de um concurso para admissão de técnicos não faz desaparecer o que foi feito e mantido por anos pelo actual Inspector Geral do Trabalho, que na sua gestão (apesar dele afirmar o contrário) celebrou contratos de avenças para assegurar necessidades permanentes e regulares da então IGT, actual ACT.

Ao contrário do que tem afirmado, as avenças foram celebradas pelo Dr. Paulo Morgado em Fevereiro de 2005, portanto, não foi um “problema” herdado, mas sim criado pelo próprio.

Se ele (IGT) contesta o facto dos avençados cumprirem horário, não pode negar que esses técnicos integram a estrutura hierárquica da ACT e que asseguram, há anos, necessidades essenciais e permanentes dos Serviços, razão pela qual não podemos ficar indiferentes quando o presidente da ACT anuncia que resolveu a questão dos recibos verdes, se na verdade foi o próprio que perpetuou essa prática por todos esses anos.

A abertura de um concurso não faz desaparecer essa realidade. Os técnicos actualmente em funções continuam no mesmo regime e a assegurar as mesmas necessidades dos Serviços, e o que é pior, agora sem nenhuma perspectiva de alteração desse vínculo, uma vez que o concurso não prevê a contratação de técnicos para determinados Centros Locais (que hoje contam com avençados em funções) e em outros casos reduz significativamente o número desses técnicos.

Do edital do concurso é possível constatar que não há qualquer intenção de regularizar a situação dos avençados mas apenas a de suavizar os contornos (como se isto fosse possível) de uma realidade que é facilmente constatada em qualquer serviço descentralizado da ACT.

No entender do inspector geral do trabalho, resolver a “questão dos recibos verdes” é simplesmente deitar fora a experiência de anos sem o reconhecimento do vínculo passado. A imagem da ACT (espelhada na pessoa do Sr. IGT) e a sua autoridade não podem ser restauradas através de um concurso que está a ser realizado apenas para fazer desaparecer uma situação que hoje se mostra incómoda ao seu criador.

Se é esta a perspectiva que a actual Autoridade tem do seu papel social enquanto empregador, o que dizer às empresas? Como aplicar uma coima a uma empresa numa situação de falsos recibos verdes quando o próprio Dr. Paulo Morgado vem a público sustentar que o avençado é um verdadeiro recibo verde pelo único facto de ter assinado um contrato de prestação de serviços?

Caricato, não?

Se isto é invocado pelo dirigente máximo da entidade responsável pela fiscalização nessa matéria, é óbvio que passa a ser um argumento legítimo em defesa das empresas autuadas por essa mesma entidade.

Perante tudo isto poderá a simples abertura de um concurso restaurar a Autoridade? Parece-nos que não.

Juristas avençados da ACT"