Domingo, 29 de Novembro de 2009

Reitor da Universidade Nova de Lisboa contrata a Falsos Recibos Verdes


Uma amiga nossa recebeu o email que transcrevemos e o anúncio que o Reitor da Universidade Nova de Lisboa, Dr. António Manuel Bensabat Rendas, publicou no Jornal Público.

Este anúncio é ilegal! Pela lei não existe "prestação de serviços" cumprindo horário de trabalho, nas instalações do chefe (
Gabinete de Bolonha-Erasmus na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa) e seguindo uma hierarquia.

O email:
"

De: Gabinete Erasmus Universidade Nova de Lisboa [mailto:erasmus@unl.pt]
Enviada: sexta-feira, 27 de Novembro de 2009 16:14
Assunto: Oferta de prestação de serviço
Importância: Alta

O Gabinete de Bolonha-Erasmus na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa vem pelo presente indicar a abertura de uma oferta de prestação de serviços nas condições que em seguida se listam:

1. Caracterização do posto de trabalho: actividades no âmbito do Programa Erasmus, nomeadamente atendimento aos estudantes Erasmus e gestão processual do ficheiro individual dos mesmos

2. Habilitações Académicas: Licenciatura, preferencialmente em Relações Internacionais

3. Requisitos de admissão: O candidato deverá ter um bom conhecimento do Programa Erasmus, dando-se preferência a quem já tenha trabalhado no âmbito do mesmo ou tenha usufruído de uma sua actividade de mobilidade

4. Duração: 20 semanas, a iniciar em Dezembro

5. Horário indicativo: 7 horas por dia, das 10h às 13h e das 14h às 18h

6. Local de Trabalho: Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, Campus de Campolide, Lisboa

7. Formalização das candidaturas: Os interessados deverão remeter o seu currículo e carta de motivação ao cuidado do Gabinete de Bolonha-Erasmus, Campus de Campolide, 1099-085 Lisboa até dia 3 de Dezembro de 2009 (data de carimbo de CTT) ou para o email erasmus@unl.pt (respeitando o mesmo prazo).

Com os melhores cumprimentos,

Daniela Costa Ramos

Gabinete de Bolonha-Erasmus

Universidade Nova de Lisboa - P LISBOA03

Campus de Campolide

1099-085 Lisboa

Tel.: +351 213 845 203

Fax: +351 213 715 621

Email: erasmus@unl.pt

www.unl.pt "
O anúncio no Jornal Público:




A vergonha não pára a não ser que a paremos!
Por favor envia um mail para este gabinete e para o Reitor a explicar-lhe que o anuncio é ilegal!

Sábado, 28 de Novembro de 2009

Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Sal e Pimenta causam cegueira


A Super Tia Maria João Lopo de Carvalho escreveu, na passada quarta-feira um artigo na revista Focus onde defende que Portugal é um "país de batoteiros", onde existe um "número assustador de «pretensos» desempregados inscritos nos centros de emprego" e para o demonstrar conta a sua pequena fábula de La Fontaine a fim de moralizar os leitores e os «pretensos» desempregados.

Conta ela que tentou abrir um restaurante mas que contratar pessoal lhe deu água pela barba porque ninguém queria aceitar as condições maravilhosas que ela propunha e tratavam sempre de atrasar a conversa com coisas comezinhas como o "salário", as "folgas" ou "os direitos".

Esta empresária de sucesso esclarece no seu artigo as condições que queria oferecer e que passamos a esmiuçar:

1) "pagamento acima da média" - a média dos salários em Portugal situa-se perigosamente perto so salário mínimo, pelo que realmente as horas de trabalho e as folgas eram temas importantes para os/as trabalhadores/as que ela contactou;

2) "boas garantias de futuro" - uma frase que em si é vazia mas que deixa entrever que não estava disposta a contratar estes/as empregados/as a termo indeterminado, o que a lei obriga salvo em casos excepcionais;

3)"período de formação profissional a recibos verdes" - proposta simplesmente ilegal, porque essa formação é trabalho a menos que a Super Tia seja um estabelecimento de ensino;

4) "contrato de trabalho" - então como é que ela quereria contratar pessoas?;

5) "Seguro de saúde" - obrigadinho Pai Natal.

Assim, num artigo de vão-de-escada a Maria João Lopo de Carvalho declara abertamente que estava pronta a cometer 2 ilegalidades e que queria era escravos/as e ainda se queixa que ninguém quis aceitar as suas condições maravilhosas.

Cara Super Tia: a batoteira és tu e devias ter a Autoridade para as Condições do Trabalho à perna.

Fazer fila à porta do teu estabelecimento? Só para mandar tomates!

Ricardo Moreira

Novo Código contributivo vai ser hoje chumbado pela Oposição


O Governo prometia que este novo código contributivo ia combater a precariedade, mas apenas tinha uns docinhos para os/as precários/as.

A oposição deve hoje adiar a entrada em vigor deste código para 2011.

Se queres saber mais sobre este código contributivo que irá ser travado clica aqui, aqui, aqui e aqui.

Notícias aqui, aqui, aqui.

Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Pagar para uma entrevista


Uma amiga enviou-nos um link do site www.cargadetrabalhos.net que disponibilizou uma oferta de emprego que, nos dias que correm, pode pegar moda.

Esta oferta, da Agência Voz-Off, oferece castings de voz, para diversos trabalhos de locução ou animação de eventos, a troco de 25€!

Deixamos aqui a transcrição desta vergonha para que se possam rir:

castings de voz

Agência Voz-Off® procura novas vozes para agenciamento

Na próxima segunda-feira, dia 30, entre as 15h00 e as 19h30 a Agência Voz-Off® estará no estúdio Pôr do Som, Porto, para uma nova sessão de casting destinada a candidatos que queiram iniciar-se na actividade de locução e voz-off.

PERFIS VOCAIS PRETENDIDOS:
* Locutor(a) nativo(a) de Língua estrangeira (Inglês, Espanhol, Francês, Italiano, Alemão, Grego, Russo e línguas escandinavas);
* Locutores(as) nativos(as) de Angola, Moçambique, Cabo-verde, São Tomé ou Guiné que tenham sotaque dos respectivos países.
* Locutor(a) para anúncios ou spots comerciais e institucionais de TV e rádio;
* Locutor(a) para dobragens de desenhos animados, documentário ou filme;
* Imitador(a) de figuras públicas ou vozes características para publicidade e dobragens;
* Crianças (M/F), dos 6 aos 14 anos, para spots comerciais de TV e rádio;
* Locutor(a) para vídeos institucionais, comerciais e documentários;
* Locutor(a) para sistemas de call-center e atendimento telefónico;
* Locutor(a) para áudio-livros, áudio-guias, CD-rom e materiais multimédia;
* Speakers/Animadores(as) para eventos, festas, lojas, recintos desportivos, apresentações, conferências, seminários, etc..

REQUISITOS:
* Voz clara, bem colocada e de timbre agradável;
* Boa dicção e articulação fonética;
* Ausência de sotaques marcados (locutores portugueses);
* Capacidade de interpretação e expressividade;
* Excelente domínio da Língua de trabalho;
* Cultura geral abrangente.

DATA: Segunda-feira, 30 de Novembro

HORA: Entre as 15h00 e as 19h30

LOCAL: Estúdio Pôr do Som

MORADA: Rua da Alegria, 262 (ao C.C. Porto Gran Plaza)

MARCAÇÃO: Obrigatória, para o tel. 220148446 (dias úteis das 10h30/13h00 e 14h30/19h00)

DURAÇÃO: aproxim. 10 minutos (poderá ocorrer um período prévio de espera)

INSCRIÇÃO: 25,00€ (não reembolsáveis)

Registo Login: Para responder a esta oferta terá primeiro de se registar ou fazer login.

NOTA: Alguns dias após o casting, cada candidato receberá por via postal um CD com samples da gravação de voz. Às «melhores» vozes será feita uma proposta de agenciamento Voz-Off®, bem e de integração no website www.Voz-Off.com (actualmente em requalificação/upgrade).

NOTA 2: Se se candidata a locutor nativo de Língua estrangeira, por favor leve alguns textos consigo.

Antes da dívida temos direitos! - Comunicado de Imprensa 26-11-2009


“Antes da dívida temos direitos!”

Petição pelos direitos dos trabalhadores a Recibos Verdes
superou o número necessário de assinaturas em menos de uma semana!


A petição pelos direitos relativos às contribuições para a Segurança Social dos trabalhadores a recibos verdes já superou a fasquia das 4 mil assinaturas, exigida por lei para que os peticionários vejam o assunto discutido na Assembleia da República.

Relembramos que a petição foi lançada – pelos movimentos FERVE, Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e Audiovisual, APRE! e Precários Inflexíveis – na passada 6ª feira, dia 20 de Novembro, numa iniciativa em Lisboa. Desde esse momento, a recolha de assinaturas na rua e a subscrição através da internet já superou o número mínimo necessário para cumprir o seu objectivo essencial.

A disponibilidade de tantas pessoas em tão pouco tempo é um sinal forte. O reconhecimento dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras a recibos verdes é inadiável e a força desta petição vem demonstrá-lo inequivocamente.

A recolha de assinaturas continuará, no entanto, nos próximos dias. Há muita gente que ainda se quer juntar a esta iniciativa e torná-la ainda maior. O contacto com milhares de pessoas, as mensagens encorajadoras que recebemos e a participação nesta campanha continuam a superar expectativas e transmitir muita energia para este combate.

www.antesdadividatemosdireitos.org

antesdadividatemosdireitos@gmail.com

Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Confirmados despedimentos das auxiliares de acção educativa em Guimarães



Infelizmente, a arbitrariedade e impunidade da autarquia teve agora a consequência mais temida: estas trabalhadoras, ilegalmente obrigadas a trabalhar sem vínculos permanentes durante vários anos, estão agora a poucos dias de enfrentar o desemprego.

Foi esta situação que levou estas trabalhadoras a protestar ontem, nos Paços do Concelho, garantindo ainda a participação e solidariedade de vários pais dos alunos.

Os responsáveis da Câmara Municipal limitam-se a dizer que "compreendem a situação das pessoas". O vereador José Augusto Araújo tem ainda o descaramento de admitir que estas pessoas não tinham qualquer vínculo com o Ministério ou a autarquia "e por terem muitos anos de serviço criaram expectativas".

Estas funcionárias, a quem foi negado o direito de terem o contrato de trabalho devido, no momento da tardia regularização desta situação ilegal, são confrontadas com um concurso público onde não têm quaisquer garantias. Fica a pergunta: como se pode tolerar que, depois de constatada a ilegalidade, não seja imediatamente reconhecida a vinculação permanente destas trabalhadoras (como previsto na lei)?

Os Precários Inflexíveis reafirmam a sua total solidariedade com estas trabalhadoras e as seus justos protestos pelos seus direitos. Já agora: onde está a Autoridade para as Condições do Trabalho? E o que diz a nova ministra do Trabalho e Solidariedade Social, bem como a nova Ministra da Educação? Como pode o sr. Presidente da Câmara, António Magalhães, manter um oportuno silêncio sobre esta situação?

notícia do Jornal de Notícias, aqui.

Pacto para o trabalho anunciado pela Ministra


Helena André - Ministra do Trabalho - anunciou ontem que vai iniciar um debate com os parceiros sociais, a iniciar em 2010, a fim de apontar um Pacto do Trabalho.

Já algumas pistas foram dadas pela ministra, anunciando que será inspirado no pacto global para o emprego da Organização Internacional do Trabalho.

Helena André esclareceu que o objectivo será defender "um trabalho com direitos e qualidade" adaptado à realidade portuguesa e versará sobre "matérias como a organização do mercado de trabalho, politicas de rendimento intercalares e sobre os direitos de trabalhadores e empresas".

Van Zeller já veio dizer que este assunto não passa de um "fogacho" e que "duvida que o Pacto seja o caminho".

É estranho sentir que, por uma vez, estou de acordo com o Presidente da CIP.


Notícias: aqui, aqui e aqui.


Ricardo Santana

Trabalhadores da EMEL em Greve


Os/as trabalhadores/as da EMEL (Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa) - tutelada pela Câmara Municipal de Lisboa - estão hoje em greve pela manutenção do horário de 30 horas semanais cumpridas pelo pessoal que trabalha na fiscalização e pela diminuição de 37 para 35 das horas de trabalho dos administrativos.

A administração da empresa camarária defende que todos deveriam trabalhar as 40 horas semanais que são, segundo os mesmos, "prática generalizada". No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal que representa estes/as trabalhadores/as argumenta que existem especificidades importantes na realização daquele trabalho e que não estão a ser tidos em conta.


Notícias: aqui e aqui.

Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Assembleia de professores das AECs do Porto no próximo dia 5

Como aqui anunciámos desde o primeiro momento, os professores das Actividades de Enriquecimento Curricular do Porto estão em luta. São explorados pela Edutec, com a cumplicidade da Câmara Municipal do Porto e a indiferença do Governo e de todas as instituições que deveriam garantir que os direitos destes trabalhadores são garantidos. Fartos de esperar por uma justiça que não chega, quebrando o isolamento e enfrentando a impunidade, estes profissionais vão reunir-se em assembleia aberta no próximo dia 5 de Dezembro, no Porto.


Os Precários Inflexíveis, bem como o FERVE e o Sindicato dos Professores do Norte, juntam-se a esta convocatória. Saudamos a coragem e a determinação destes precários e partilhamos aqui o apelo à participação:

Assembleia aberta sobre a situação dos professores das Áreas de Enriquecimento Curricular


5 de Dezembro de 2009. 10h30


Sindicato dos Professores do Norte (R. D. Manuel II, 51 C - 3º - Edifício Cristal Park)


As Áreas de Enriquecimento Curricular (AECs) são uma medida criada pelo Governo que prolonga o horário das actividades nas escolas, nomeadamente através da promoção do ensino do inglês e da música. Sendo uma política do Ministério da Educação, as responsabilidades de contratação dos profissionais que assegurem estas áreas são da responsabilidade das autarquias. O Ministério transfere uma verba por aluno por ano para as autarquias, que depois asseguram a existência das AECs. Dada a ausência de regras claras, as AECs têm resultado em situações muitas vezes delicadas para as escolas, as crianças e os profissionais.


No que a estes últimos diz respeito, as AECs são, em muitos casos, asseguradas por trabalhadores precários com reduzidos direitos e reduzido salário. Muitos destes profissionais trabalham para empresas que os angariam através de falsos recibos verdes e que se apropriam de uma parte da verba que o Ministério transfere, ou trabalham em condições de precariedade para empresas municipais que acumulam à custa destes trabalhadores, os quais vêem negados os direitos básicos que qualquer trabalhador deveria ter, quer ao nível do reconhecimento, quer em termos de protecção social (na doença, no desemprego, na segurança em relação ao emprego).

No caso específico do Porto, a política educativa implementada este ano lectivo de 2009/2010, pela Câmara Municipal é polémica e imoral, pois lançou a instabilidade entre os professores das AEC´s e nas EB1 do Porto, em consequência do concurso público internacional para a entidade gestora.


Deste modo, em vez de melhorarem as condições de trabalho dos professores (tal como estipula o decreto-lei 212/2009 de 3 de Setembro) pioraram a condição já precária dos falsos recibos verdes.


É urgente que pais, educadores, coordenadores e professores tenham conhecimento de toda esta situação.


É urgente que saibam que as autarquias recebem 100 euros por ano, por aluno, para cada disciplina. Isto significa que se estimarmos o número anual de aulas em 50, isso corresponde a 2€ por aluno, por hora. Isto corresponde, numa turma de 20 alunos a 40 euros por hora que a autarquia recebe. Ou seja, paga 11 e guarda 29 Euros. Este valor é variável em função do número de alunos por turma. Em 50 aulas corresponde a um lucro de 1 450 €, em cada disciplina e em cada turma. Se multiplicarmos este valor pelo número de turmas e de disciplinas, estamos a falar de um negócio simpático, sobretudo porque não há nenhum investimento em materiais didácticos, nem em instalações.

É urgente que saibam que os professores deixaram de ser pagos para fazer as planificações, articulação entre as disciplinas, presença nas reuniões e quaisquer outras situações normais provenientes da docência, que obrigam um professor a estar na escola, pois a nova entidade gestora apenas paga em função da hora leccionada retirando do seu vencimento a componente não lectiva, (reuniões, planificações, participações em festividades, actividades, etc.).

Porque é urgente partilhar informação sobre esta situação e juntar as pessoas que se encontram nesta condição, porque é urgente juntar a solidariedade dos pais e dos encarregados de educação, porque é urgente juntar todos aqueles que não querem que os seus impostos sirvam para este enriquecimento ilícito de autarquias e/ou empresas angariadoras de profissionais que é feito à custa da precariedade dos professores, porque é urgente tornar esta situação visível e reagirmos a ela, vai realizar-se no dia 5 de Dezembro uma reunião aberta que visa debater a situação precária que se vive actualmente nas Escolas Básicas de todo País e pensar acções a levar a cabo a partir do caso que se vive no concelho do Porto

Contamos com a presença de todos vós no SPN dia 5 de Dezembro às 10h15m.

FERVE- Fartos destes Recibos Verdes,
Precários Inflexiveis,
Professores das AEC’S do Porto,
Sindicato dos Professores do Norte

Do outro lado da linha


Uma amiga precária tem um blog acerca dos call center e do pessoal que lá trabalha.

Vale a pena dar uma olhada em: http://outroladodalinha.blogspot.com/

Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Arranque da petição “Antes da dívida temos direitos!”

A petição para exigir os direitos dos trabalhadores a recibos verdes relativamente à Segurança Social está lançada! O arranque aconteceu no espaço Interpress, em Lisboa, num encontro reivindicativo e festivo, que juntou cerca de 400 pessoas.

A noite começou com uma conversa, na qual representantes dos movimentos que organizam esta inciativa apresentaram a petiçao e as razões para este combate. Tiago Gillot (dos Precários Inflexíveis), Cristina Andrade (do FERVE) e Carla Bolito (da Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual) divulgaram o texto da petição e falaram da importância da inciativa que abraçaram em conjunto, perante uma plateia numerosa e interessada, que não deixou de intervir colocando questões e confirmando vontades.

Seguiu-se um convívio em que foi possível, além de assistir às actuações de Luís Azevedo Silva e do Cantor Romântico Abandonado (Gonçalo Tocha), transformar a velha Interpress num espaço de encontro e mobilização, em que se trocaram conversas e se continuou a pensar uma campanha que desejamos forte. As faixas dos movimentos, a decoração do espaço, as bancas de associções e movimentos (ligados à petição e não só), mas também uma exposição de fotografias com histórias de precariedade: um ambiente e uma noite que foram um arranque encorajador para esta petição.

No final, além de tudo o resto, fica um sinal forte para o futuro: as primeiras 400 assinaturas já foram recolhidas. Nas primeiras horas, esta iniciativa já garantiu 10% do mínimo legal que necessita para cumprir o seu objectivo.

Os próximos dias serão de mobilização e contacto com muitas pessoas, para as convencer a fazer parte duma petição forte que obrigue a Assembleia da República a defender a Segurança Social para todos e, em particular, a garantir os direitos dos milhares e milhares de trabalhadores a recibos verdes que dela estão a ser afastados.

aqui algumas fotos da festa.

Sábado, 21 de Novembro de 2009

Jornal dos Precários Inflexíveis

Jornal para a campanha da petição sobre os direitos à Segurança Social dos trabalhadores a falsos Recibos Verdes.

ACT – um pacto com a precariedade

Num país com 5.5 milhões de trabalhadores (INE, 2009) mais de 2 milhões são precários. Portanto, a precariedade é uma imposição para mais de um terço da população activa portuguesa. Falamos de pessoas que trabalham com falsos recibos verdes, com contratos a prazo, ou “sem papéis”, e muitas vezes intermediadas por empresas de trabalho temporário. Relembro aqui um post desactualizado que data de 14 de Janeiro de 2008, onde revelámos alguns dos números oficiais na tentativa de pintar o quadro da precariedade em Portugal. Sabemos que estes números cresceram, e muito, nos últimos tempos. É uma realidade que não dá para esconder porque está aos olhos de toda a gente. Damos com ela ao virar de cada esquina. Se passear pela rua e, ao acaso, apontar para uma pessoa, tenho mais de um terço de probabilidade de apontar para um precário. E a probabilidade é maior se apontar para uma mulher, ou para um jovem licenciado. Toda esta gente que aceita a precariedade pela chantagem, pois não há outra explicação para a sua submissão, sabe bem o quão produtivo é o seu trabalho, o quanto ele engorda as fortunas daqueles que a impõem e o quão amargo que é viver com as migalhas que recebem ao fim do mes. Toda esta gente, também sabe quem é que fica a ganhar. Quem as explora na ilegalidade e/ou compactua com ela.



Parece que só o Paulo Morgado de Carvalho, inspector geral da Autoridade da Condições de Trabalho, dotado de meios que mais ninguém possui para identificar os rostos dos infractores, tem dificuldade em fazê-lo. A ACT lançou um estudo, em Julho de 2009, a vangloriar-se por ter encontrado 3000 falsos recibos verdes entre o milhão de pessoas que está nesta sitiação.

Sabemos, que a ACT não tem dificuldades em detectar as ilegalidades do trabalho, o que ela não tem é vontade política para resolver estas situações. Os Precários Inflexiveis, reuniram com a ACT há seis meses atrás e ficou-nos prometida uma inspecção ao call center da segurança social em Castelo Branco, onde incrivelmente trabalham dezenas de precários (!), e até hoje ainda estamos à espera... Mas não faltam provas de que a ACT e o seu director geral, Paulo Morgado de Carvalho, são uma autentica fraude: a própria ACT emprega dezenas de juristas que trabalham a falsos recibos verdes há vários anos. Estes mesmos juristas para além de denunciarem que a ACT emprega falsos recibos verdes denunciaram, também, a existência de mais de 2000 processos em risco de prescrição por não terem trabalhadores suficientes para responder a todas as ilegalidades que têm conhecimento.
Por mais tentativas que façam, já nada pode limpar a imagem da ACT e do seu inspector geral, que, está provado, não estão minimamente interessados em combater a precariedade, antes pelo contrário, compactuam com ela. Segundo um artigo do Diário Económico da 6ª feira passada, durante o último ano de actividade, a ACT “obrigou” à “reintegração” de 4816 “trabalhadores ilegais”. Um número insignificante para a realidade em que vivemos. Ainda no mesmo artigo, ACT promete publicar on-line uma lista de empresas infractoras. Resta saber se, a pesar desta não ser uma empresa embora se pareça cada vez mais com isso, a ACT encabeçará o topo da lista...

Ricardo Vicente

Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Hoje no sapo.pt


Petição antes da dívida temos direitos no jornal SOL


É já hoje: Antes da Dívida temos Direitos


A Petição que vai exigir a reposição da justiça para quem trabalha a recibos verdes e que defende sem quartel o Sistema de Segurança Social vai ser lançada hoje e o seu nome diz tudo: Recibos Verdes: antes da Dívida temos Direitos.

No espaço da Interpress (Bairro alto, R. Luz Soriano 64) às 21h30 quatro movimentos de trabalhadores/as precários/as - Precários Inflexíveis, FERVE, Intermitentes do Espetáculo e Audiovisual e APre - juntam-se para uma campanha que vai estar na rua e na net a dizer em cada Falso Recibo Verde há uma Falsa Dívida.

Só faltas tu!
Vem ter connosco, além do lançamento da petição teremos concertos, DJ's, bancas de várias associações e muita luta pra fazer.

Deixamos um presente para aguçar o apetite




Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Jornalismo em vias de extinção

“E esta, hein?” Lembram-se da célebre expressão daquele que foi o mais idoso jornalista português? A frase popularizada por Fernando Pessa surgiu como substituto dos palavrões que ele tinha vontade de dizer quando denunciava situações menos agradáveis do quotidiano do país.

Soube-se ontem, no mesmo dia em que era revelado o máximo histórico do desemprego das últimas décadas, que o grupo Motorpress fechou duas revistas (Automagazine e Maxi Tuning) e despediu 28 funcionários, dos quais 11 jornalistas. Do lote fazem parte duas mulheres em licença de parto e uma em baixa pós-operatória. Isto depois de a empresa já ter prescindido numa primeira leva de dez colaboradores e de ter cortado os salários em dez por cento aos restantes. Este despedimento colectivo vem juntar-se aos vários ocorridos ao longo deste ano – Controlinveste, Cofina, Media Capital, jornal Metro e Diário de Notícias –, com o número de trabalhadores despedidos de empresas de comunicação social já a ultrapassar os 180.



Fernando Pessa reformou-se aos 93 anos. Duvida-se que algum jornalista volte a repetir tal proeza. A continuar assim, o mais provável é levar-se o jornalismo a vias de extinção. É mesmo caso para dizer: “E esta, hein?”

MM

Notícias aqui (http://www.publico.clix.pt/Media/motorpress-fecha-duas-revistas-e-despede-28-funcionarios_1410240) e aqui (http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=154253)

Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Dia histórico


A capa do Público de hoje diz tudo: Desemprego atinge máximo histórico das últimas décadas.



O número oficial é brutal: 548.000 pessoas desempregadas (9,8%).



O número real é ainda mais tenebroso: 654.245 (11,7%) - contando com os desempregados oficiais e com as pessoas que já desistiram de procurar trabalho.



Assinalamos este dia negro.



Ricardo Santana

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Precariedade e Desemprego - alguns números

Segundo os dados do INE, divulgados hoje, o actual número de desempregados em Portugal saltou dos 9.1% observados no trimestre passado para 9.8%. Relativamente ao ano anterior, para o mesmo período, a taxa de desemprego era de 7.7%. Assim, durante o último ano de governo PS, o desemprego conhecido pelas estatísticas oficiais subiu 27%. Em entrevista à TSF, José Sócrates tenta desculpar estes números com a "crise internacional". O Jornal Público afirma que nunca o país conheceu uma taxa de desemprego tão elevada relembrando os 9.2% registados no primeiro trimestre de 1986.
Mas os dados do INE dão conta de outro facto, no segundo trimestre deste ano 84.4% dos trabalhadores que obtiveram o seu primeiro emprego são precários. Em 2005, ano em que o governo de José Sócrates tomou posse, este valor correspondia a 76.1% e em 1998 a 65.8%.


Actualmente, 7 em cada 8 novos trabalhadores (contratados há menos de 12 meses) são precários (Diário Económico).
Estes números, que representam o crescimento do desemprego e da precariedade, factores que andam de mãos dadas, são marca da governação falhada do Governo de José Sócrates e das suas políticas feitas à medida dos grandes patrões. Mas ainda assim, estes - os grandes patrões - não estão satisfeitos, acham que é preciso mais "flexibilidade" por parte dos trabalhadores. Querem-nos ainda mais descartáveis e com menos direitos. A ministra do trabalho, Helena André, prepara-se para lhes continuar a fazer as vontades e contribuir para o crescimento destes números.

Domingo, 15 de Novembro de 2009

"Antes da dívida temos direitos": movimentos contra a precariedade organizam petição à A.R.

Os movimentos contra a precariedade juntaram-se para organizar uma petição a entregar na Assembleia da República.

Precários Inflexíveis, FERVE (Fartos/as d'Estes Recibos Verdes), Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual e APRE! (Activistas Precários) querem reunir milhares de assinaturas para combater as injustiças nas contribuições para a Segurança Social dos trabalhadores e trabalhadoras a recibo verde.

O lançamento da petição será na próxima 6ª feira, a partir das 21h30 no Espaço Interpress, no Bairro Alto, em Lisboa. Será um convívio mobilizador, para o qual apelamos à presença e participação de todos. Além da divulgação do texto da petição e do arranque da recolha de assinaturas, haverá música e animação, bancas das associações e movimentos, exposições e ainda a actuação dos DJ Nuno Lopes e DJ Mute.

Interpress, Rua Luz Soriano, 67 (Bairro Alto) :: próxima 6ª feira, dia 20 de Novembro :: a partir das 21h30
Lançamento da petição :: Música :: Convívio :: Bancas :: Exposições :: DJ Nuno Lopes e DJ Mute
Aparece e divulga!



A maioria dos recibos verdes são falsas prestações de serviços. São 900 mil pessoas que deveriam ter um contrato de trabalho e que assim ficam sem direitos básicos: protecção no desemprego, enquadramento legal dos tempos de trabalho ou períodos de descanso, férias pagas, “subsídio de férias” e “subsídio de Natal”, estando ainda quase sempre impossibilitadas de usufruir dos seus direitos em situação de doença ou parentalidade.

Sujeitos à ilegalidade dos falsos recibos verdes, quase sempre com baixos salários, contribuem para a Segurança Social, mas quase sem contrapartidas. Os patrões, que obrigam todas estas pessoas a trabalhar sem o contrato de trabalho a que têm direito, exploram e lavam as mãos.

É assim que muitos destes trabalhadores se vêem impossibilitados de cumprir as suas prestações para a Segurança Social. Com baixos salários, sem direitos e deixados sozinhos nesta responsabilidade, milhares de pessoas estão a acumular uma dívida injusta, enquanto os patrões infractores continuam alegremente uma das maiores fraudes sociais do país.

Porque queremos defender a Segurança Social para todos,
Porque não podemos aceitar a imposição duma dívida injusta, sem que os empregadores cumpram as suas responsabilidades,

Apelamos à tua participação nesta iniciativa e convidamos-te para a festa de lançamento da petição à Assembleia da República para exigir a reposição dos direitos nas contribuições para a Segurança Social dos trabalhadores e trabalhadoras a recibos verdes!

Sábado, 14 de Novembro de 2009

Belmiro de Azevedo quer empregos (ainda mais) baratos


Em declarações a propósito da corrida de Vítor Constâncio ao Banco Central Europeu, Belmiro de Azevedo afirmou que o assunto é “irrelevante” para Portugal e que os problemas do país "não se resolvem com títulos". Até aí concordamos. Mas o grande vencedor dos Prémios Precariedade 2008 na categoria Acumulação até gosta de partilhar e, por isso aproveita a ocasião para oferecer de bandeja e às claras a receita de que se tem valido para enriquecer. É que, segundo Belmiro de Azevedo, "o que o país precisa é que se crie riqueza, que sejamos competitivos, que gastemos o dinheiro bem gasto, empregos razoáveis, baratos, se não, qualquer dia temos complicações de natureza social e o país não se governa sem coesão social".

Belmiro de Azevedo só pode andar distraído. Empregos razoáveis, mais baratos? Só se for de graça ou, se calhar, no Continente. Mas mais curioso ainda é Paulo Azevedo, seu filho e presidente executivo da Sonae, apresentar a empresa afirmando que investem na criação de emprego de qualidade, contribuindo para o desenvolvimento dos colaboradores e parceiros que com eles actuam... Em que é que ficamos? Ou será o epíteto"de qualidade" compatível com "barato"?

Isto tudo no dia em que se soube que o volume de negócios da Sonae cresceu seis por cento nos primeiros nove meses deste ano, com um aumento de 42 por cento no resultado líquido directo total da empresa... Será da crise?

MM

Ele tinha um sonho


O José Sócrates está muito feliz.
Portugal investiu 1,5% do PIB em Investigação.
Disse que era do tempo em que passar do 1% era apenas um sonho.

O Mariano Gago está contente.
Portugal tem mais investigadores por habitantes que a média europeia.
A produção científica aumentou.
Disse que é histórico.

Para os bolseiros a história é outra.

Há mais dinheiro para distribuir a muitos mais investigadores que publicam mais artigos. Há, sim senhor.
Mas, para que as 8 mil publicações científicas sejam produzidas anualmente o Governo escolheu a via da massificação, do aumento desnorteado da quantidade de bolsas e bolseiros.
Como não há dinheiro para tudo, este grande número de bolsas (10 mil) é feito à custa da ausência de direitos e de aumentos nos valores das bolsas. Perdemos 20% de poder de compra em 7 anos! Não temos subsídio de desemprego, férias nem Natal!

Para sermos o 16º (ena, ena) país europeu com maior número de artigos publicados, inventou-se a ciência "low cost".

E quem não quiser participar nela, que vá fazer investigação para longe daqui.

Eu sou do tempo em que existem 40 mil licenciados/as inscritos no centro de emprego. 2/3 são mulheres.
Sou da geração em que a precarização e mercantilização da ciência afecta a qualidade da ciência que se faz e que a figura de bolseiro é só mais uma maneira de não nos respeitarem.

E isso envergonha-me.

Os bolseiros produzem trabalho científico, são aqueles que trazem conhecimento, inovação e novas mais-valias ao país.

Recebemos um obrigado e uma palmadinha nas costas.
De nada.
Agora queremos direitos.



Bibliografia

ABIC, 2009 "Bolseiros de Investigação perderam 20 por cento de poder de compra em sete anos"


GPEARI, 2009 "A procura de emprego dos diplomados com habilitação superior"



GPEARI, 2009 "Produção Científica Portuguesa, 1990 - 2008"



Lusa, 2009 "Sócrates congratula-se com potencial tecnológico"


Hugo Evangelista

Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

João Pacheco no Clube de Jornalistas: Precariedade no Jornalismo

João Pacheco, jornalista e membro dos Precários Inflexíveis no programa Clube de Jornalista, dia 11 de Novembro 09, RTP2. Tema: precariedade no jornalismo.



Todo o programa aqui

Sobre um despedimento vergonhoso


Como jornalista que por acaso até já participou durante algum tempo num programa do Rádio Clube Português (RCP), venho aqui expressar o meu repúdio. Aliás, deixem-me escrever nojo. Venho aqui expressar o meu nojo por um despedimento que aconteceu no RCP (grupo Prisa). O jornalista Pedro Múrias foi um dos alvos da recente fornada de despedimentos na estação de rádio, há coisa de um mês.
Para quem desconheça os detalhes, este despedimento colectivo é tão lamentável como qualquer outro. Mas é preciso dizer que o jornalista em questão está doente com um cancro. E que continuou a trabalhar durante os tratamentos, fazendo as magníficas crónicas diárias "Crónicas da Sala de Espera".

Quem trabalha anda sempre no mesmo barco, esteja precário ou não. Um despedimento colectivo, um despedimento de uma pessoa que continuava a trabalhar com uma doença crónica, qualquer despedimento injusto é um ataque a todas as pessoas que trabalham. Por isso, o despedimento do jornalista Pedro Múrias também é assunto do precariado.

Ao jornalista Pedro Múrias, cá fica para já um abraço solidário, à espera de o voltar a ouvir na rádio.
Ao grupo PRISA e ao Rádio Clube Português, um apelo: acordem, sejam dignos e voltem atrás nesta decisão errada.


João Pacheco
(jornalista e membro dos Precários-Inflexíveis)

Competitividade, internacionalização e salários baixos

Vieira da Silva trocou a pasta ministerial do Trabalho pela da Economia e já mostrou ao que vem: quer competitividade, internacionalização e salários baixos. A retórica já é conhecida e revela as perspectivas sombrias para quem tenta viver do seu trabalho em Portugal.


O ministro foi um dos oradores na sessão de apresentação do "Relatório de Competitividade 09", promovida pela Associação Industrial Portuguesa (AIP). Segundo esse estudo, a produtividade em Portugal está 30% abaixo da média da União Europeia. A produtividade depende da inovação, da organização, da adequação tecnológica, da comercialização dos produtos, da capacidade de criar valor. E Rocha de Matos, presidente da AIP, explicou à imprensa as causas deste problema em Portugal: "A culpa deste atraso é do sistema".


O "sistema", como bem sabem os adeptos do futebol, tem as costas largas. Mas talvez ficasse bem aos empresários portugueses reflectirem sobre as suas próprias responsabilidades na matéria. Afinal, não consta que os trabalhadores portugueses a trabalhar em empresas europeias façam baixar os seus níveis de produtividade ou que as filiais em Portugal de empresas transnacionais sejam menos produtivas que as que funcionam noutros países.


Vieira da Silva também se pronunciou sobre este atraso e definiu prioridades: "Os recursos públicos devem ser dirigidos ao aumento da competitividade", porque "a competitividade é a questão estratégica que deve permitir evitar o risco de estagnação prolongada da economia e ultrapassar os problemas estruturais". Os chavões são conhecidos e os resultados também.


O novo Ministro da Economia revelaria ainda duas outras ideias reveladoras dos tempos sombrios que estão para ficar: os salários deverão subir menos de 1,5%, porque "não será sustentável seguirmos políticas de rendimentos e políticas salariais desajustadas do ciclo económico em que vivemos", e "a internacionalização e a competitividade são conceitos gémeos".


Isto significa o habitual: a competitividade das empresas portuguesas deve depender dos baixos salários e, com o fraco mercado interno que resulta de anos consecutivos de perda de poder de compra, tentaremos vender os nossos produtos baratos lá fora. Quem trabalha continuará, por isso, a pagar a factura da fraca competitividade "do sistema". Afinal, é só mais Sócrates.


João Romão

(economista e membro dos Precários Inflexíveis)

Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Flexisegurança volta ao discurso do Governo na resposta às preocupações dos patrões


A ministra do Trabalho Helena André vai estar na antena da TSF ao final da tarde para uma entrevista mas já respondeu esta manhã a três perguntas, duas vindas dos patrões pela voz de Rocha de Matos (presidente da AIP - Associação das Indústrias Portuguesas) e de Francisco van Zeller (presidente da CIP - Confederação das Indústrias Portuguesas) e outra dos sindicatos feita por João Proença, da UGT.

A ministra não exclui que no futuro a legislação laboral venha a incluir algumas regras da flexisegurança, uma estratégia aplicada nos países nórdicos, que permite por exemplo uma menor rigidez nos horários de trabalho.

Esta é a resposta ao presidente da AIP que quis saber se a nova ministra considera que a actual legislação laboral aumenta a competitividade da economia portuguesa. Quis também saber se a flexisegurança, com as devidas adaptações, poderá fazer parte do mundo empresarial português.

Compreende-se que existem muitas expectativas perante este novo governo e esta nova ministra do Trabalho por parte dos patrões que querem trabalhadores mais flexíveis.
Os/as trabalhadores/as também têm expectativas e sabem que a segurança do seu posto de trabalho, da garantia de direitos e de condições de trabalho, já foi posta em causa com o Código de Trabalho aprovado na legislatura anterior. Esperamos por um combate sério e consequente à precariedade, não esperamos a flexisegurança.

O detalhe destas perguntas e respostas da entrevista a Helena André pela TSF, encontra-se aqui. Às 19h será emitida a entrevista completa.

Hoje na 2



É às 23:30, no programa do Clube de Jornalistas. João Pacheco - jornalista e membro dos Precários-Inflexíveis - participa no debate moderado por Dina Soares, com a jornalista Joana Clara, que vai no segundo estágio, e o professor universitário Manuel José Damásio.

Os patrões pedem esmolinhas


A Associação Industrial Portuguesa vai hoje pedir a Ministra do Trabalho que reduza as taxas pagas pelos empregadores à Segurança Social (SS).


O Novo Código Contributivo, feito aprovar nos últimos dias do anterior governo pelo ministro do trabalho Vieira da Silva, prometia, de início, umas migalhas para os trabalhadores a recibos verdes (como o pagamento de 5% da contribuição para a SS pelos empregadores), a proporcionalidade do desconto face aos rendimentos efectivos e um pequeno desincentivo à contratação a termo (agravamento de 3% da taxa contributiva). Mas estas medidas ou ficaram suspensas até 2011 ou simplesmente não são o que se esperava delas.

Mas os patrões não desistem. Na sua voragem de ficarem com absolutamente tudo voltam a pedir para pagar um bocadinho menos. E bocadinho a bocadinho vão tentando minar a Segurança Social, um instrumento vital de solidariedade entre gerações de trabalhadores, de garantia solidária e uma conquista histórica dos/as trabalhadores/as.

Fica o aviso: o nosso contra ataque está a chegar.

Noticia do DN.

Ricardo Moreira

Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Entrevista do "i" a Carvalho da Silva


Entrevistado pelo “i”, o dirigente da CGTP, Carvalho da Silva, confrontado com a situação de crise como motivo para reduzir ou manter salários, afirmou que “uma das causas da crise em que a sociedade vive resulta da persistência de reduzir a retribuição do trabalho”. E deixou a sugestão ao economista José Silva Lopes – que afirmou há dias que, numa situação de crise, aumentar os salários em 2010 seria promover o desemprego – de experimentar a “viver com o salário mínimo nacional dois ou três meses” antes de se pronunciar sobre o assunto.


“O trabalho e o emprego têm dimensões simultaneamente económicas, sociais, culturais e políticas. As políticas salariais não são uma questão meramente da economia. A própria economia não melhora apenas por factores quantitativos: há também os de ordem social, cultural e política, que muitas vezes têm mais influência que os factores económicos”

Em relação às dificuldades sentidas pelas empresas, consequentes da subida do preço do petróleo, etc. Carvalho da Silva diz que estas dificuldades devem ser utrapassadas com outras “estratégias de gestão” em vez de recairem sobre os trabalhadores. Afirma ainda que “se os salários acompanhassem a evolução da produtividade em Portugal seriam hoje bem maiores”.

Vale a pena ler a entrevista na íntegra, aqui.

Da edição de Outubro portuguesa do "Le Monde Diplomatique"



"Vamos brincar aos jornais


Por JOÃO PACHECO
(jornalista e membro dos Precários-Inflexíveis)




Em Portugal, o jornalismo é feito em condições cada vez piores. A pergunta sempre presente – «será que amanhã vou trabalhar?» – faz com que se aprenda a entrevistar a medo, se perca autonomia e se escreva com autocensura.


Se estivesse a escrever para outro jornal, teria de explicar ao pormenor o que é trabalhar de forma precária. Nestas páginas – parto do princípio – todos já sabem que há cada vez mais gente a trabalhar em Portugal sem direito a férias, sem protecção na doença, sem direitos de paternidade ou de maternidade. São pessoas que trabalham muitas vezes sem ordenado fixo, que passam os chamados recibos verdes ou trabalham através de empresas de trabalho temporário. São pessoas que têm contratos a prazo ou que simplesmente recebem o ordenado num envelope, em dinheiro («Toma lá e não digas que vais daqui»). Se ficarem grávidas, perdem o emprego. Se estiverem doentes, nada recebem. Esta realidade é ilegal, mas acontece por todo o lado e a cada vez mais pessoas. Tanto no Estado (ministérios, escolas, institutos, autarquias...), como nas empresas (pequenas, médias, grandes ou enormes) e até nas Instituições Privadas de Solidariedade Social.

A precariedade é um roubo e o abuso foi-se generalizando. Sendo assim, será mais do que esperável encontrar precários atrás de grande parte das notícias, das entrevistas e das reportagens que vamos lendo, ouvindo e vendo. O processo é igual em todos os jornais, televisões e rádios do sector privado. A diferentes velocidades, as redacções vão caminhando para o vazio da precariedade. Quando sai alguém dos quadros de algum jornal, rádio ou televisão, não se pense que entrará na legalidade algum dos precários que lá trabalham. Não, nada disso. O trabalho a mais passará a ser repartido entre jornalistas precários, sempre descartáveis e sempre sozinhos e desesperados o suficiente para aceitarem qualquer coisa. Chegou a crise? Tudo bem, cortem-nos os honorários para metade. É preciso fazer um favor a uma empresa ou a um ministério? Lá vou eu. O jornal vai vender uns livros ou uns filmes de determinado autor? Óptimo, eu farei publicidade mascarada de jornalismo, para se falar desse autor nas semanas que antecedem a venda desses «produtos associados». Afinal, sou só um precário, sou quase ninguém. Faço o que for preciso.

Logo nos primeiros passos, o esquema está montado. A entrada na profissão acontece de uma forma injusta, com os jornalistas a fazerem estágios que normalmente não são pagos. Apesar de se supor trabalharem como qualquer jornalista da casa, produzindo notícias, entrevistas, perfis ou reportagens que chegarão ao público sem qualquer menção de que foram feitas numa situação de estágio. «Curricular» ou «profissional», chamem-lhe como quiserem. Se o estágio correr bem, se o jornalista ou a jornalista tiverem sorte, dá-se a grande conquista: passam a trabalhar à séria. «À séria», mas sem direitos. Passam a ganhar uns dinheiros por peça feita ou uns dinheiros por mês, contra a apresentação prévia de um recibo daqueles que deveriam servir apenas para empresários a título individual. Por regra, não há uma tabela e tudo é pago a olhómetro, pelo menos um mês depois da publicação. Haja ou não uma tabela de honorários, quanto maior for o número de artigos que alguém consegue publicar, menos receberá por cada artigo.

Dependendo dos casos, os jornalistas precários podem propor ideias ou fazem apenas o que lhes é indicado pelos editores. Normalmente, os editores não são vistos como os maus da fita. O mais comum é estabelecer-se uma relação de amizade mais ou menos próxima. Não se trata da relação simples do chefe com o trabalhador; nada está escrito à partida, tudo pode acontecer. E daí as arbitrariedades que se sucedem, com um quotidiano em que não se pode perguntar porquê. Porque é que vamos receber este valor por um trabalho, porque é que aquela frase foi cortada? Não se sabe, não se pergunta. É melhor passar à frente, porque a pergunta mais importante é sempre esta: será que amanhã vou trabalhar?

Se os editores são vistos quase sempre como os bons, os maus quase não são vistos. Os maus estão lá para cima, lá para longe, intocáveis e por vezes quase anónimos. A empresa não pode, a empresa passa dificuldades, não vale a pena sonhar com uma situação melhor, quem vos incutiu esperanças de um lugar no quadro não tem noção da realidade, a imprensa vive dias difíceis... Há todo um argumentário.

A partir do momento em que o jornalista começa a trabalhar como jornalista precário, essa é a sua realidade. Nas conversas mais ou menos oficiais, nos e-mails, nos contactos diários, há «os jornalistas» e há «os colaboradores». Quem são os inimigos dos colaboradores? Os jornalistas, pois claro! São eles que impedem a entrada no mundo inatingível dos com-direitos. A empresa, coitada, faz o que pode. É a crise. É a crise? Mas brincamos, ou quê? Andamos a brincar aos jornais? Quem não tem dinheiro para os bifes, não abre restaurantes. Mas qualquer um pode manter abertos os órgãos de comunicação social tendo dívidas por pagar a trabalhadores precários. Dívidas em dinheiro de honorários, dívidas de despesas feitas em trabalho, dívidas de direitos que existem mas nunca foram aplicados. Como o direito a férias ou à protecção na doença, como o pagamento da Segurança Social e a protecção numa eventual situação de desemprego. Tudo isso é dinheiro. E tudo isso fica nos bolsos de quem ocupa com suposta honra os cargos de administração. Escreve-se que «Fulano é administrador» ou que «Fulano é empresário de comunicação social». Dar-me-ia vontade de rir se a situação não fosse tão séria, tão grave.

Pelo caminho, o precário vai falando com toda a gente na qualidade de jornalista daquele órgão de comunicação. E quem tem de saber sabe: o jornalista do outro lado da linha é um precário. Quem escreve aquele e-mail é um precário, quem aparece aqui para uma entrevista é um precário. É alguém que não sabe quando vai receber. Nem como, nem quanto, nem porquê.

É este o jornalismo que vamos tendo cada vez mais, enquanto o grupo de cidadãos que faz jornalismo profissional é cada vez mais um grupo flutuante de pessoas muito jovens e que vão fazendo uma perninha no jornalismo. Enquanto não se desiludem, enquanto não encontram melhor.

As fontes sabem, as agências de comunicação sabem, os visados sabem que quem está do outro lado no papel de jornalista está numa posição economicamente desfavorável, quando não inviável. Não há segredos, é como em alguns países do chamado terceiro mundo, onde todos sabem que os polícias de trânsito recebem salários miseráveis, quando os recebem. Que tipo de legalidade se pode esperar de um país assim, que regras de trânsito temos de cumprir?

Não é preciso corrupção nem censura quando os jornalistas trabalham sem direitos, suspensos no vazio de não saberem com o que contar. Basta deixar a natureza fazer o seu caminho, basta confiar na autocensura. É ridículo falarmos em liberdade de imprensa quando cada vez mais jornalistas vivem e trabalham em Portugal neste limbo, sob sequestro laboral. E sem liberdade de imprensa, que tipo de democracia poderíamos ter?

Cada vírgula, cada palavra, cada passo pode significar a ausência de trabalho e até o fim da estrada no jornalismo. Não porque podemos ser responsabilizados criminalmente pelos nossos erros, mas porque podemos ser apagados rapidamente por termos pisado os calos de alguém. E se um precário perde o trabalho em determinado jornal, perde quase sempre a hipótese de trabalho em todos os jornais, revistas, rádios ou televisões do mesmo grupo económico. Sabendo-se como a propriedade dos meios de comunicação social está cada vez mais concentrada nas mãos de meia dúzia de empresas, quem perde o trabalho algures terá poucas alternativas noutros lados. Na melhor das hipóteses, chegará ao novo local de trabalho no estado de desespero de quem está disposto a aceitar tudo, em troca de quase nada. Nestas circunstâncias, é fácil perceber porque é que muitos jornalistas não se sindicalizam nem se organizam autonomamente dentro das empresas onde trabalham, é fácil perceber porque é que a precariedade dos jornalistas é um tabu. Mais vale não levantar ondas, se queremos continuar a trabalhar.

É cada vez mais assim o jornalismo português, à imagem do resto da sociedade. Digam-me um nome de um jornal, de uma revista, de uma rádio ou de uma televisão privada de dimensão nacional que não se aproveite de precários. Se houver um só órgão de comunicação social privado nessas condições, tiro-lhe o chapéu com espanto.

As leis não se cumprem. Então os maus são os empresários e os bons são os coitadinhos dos trabalhadores? Não, nem por isso. É do Estado a responsabilidade principal desta lei da selva em que vivemos e em que fazemos jornalismo. Ou seja, a responsabilidade é dos governos que se vão sucedendo na mesma inacção estratégica.

Não querendo fazer de advogado do diabo, é preciso admitir que se um órgão de comunicação social vive em parte da exploração de precários, será mais difícil à concorrência abdicar dessa fonte de rendimentos. Se todos precarizam, porque haveríamos de ser nós a «dar» direitos aos jornalistas? Como é que teríamos lucros?

Pois... O Estado é que tem de garantir que a lei é cumprida por todos, acabando com as desculpas de mau pagador. O grande problema é o facto de o Estado viver numa posição caricata de pseudo-legalidade, em que há precários até entre os próprios trabalhadores da famosa ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica), onde autarquias e institutos, hospitais e escolas vivem de precários a recibo verde ou a contrato ou em estágio. Quando é feita uma denúncia, nada acontece. Ou acontece que os precários vão para a rua. Sem nada. E quando esses casos ocorrem, quem os poderia relatar ao resto das pessoas? Sim, os jornalistas. Só que não dá, não podemos falar disso. Andamos muito ocupados com uma pergunta: “Será que amanhã vou trabalhar?”"

Governo ataca artistas com o Monstro do IVA


Parece que o Governo é mesmo teimoso e volta a atacar os artistas com o monstro do IVA. Não lhes chegou as investidas anteriores...

Dossier sobre Assalto ao IVA (aqui, aqui, aqui, aqui e também aqui).

Noticia do Público de hoje:

Fisco admite rever erros pontuais mas mantém liquidações adicionais de IVA aos artistas
10.11.2009 - 07h30
Por João Ramos de Almeida
O caso do IVA dos artistas promete continuar. Após diversas diligências por parte dos artistas no sentido de evitar a liquidação retroactiva de IVA, os responsáveis da administração fiscal declararam poder corrigir "erros individuais", mas garantem que as listas de artistas visados referem-se a IVA detectado pela inspecção tributária e não por qualquer aplicação retroactiva de uma nova interpretação da lei.

Até Março passado, actores, chefes de orquestra, músicos e outros artistas não cobravam IVA nos seus desempenhos. Esse era o entendimento que a administração fiscal fazia da isenção prevista no Código do IVA.

A partir de 9 de Março passado, o ofício circulado n.º 30109 da Direcção-Geral de Impostos (DGCI) veio clarificar o conceito de promotor. Apenas ficam isentos de IVA os artistas contratados directamente por um promotor. E a figura do promotor passou a ser restringida àquela entidade que organiza espectáculos ao vivo, devidamente inscritos para tal. Todas as outras situações deveriam passar a ser tributadas em IVA. Ou seja, alargou-se a tributação em IVA a um conjunto de actividades que antes estavam isentas.

Mas houve um compromisso político de que essa nova interpretação apenas seria aplicada para períodos posteriores ao ofício circulado. A chefe de gabinete do então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Carlos Lobo garantiu-o em finais de Junho passado aos responsáveis da Gestão de Direitos dos Artistas, Intérpretes ou Executantes (GDAIE). E o Ministério das Finanças - a seguir a uma notícia do jornal Correio da Manhã - emitiu um comunicado em que se prometeu que "o entendimento da DGCI só vigora para o futuro, nos termos do art. 12.º da Lei Geral Tributária" e que, "por isso, foram dadas as instruções constantes do ofício circulado (..) para que este enquadramento só tenha efeitos a partir dessa data".


Notificações avançaram

Mas aparentemente estas instruções não foram seguidas pelos serviços tributários. Há semanas que diversos artistas foram notificados para liquidar quantias de IVA referentes a actividades desenvolvidas desde 2004 a 2008. O actor José Wallenstein contou ao PÚBLICO que recebeu uma nota da DGCI de 23 de Outubro passado a pedir cerca de 35 mil euros, já incluindo juros de mora, referentes a actividade desenvolvida entre 2005 e 2008. O actor queixa-se de sempre ter pago os seus impostos, sempre lhe disseram que estava tudo bem e agora tem de prestar uma garantia bancária se quiser protestar e impedir a liquidação.

A GDAIE, numa nota, conta como se desmultiplicou em iniciativas. Apresentou a 24 de Setembro passado à DGCI uma lista de casos. Organizou reuniões com artistas, contratou fiscalistas. E ontem, após pedido de esclarecimento pela comunicação social, o Ministério das Finanças veio reiterar a sua promessa de 1 de Julho passado. "Os erros individuais e pontuais assinalados serão objecto de análise rápida e adequada pela administração fiscal, por forma a que o enquadramento constante do ofício circulado n.º 30109, de 9 de Março só tenha efeitos a partir dessa data, no estrito cumprimento do artigo 12.º da Lei Geral Tributária".

Mas a mesma nota clarifica que a lista entregue pela GDAIE refere-se a casos de correcção de imposto que "não tiveram como origem a aplicação retroactiva do citado entendimento", mas sim de "liquidações adicionais feitas a artistas no âmbito de procedimentos de inspecção, por falta de liquidação de imposto, sem qualquer relação com o referido entendimento". Ou seja, a liquidação irá prosseguir na maior parte dos casos.

Este esclarecimento visa derrubar alguns dos argumentos dos artistas visados quanto à ilegalidade da liquidação. Caso se trate da aplicação retroactiva do novo entendimento da DGCI, os artistas poderiam alegar a própria Lei Geral Tributária (artigo 68.º-A) que impede a aplicação retroactiva "perante os contribuintes que tenham agido com base numa interpretação plausível e de boa-fé da lei as orientações genéricas que ainda não estavam em vigor no momento do facto tributário". Sendo o resultado de uma correcção de imposto a pagar, o caso parece complicar-se. Resta saber, como adianta a GDAIE, se as inspecções estão a ser feitas com base no novo entendimento, definido em Março.

Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

O marketing mentiroso de Sócrates, o roubo habitual da Câmara Municipal, e as pessoas exploradas e roubadas na sua vida



Desemprego na UE = 12 mil/dia


Na União Europeia perderam-se 4,3 milhões de empregos desde o início da crise económica (causada pelo "subprime").

Actualmente perdem-se por dia 12.000 empregos na UE e há países, como a Espanha ou a Irlanda, que estão a ser mais afectados.

Em Portugal,desde 2007 cerca de 139 500 pessoas já perderam o seu emprego, ou seja:houve uma queda de 2,7% no emprego.

Mas os PIB's Europeus desceram muito mais do que o emprego, pelo que ainda há muitos especialistas que já avisaram que o pior ainda não passou.

Infelizmente o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) não permite aos Governos e à UE actuar sobre o desemprego através de medidas conjunturais e o Banco Central Europeu também só tem em vista o combate à inflação.

Noticia: aqui.

Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Smoke and mirrors: Sócrates o Ilusionista


Smoke and mirrors is a metaphor for a deceptive, fraudulent or insubstantial explanation or description.

Ontem, com grande pompa e circunstância, o primeiro ministro anunciou aquilo a que muitos jornais e televisões chamaram de trunfo: a alteração das regras de forma a que bastem 12 meses (antes eram 15) de descontos para se receber o subsidio de desemprego.

Mas vamos ler as letrinhas pequenas: esta medida só atingirá as pessoas que fiquem desempregadas a partir de 1 de Janeiro de 2010 e deverá atingir apenas 8 a 10 mil desempregados.

Num país que já ultrapassou os 600 mil desempregados e com os milhares de trabalhadores a falsos recibos verdes ou em condições de sub emprego este anúncio não me parece mais do que um truque de ilusionismo.

Notícias: aqui e aqui

Ricardo Santana

Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Ministra do Trabalho escreve na pedra


A Ministra do Trabalho já interveio no debate do programa de Governo na Assembleia da República expondo os 5 pontos essenciais que irá defender durante esta legislatura, a saber:
1) Combate à pobreza de que trabalha e tem filhos;
2) Apoio aos portadores de deficiências;
3) Aumento das pensões de reforma;
4) Passagem de 15 para 12 meses de trabalho para se receber o subsidio de desemprego;
5) Aumento do salário mínimo como acordado em concertação social (Governo, Patrões e Sindicatos) em Dezembro de 2006.

Disse ainda que iria defender o sistema de Segurança Social dos ataques privatizadores e que o tornaria mais rigoroso (!) e sustentável.

Defendeu o Código de Trabalho Vieira da Silva.

Notamos que não houve uma palavra sobre precariedade.

Estamos cá p'ra ver.

Ricardo Santana

Sócrates anuncia bombons no seu 1º discurso à AR



No discurso inaugural desta legislatura da Assembleia da República o primeiro ministro anunciou que, até ao final de 2010, o subsidio social de desemprego (SSD) será alargado a todos os membros de agregados familiares com rendimentos inferiores a 461€ (antes era de 365€) e que prolongará o SSD durante 6 meses após o esgotar dos 12 meses.

Os Precários Inflexíveis sabem que estas medidas são um pequeno balão de oxigénio para muitas famílias que vivem hoje situações absolutamente desesperadas. No entanto, também temos a certeza que elas não bastam para a melhoria efectiva da vida destas pessoas e sabemos que existem milhares de pessoas que nem sequer recebem o SSD e que já não estão inscritas nas listas do IEFP.

Estas pessoas e os restantes trabalhadores precisam de mais do que docinhos e os Precários Inflexíveis estão expectantes de ver que medidas o novo Governo irá criar para ir ao encontro daquilo que definiu no seu programa como a maior prioridade: "Relançar a economia e promover o emprego".

Noticia: aqui