Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

Know How contrata a falsos recibos verdes

Os Precári@s Inflexíveis têm recebido várias denúncias de falsos recibos verdes na Know How para as Actividades de Enriquecimento Curricular.
Desta vez o net-empregos divulga uma oferta de trabalho a recibos verdes para Auxiliar numa escola de Benfica (ver aqui), onde a função é a Limpeza de Salas e Casas de Banho. A Know How é uma empresa de ensino de línguas e acção social, no entanto, coloca anúncios para auxiliares de acção educativa, tentando contratar pessoas a falsos recibos verdes, visto que, a limpeza de salas e de casas de banho é óbviamente uma necessidade permanente para qualquer estabelecimento de ensino.
Mas também nos têm chegado relatos de vários professores das AEC's que, à revelia da legislação que enquadra a sua actividade e que obriga que todos estes professores estejam contratados, trabalham para a Know How a falsos recibos verdes. Aliás, chegam-nos testemunhos de professores que são contratados para dar aulas de certas disciplinas para as quais não estão habilitados ou de outros que, apesar de habilitados, são despedidos sem nenhuma justificação, sendo substituidos pela primeira pessoa que aparece, mesmo que não tenha nenhuma competência para aquela temática, prejudicando gravemente os alunos.

30 mil já confirmaram (Facebook) para o Protesto da Geração à Rasca

Paula Gil, João Labrincha, António Frasão e Alexandre de Sousa Carvalho são os organizadores do protesto da Geração à Rasca que vai acontecer no próximo dia 12 de Março na Avenida da Liberdade em Lisboa e na Praça da Batalha no Porto. Os organizadores do protesto deram, na passada sexta-feira, uma entrevista ao Público (ver aqui) onde explicam como surgiu a ideia deste protesto e quais as suas expectativas. Os Precári@s Inflexíveis estão solidários/as com este protesto e estarão presentes no dia 12 de Março.

Evento Protesto Geração à Rasca no Facebook

Amanhã, 3a feira, concentração-manif pelos direitos dos profs das AECs em Campo de Ourique

Os cerca de 15.000 professores das Actividades de Enriquecimento Curricular asseguram uma parte importante de actividades nas escolas do 1º ciclo do ensino básico. Eles e elas asseguram não só que as crianças podem aceder a conteúdos e aprendizagens diversas para além do currículo escolar, mas também, asseguram que as crianças têm um apoio e um local para existir durante a barbárie social e precariedade a que os pais estão sujeitos no seu dia de trabalho. As cada vez maiores chantagens para manter o emprego trazem como uma das penalizações a aceitar a extensão de horários de trabalho muito para além do que uma sociedade civilizada deveria aceitar.

Sábado, 26 de Fevereiro de 2011

Valete: Subúrbios


5 da matina
já todos caminham pr'o o mesmo enredo
porque nos subúrbios
o sol levanta sempre mais cedo
É um povo escravizado nesta sociedade de extremos
trabalham 2 vezes mais e ganham 2 vezes menos
(...)
Sempre que há drama só contigo é que podes contar
Porque 112 aqui pode ser o nº do azar
Bófias vêem pr'os Subúrbios com arrogância e prepotência
Por isso é que forças de segurança
aqui só trazem insegurança
vêm numa de roubar pretos com armas e cacetetes

Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011

Cinema: Primeiras Quintas :: Tootsie

Na segunda edição do Primeiras Quintas os Precári@s Inflexíveis trazem um filme improvável: Tootsie, quando  ele era ela de Sydney Pollack (1982).

Neste filme um actor sofre a dura vida da intermitência. Desempregado, tenta a sua sorte em cada casting, mas para os produtores Dustin Hoffman nunca é a escolha certa porque ou é demasiado gordo, ou demasiado magro, ou demasiado forte, ou demasiado pequeno...

Um dia, farto de nunca ficar com os trabalhos, Dustin Hoffman torna-se em Tootsie, uma mulher quarentona que ganha um papel secundário numa telenovela machista.

Esta é uma comédia mainstream que, apesar disso, nos permite discutir os problemas da intermitência e do machismo da industria televisiva.

Como sempre, as iniciativas dos Precári@s Inflexíveis são abertas a todos/as que se quiserem juntar a nós na próxima quinta-feira (03 Março) às 21h30 na Lx Factory.

Segurança Social ameaça mais de 20 mil trabalhadores a recibos verdes

Segurança Social vai notificar trabalhadores a recibos verdes, mas perdoa a dívida a milhares de entidades empregadoras incumpridoras

O Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social anunciou hoje que a Segurança Social vai notificar, até ao final do mês, mais de 20 mil trabalhadores a recibos verdes para cobrança de dívida. O Governo avisa que esta é uma primeira etapa de um conjunto de acções que vão incidir ao longo de todo o ano sobre os segmentos mais frágeis dos trabalhadores. Ao ignorar a verdadeira situação destes milhares de pessoas, a Segurança Social está a transformar-se em mais um elemento de chantagem contra aqueles que devia proteger. 

1ª Assembleia MayDay Lisboa 2011 :: 3ª F :: 2 Março :: 21h :: SOLIM

O 1º de Maio é o dia de todos os trabalhadores, é o dia do movimento dos trabalhadores. No 1º de Maio festeja-se e fortalece-se a capacidade de união e organização colectiva e por isso ferve nas ruas a força da insubmissão, da solidariedade e da alternativa.

Estaremos juntos na rua, num combate pelas nossas vidas. Contra a precariedade e a exploração impostas a todos os trabalhadores, de forma intergeracional. Os Precários Inflexíveis juntam-se ao movimento MayDay e participam na convocatória da 1ª Assembleia MayDay Lisboa 2011:

Arrentela: mais violência policial

No passado fim-de-semana, o bairro da Boa Hora, na Arrentela (Seixal), voltou a ter noites de violência. As notícias falam de um autocarro incendiado como uma “questão pontual”, mas quase todas omitem a agressão feita pela PSP a um jovem na véspera desta ocorrência.

Tudo terá começado na sequência de um conflito num jogo de futebol, depois de Dutchu, um dos jogadores, ter sido abordado pela PSP e levado para a esquadra onde o rapaz terá sido violentamente agredido. Resultado da agressão: uma cirurgia maxilofacial decorrente da agressão no maxilar.

Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

XI. O que é o Falso Trabalho Temporário?

Trabalhadores temporários são todos e apenas aqueles que trabalham para Empresas de Trabalho Temporário (ETT) e que por isso estão submetidos a legislação própria (Arigo 172.º ao 192.º do Código do Trabalho). Uma legislação injusta e, na maioria das situações, pior do que qualquer outro tipo de relação de trabalho previsto na lei, pois entre outras injustiças não impõe qualquer limite ao número de renovações de contratos e desresponsabiliza os verdadeiros empregadores, designados no Código do Trabalho por "Empresas Utilizadoras" - aquelas que requerem os serviços das ETT's. Mas as diversas injustiças já contempladas na legislação não chegam aos patrões das ETT's, para quem a impunidade é um facto e por isso transgridem a lei permanentemente e de forma diversa, de seguida abordamos a mais comum.

A maioria dos trabalhadores temporários - 400 mil trabalhadores, anunciou recentemente o patrão dos patrões das ETT's, Marcelino Pena Costa - trabalham em situação ilegal, são falsos trabalhadores temporários, porque executam funções permanentes, transgredindo as regras de admissibilidade para este tipo de relações laborais determinadas pelo Artigo 175.º do Código do Trabalho.

Portway: chantagem sobre os trabalhadores precários por intermédio da Adecco


A Adecco, ao serviço da Portway, estará a chantagear os trabalhadores precários no acesso ao posto de trabalho, obrigando a que estes tenham de pagar 350 euros para terem acesso à formação necessária ao posto de trabalho. Está ainda incluído no processo, um conjunto de 19 dias úteis em que o trabalho não é remunerado, ou seja, trabalho escravo.

ACT confirma existência de trabalhadores a falsos recibos verdes no British Hospital

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda enviou-nos a resposta do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social às suas perguntas que tiveram como origem a denúncia do FERVE sobre 7 trabalhadores a falsos recibos verdes no British Hospital, nalguns casos, desde há 13 anos. Foi reconhecido pela ACT que os trabalhadores têm de ser integrados nos quadros do hospital e repostos os seus direitos. Pelo meio, a administração do hospital deverá responder por um auto de notícia levantado na acção inspectiva.

Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

PSD e CDS-PP apresentam propostas de incentivo à precariedade

O PSD e o CDS-PP continuam a defender a tese de que mais vale um emprego precário do que o desemprego. A proposta do PSD, para flexibilizar a contratação a prazo de jovens à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração, e a proposta do CDS-PP para aumentar o limite máximo de duração dos contratos de trabalho a prazo, parecem ignorar que mais de 40% dos novos desempregados são derivados do fim do trabalho a prazo e que 9 em cada 10 empregos são precários (segundo o Banco de Portugal).



Trabalhadores da Groundforce substituídos por precários



Ver também:
Aeroporto de Faro - Estado Português na Vanguarda da Promoção da Precariedade Laboral

Depois dos despedimentos na Grounforce em Faro, Adecco contrata trabalhadores precários para o Handling no Aeroporto (Actualização)
Groundforce pronta para ser vendida arrasta centenas de trabalhadores para o desemprego

Trabalhadores Gregos em Greve Geral


Hoje a Grécia voltou a ser palco de uma nova Greve Geral contra a submissão às fortes medidas de austeridade exisgidas  pelos apoios externos. É a primeira vez este ano, mas já a 8ª vez que Atenas pára com uma greve geral desde que as medidas de austeridade começaram a ser implementadas.

Nesta greve juntam-se trabalhadores, pensionistas e desempregados que são os mais afectados com as medidas de contenção orçamental.
Os transportes pararam, as escolas fecharam, os hospitais estão a cumprir os serviços mínimos e até os jornalistas fizeram greve, estando os canais de televisão e rádio públicos sem actividade real durante o dia de hoje.

X. 400 mil Trabalhadores Temporários em 2010

Com a gradual destruição da contratação colectiva e a cada vez maior liberalização dos despedimentos a precariedade tem vindo a ganhar terreno nos últimos anos. Primeiro pela imposição e generalização dos contratos a prazo e dos falsos recibos verdes e, com especial destaque nos últimos anos, a proliferação das Empresas de Trabalho Temporário (ETT), que para além de permitirem a infinita renovação de contratos de curta duração, fragmentam ainda mais as relações de trabalho e possibilitam a redução de salários, pois mais de 40% destes são capturados pelas ETT's - um negócio chorudo para patrões oportunistas.

O representante dos patrões das ETT's, Marcelino Pena Costa, presidente da APESPE, veio anunciar a existência de 400 mil trabalhadores temporários em Portugal relativamente ao ano de 2010, num artigo publicado no Jornal Sol, na passada 6ª feira, um crescimento de 300 mil comparativamente ao que teria comunicado em Setembro do ano passado relativamente ao ano de 2009.

Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

Eu não sou parva mas também não sou livre. Rasca nunca fui mas francamente começa a faltar-me a paciência

Sempre achei um piadão àquelas frases que parece bem as pessoas terem na ponta da língua, como lições de existência, tipo: "O dinheiro não traz felicidade". Nunca vi alguém proferir esta última que não estivesse confortavelmente instalado na vida. A não ser, eventualmente, um daqueles eremitas num longínquo cume tibetano: acredito plenamente que para alguém que vive em beatitude zen, pouco é de facto necessário para ser feliz. Se eu vivesse sozinha, sem ninguém que de mim dependesse, talvez fosse essa - ou outra parecida - a minha opção: partir para um país distante, procurar a paz e a serenidade no silêncio e aliviar a minha sede de absoluto na comunhão mística com a natureza. Comer ervinhas dos campos, pastar ovelhas e escrever livros que tornariam o meu nome património da humanidade, que me valeriam um nobel quando eu fosse muito velhinha e sábia e já só dormisse quatro horas por noite e sobrevivesse a chá e a papas de arroz. Depois fariam reportagens comigo ao pé das árvores centenárias e a passear os meus cães à beira-mar mostrando como a vida campestre e frugal dá saúde e faz bem à criatividade e era feliz para sempre.

Só que eu cresci em Portugal e meti na minha teimosa cabecinha esta ideia de ser jornalista, talvez porque, quando era miúda, me tivessem convencido que tinha jeito para estas coisas da escrita, que até era uma gaiata curiosa, com boa memória, facilidade de relacionamento, capacidade de análise... enfim, toda uma série de características que pareciam traçar-me um futuro brilhante, não fora o feitio algo rebelde. Mas até isso, diziam alguns, era bom porque o jornalista não se queria acomodado e obediente mas sim crítico e acutilante.

Não boto esta posta para contar a história da minha vida mas acontece que o meu futuro não foi brilhante. Ou melhor: o meu futuro foi sempre brilhante, o presente é que sempre tardou em chegar. E quando chegou nunca foi sob a forma de um contrato fantástico, nem sequer sob a forma de um contrato. No jornalismo propriamente dito não sei o que isso seja desde que, em 1998, logo após ter sido mãe pela primeira vez, me foi proposta uma "rescisão amigável". Claro que, embora na altura ainda tivesse muitas ilusões sobre este mundo, eu sabia muito bem que aquela proposta estava longe de ser amigável, era apenas uma forma pouco subtil de me dizerem "agora ou sais a bem ou sais a mal mais tarde e se escolheres sair a mal mais tarde a malta vai-to fazer sentir na pele, mas, claro, tu é que sabes...".

60% dos trabalhadores no desemprego não tem acesso ao Subsídio de Desemprego

Um retrato actualizado sobre a pobreza foi divulgado no Correio da Manhã com base em números do INE. Um país manchado por desempregados, famílias inteiras que dependem de biscates e da solidariedade de amigos ou instituições. Muitas destas, dependendo do cada vez mais reduzido Rendimento Social de Inserção (o famoso RSI), vêem em risco a subsistência devido ao contínuo ataque político a esta parcela que não ultrapassa os 2% do orçamento pela Segurança Social.

IX. Vitalino Canas - Provedor do Trabalho Temporário (Parte I)

PROVEDOR DAS EMPRESAS DE TRABALHO TEMPORÁRIO.
Em 2007 Vitalino Canas foi nomeado Provedor da Ética Empresarial e do Trabalhador Temporário. É sem dúvida uma designação falaciosa, afinal Vitalino, representa não os interesses dos trabalhadores temporários, mas sim das empresas de trabalho temporário. Vitalino só poderia mesmo representar os interesses das empresas, e nunca o interesses dos seus trabalhadores. Mal estariamos se coubesse à APESPE ou a outra qualquer associação empresarial decidir quem devem ser os representantes legítimos dos trabalhadores.

Não é para fazer a desfeita, mas além de Vitalino Canas não ser o provedor do trabalhador temporário, acresce o facto de também não ser o provedor da ética empresarial. Ou será que podemos falar de ética empresarial referindo-nos a um conjunto de empresas com práticas salariais indexadas ao salário mínimo? Isto equivale a pagamentos na ordem dos 2,80€ por hora, para funções que muitas vezes comportam riscos elevados para a saúde dos trabalhadores, como é o caso dos call-centers, o negócio principal de muitas das empresas de trabalho temporário.

Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

Dia 12 de Março :: Liberdade é ter direitos no trabalho e na vida :: Todos à Av. da Liberdade

A democracia só é possível com liberdade na vida e no trabalho. Ter direitos é assumir que a solidariedade e os direitos essenciais são o objecto da democracia e da economia. Enquanto os ideólogos da precariedade nos querem fazer acreditar que a precariedade é fruto da liberdade, nós vamos gritar-lhes que não aceitamos voltar a ser escravos da acumulação de alguns. 

Dia 12 de Março, na manif Geração "à rasca" e 19 de Março, na manif nacional da CGTP, vamos gritar-lhes até que as gargantas doam... "Precários nos querem, rebeldes nos terão!"



Aeroporto de Faro - Estado Português na Vanguarda da Promoção da Precariedade Laboral

Chegou ao conhecimento dos Precários Inflexíveis na passada sexta-feira que a Empresa de Trabalho Temporário Adecco Recursos Humanos havia lançado um anúncio de emprego para as últimas 20 vagas para Operador de Assistência em Escala no Aeroporto Faro. Outras ofertas para função semelhante já haviam sido divulgados pela Adecco (um com final do recrutamento a 14 de Fevereiro e outro anterior sem tal informação), sem especificar o número de trabalhadores temporários a recrutar, mas rondarão os 100, segundo informação da Adecco. O PI efectuou a devida denúncia num comunicado de imprensa.

Tendo no passado dia 10 de Fevereiro começado a ser efectivado o despedimento colectivo dos trabalhadores da Groundforce (propriedade da TAP e 100% propriedade do Estado Português), a contratação de trabalhadores para ocupar os mesmos postos de trabalho é visivelmente um megafone para a mudança de paradigma da realidade laboral imposto em primeiro lugar, pelo Estado Português sob a égide do Partido Socialista. Segundo informação da Adecco de Faro, a contratação dos operadores de assistência em escala destina-se à empresa de handling Portway. Ora a Portway é propriedade da ANA (e 100% propriedade do Estado Português).

Domingo, 20 de Fevereiro de 2011

Precariedade em debate no "Expresso da Meia-Noite"

Tiago Gillot, dos Precários Inflexíveis, participou no programa "Expresso da Meia-Noite" da SIC Notícias. Foi um debate que permitiu perceber vários dos argumentos dos habituais opinadores, mas desta vez confrontados directamente com a visão de um trabalhador precário.

Ficou sublinhado, pela voz do Tiago, que a precariedade não é uma inevitabilidade mas uma escolha trágica; mas também que os trabalhadores precários afirmam a inexistência de qualquer confronto de gerações ou divisões entre trabalhadores, ideia que insistentemente procura lançar os trabalhadores uns contra outros. Pelo contrário, estamos juntos porque sabemos que os direitos não são luxos e que a precariedade é um projecto global. A luta contra a precariedade é do conjunto dos trabalhadores e assim vem sendo assumida. 

Clica em Ler mais... para veres o vídeo do programa completo.

Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

Público: Ministério recusa-se a responder pelo erro no e-mail enviado pela Segurança Social aos trabalhadores a recibos verdes

Uma notícia na edição de hoje do jornal Público (ver link no final) explica como o e-mail enviado pela Segurança Social aos trabalhadores a recibos verdes continha informação errada. Como já tínhamos denunciado aqui, os serviços da Segurança Social, depois de tanto tempo sem prestar as informações necessárias tendo em conta a entrada em vigor do Código Contributivo, optou por enviar um e-mail aos trabalhadores a recibos verdes no qual dá exemplos que induzem em erro. Apesar de explicar as novas regras, os exemplos no e-mail omitem a forma como se apura o valor das contribuições mensais até Outubro. A razão para esta confusão é simples: os serviços da Segurança Social preferiram não explicar aos trabalhadores a recibos verdes que, na maioria dos casos, vão pagar mais até Outubro. O silêncio do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social é mais uma demonstração da forma como este Código Contributivo foi pensado e implementado: contra os trabalhadores em maiores dificuldades e desprezando o seu direito à informação.
As razões para este aumento de quase 30 euros mensais nas contribuições dos trabalhadores a recibos verdes estão bem explicadas no artigo do Público e já tinham sido divulgadas há muito tempo pelos Precários Inflexíveis (ver aqui). É mais uma injustiça deste Código Contributivo, que continuaremos a denunciar enquanto exigimos justiça nas contribuições e uma Segurança Social que assegure as funções que o conjunto da sociedade legitimamente espera dela.

Debate em Coimbra :: Segurança Social: Direitos e Contribuições

Via: "Conversas sobre Segurança Social: direitos e contribuições"

Realizou-se esta tarde, Sábado dia 19 de Fevereiro pelas 15h mais um debate, desta vez em Coimbra, no âmbito da companha "Segurança Social: Direitos e Contribuições" na Associação Arte à Parte. Este debate contou com a presença dos três movimentos de precários Precários Inflexíveis, Ferve e Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e Audiovisual. 

Foram debatidos a importância da Segurança Social e a justiça nas suas contribuições assim como as características do Código Contributivo actualmente em vigor, que perpetua uma forma de contribuição desvinculada dos rendimentos reais dos trabalhadores a recibos verdes.  Isto apesar dos diversos escalões previstos onde estes trabalhadores podem estar enquadrados.
Afirmou-se ainda a necessidade de um combate urgente em defesa de uma Segurança Social que responda às necessidades concretas de todos os trabalhadores.

Esta campanha continuará a percorrer o país em defesa da Segurança Social e a afirmar a existência de alternativas à austeridade e ao ataque aos mais fracos.

Opinião: Publicidade do Pingo Doce (0%)

Estamos todos a ser horrivelmente saturados com a publicidade 0% do Pingo Doce. Em qualquer canal, em horário nobre, levamos com 3 anúncios por intervalo. Quem não sabe já quase de cor a letra daquela música, que ainda por cima, é daquelas que fica na cabeça e se cantarola o resto do dia?
Algumas pessoas começam a questionar-se quanto terá investido a Jerónimo Martins nesta campanha? Um pequeno balúrdio!?! Posso dizer que não sei, mas arriscaria, olhando para a cobertura dos meios, que deve rondar os 25/30 milhões de euros.


"No acumulado de Janeiro a Outubro a liderança permanece também nas mãos das marcas de distribuição da Sonae, com o Modelo Continente a representar um volume de investimento de 162,5 milhões de euros. Seguem-se (...) Pingo Doce (82,3 milhões)." (Aqui)

Pergunto: Quem paga estes milhões todos????? Obviamente que os capitais que estas empresas conseguem acumular para investir em publicidade vêm, sem dúvida de terem custos reduzidos quando comparados com os proveitos. Não vêm de certeza dos bolsos dos sócios. Ora duas uma (ou mesmo as duas): ou os clientes pagam preços demasiado altos quando comparados com os preços de custo deles, ou os empregados recebem menos do que produzem! Ou seja, cai sempre aos mesmos: NÓS!!!!!! Nós pagamos muito (com a precariedade e os preços cada vez mais altos) para levar com uma enxurrada de publicidade cansativa!

Debate Segurança Social Direitos e Contribuições :: Coimbra :: Sábado(19/Fev)::15h

Após os dois primeiros debates no Porto e em Braga, realiza-se hoje (Sábado) em Coimbra pelas 15h na Associação Arte à Parte o 3º debate desta nova fase de luta da campanha "Antes da dívida Temos Direitos".

Há muitas dúvidas, questões e muita informação para partilhar sobre a entrada do novo Código Contributivo realizada a 1 de Janeiro de 2011. Para além de injusto, confuso e desajustado da realidade este promove ainda mais a instabilidade laboral e das nossas vidas. Vem fazer parte deste debate e organiza a resposta!

Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Depois dos despedimentos na Grounforce em Faro, Adecco contrata trabalhadores precários para o Handling no Aeroporto (Actualização)

Clica para veres o anúncio
A Groundforce e a Adecco apressam-se a desmentir ou a retirar a força da denúncia sobre a situação inaceitável que consiste na substituição de trabalhadores com direitos por trabalhadores precários para uma mesma função, no mesmo local, para o mesmo patrão último, o Estado.

Tal como tínhamos afirmado, os despedimentos na Groundforce no Aeroporto de Faro inserem-se numa perspectiva de rentabilização da empresa através da precarização do trabalho, visando esta estratégia, vender a empresa Groundforce com o mínimo de encargos relativos a trabalhadores com direitos.


A Adecco - Empresa de Trabalho Temporário - que recruta os trabalhadores para a Portway, acabou  hoje por confirmar que o movimento realizado pelas empresas consistiu em transferir o trabalho realizado por trabalhadores com direitos da Groundforce para trabalhadores precários na Portway. Estes trabalhadores certamente ganharão menos salário e terão menos direitos, pois essa é a natureza do trabalho precário.

Para além deste facto, a Groundforce é detida totalmente pela TAP e a Portway é totalmente detida pela ANA Aeroportos. Ambas, TAP e ANA, são empresas de capitais maioritariamente públicos, ou seja, sob a tutela do Ministério dos Transportes, o Estado. O Estado torna-se assim, por via de uma rede de empresas mediado por uma ETT - Adecco - num patrão que realiza a conversão de trabalho com direitos em trabalho precário.

Aqui fica o link para o anúncio da Adecco:

Reafirmamos assim  - agora ainda mais reforçada pelos "esclarecimentos" da Adecco -, que esta situação é inaceitável e pensamos que deve merecer a atenção urgente da ACT e do Governo. A Groundforce tal como a Portway estão, por intermédio da TAP e da ANA, sob a responsabilidade do Ministério dos Transportes e por isso o patrão destes trabalhadores é o mesmo, o Estado. 

Ver:
Groundforce: Portway está a "substituir" empresa em Faro
Portway contrata trabalhadores de handling para aeroporto de Faro
Groundforce pronta para ser vendida arrasta centenas de trabalhadores para o desemprego (PI)
Groundforce: Contratações em Faro são para a empresa Portway - Agência de Recrutamento
Portway pode absorver metade dos despedidos da Groundforce
e ainda mais notícias aqui, aqui, aqui ou aqui.

Segurança Social envia email aos recibos verdes com informações erradas

A dois dias do prazo de pagamento das contribuições dos trabalhadores independentes à Seg. Social, o Instituto da Seg. Social decidiu enviar um email (ver LER MAIS) explicando finalmente a todas as pessoas quais as alterações que o Código Contributivo traz. No entanto, e apesar de explicitarem que, embora a taxa tenha subido já em Janeiro para 29,6%, só em Outubro é que a nova base contributiva entra em vigor, o email tem um exemplo que afirma que as pessoas irão pagar 124,09€ de contribuição quando, na verdade, até Outubro todos os trabalhadores independentes que antes se encontravam a pagar as suas contribuições segundo o 1º escalão irão pagar 186,13€.

Apesar disto, todos os que ainda não estavam a pagar antes da entrada em vigor do Código Contributivo (Janeiro 2011) pagarão 124,06€ (tira todas as dúvidas aqui).

A campanha de desinformação e o desrespeito que o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social demonstra pelos (falsos) trabalhadores independentes é gritante, visto que, até agora, nunca os quis esclarecer e, quando decide esclarecer, informa erroneamente milhares de pessoas.

Se recebeste este email deves contactar rapidamente o ISS (tel.: 808 266 266) para esclarecer a tua situação (se necessário) e poderás verificar a realidade da tua carreira e situação contributivas.

Testemunho :: Grupo 8 obriga os candidatos a revelar com quem vivem e qual o rendimento dessas pessoas

Divulgamos um curto testemunho, com a denúncia de alegados processos ilegais na selecção de candidatos na empresa de segurança Grupo 8.
Absolutamente vergonhoso. A empresa de segurança Grupo 8, obriga os candidatos a futuros empregados, a revelar com quem vivem, e qual o rendimento das pessoas com quem habitam. Isto é absolutamente vergonhoso, intrusivo, e nem devia poder acontecer do ponto de vista legal. Não sei se é permitido ou não, mas se o é, é uma absoluta vergonha. Como pessoa – licenciada – que procura emprego, ao confrontar-me com esta situação, saí e vim embora das instalações da Grupo 8 em Lisboa. Que intrusão descarada. Deviam ter vergonha. A «besta» ainda por cima tratava mal as pessoas / candidatos. xxxx de xxxx.
17 de Fevereiro de 2011 17:00

Cortes na Cultura: Ada Pereira da Silva - Eu devo ser é tolinha...

Via Facebook da Ada Pereira da Silva sobre os 5M€ anunciados pela Ministra da Cultura.

Eu devo é ser tolinha...
... porque parva não sou!
Ontem houve grande festa de uma ministra a festejar ter uns novíssimos 5 milhões para gastar. Fixe! Claro que esses 5M não chegariam para pagar a parcela da administração central à Casa da Música. Mas isso não é relevante.
Eu, como não sou parva, fui ver quanto era o corte global de orçamento do ministério dessa ministra: 30M, contando com as cativações previsíveis e à cabeça. Realmente são agora só 25M de corte num orçamento global de 200M (em números redondos, porque é menos). É bom! Muito bom!

Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

Reportagem Visão:: Tiago Gillot: "tem havido aproveitamento da canção dos Deolinda"

ACT responde rapidamente à denúncia sobre o IEFP

José Luís Forte (Inspector-Geral da ACT)
O grupo FERVE e os Precários Inflexíveis receberam uma resposta quase imediata da ACT sobre a denúncia realizada pelos movimentos na passada quarta-feira de manhã. Os movimentos denunciam a redução de honorários que está a ser levada a cabo pelo IEFP sobre trabalhadores a falsos recibos verdes. Todos os formadores estão a ser triplamente penalizados: trabalham a falsos recibos verdes, viram o valor/hora ser reduzido e os honorários mensais taxados como se fossem funcionários públicos de direito, mas de facto, sem direitos, e viram ainda capturada parte do seu salário sem que seja esclarecido para onde está a ser dirigido o dinheiro capturado.

Ao contrário do que é habitual, a ACT respondeu rapidamente aos movimentos sobre a denúncia realizada. Com o texto que se transcreve abaixo a ACT afirma que não tem responsabilidades inspectivas para o sector da administração pública. 


Registamos a rapidez da resposta e fazemos votos para seja possível obter sempre respostas tão céleres sobre todas as denúncias sobre o sector privado que fomos e vamos fazendo. 

Um milhão e meio de Trabalhadores Precários :: 10.706 casos de trabalho ilegal na ACT

No dia em que o PCP propôs criminalizar o (ab)uso dos falsos recibos verdes em Assembleia da República, alertou pela voz do deputado João Oliveira que, para além dos mais de 700 mil desempregados – “a maioria sem subsídio de desemprego” e com o número de licenciados sem emprego “mais elevado desde 2003” –, existem mais de um milhão e meio de trabalhadores precários com os salários “dos mais baixos da Europa”.

Antes disso, a ministra do Trabalho e Solidariedade Social, Helena André, anunciava que “o número de casos detectados em situação [laboral] ilegal em Portugal aumentou para 10.706 em 2010, quase o dobro dos 5.631 de 2009”. Helena André garantiu ainda que se pretende “uma ainda maior eficiência dos serviços públicos de emprego e dos serviços de inspecção, fundamentais para aumentar os níveis de empregabilidade e para reduzir os níveis de precariedade”.

Deputados do PCP e do BE confrontam Governo e Ministra do Trabalho na AR sobre precariedade e falsos recibos verdes

O PCP e o BE confrontaram o Governo e a Ministra do Trabalho - Helena André - sobre a exploração e a precariedade galopante revelada pelo novo record de desemprego atingido em Portugal 11,1%.
O PCP, através do deputado Bernardino Soares, introduziu uma proposta no sentido de criminalizar a utilização dos falsos recibos verdes pelas entidades empregadoras nas situações de contratação para funções que correspondam a necessidades permanentes. Propôs ainda, a reconversão dos recibos verdes em contratos efectivos, sem obrigatoriedade de intervenção judicial e com inversão do ónus da prova, sempre que o trabalhador trabalhe em prestação de serviços para a mesma entidade durante um período significativo de tempo, passando a recair sobre as entidades patronais o ónus de demonstrar a legalidade do recibo verde.

Testemunho :: Ex-trabalhador temporário perde o subsídio de desemprego por incompetência da ETT Manpower

Divulgamos aqui o testemunho de um ex-trabalhador da Empresa de Trabalho Temporário (ETT) Manpower que ficou sem subsídio de desemprego e com as contas por pagar devido à irresponsabilidade da empresa que, depois de confrontada com a situação ainda tenta desresponsabilizar-se:

«Manpower, o que dizer de uma das maiores companhias de recrutamento em Portugal. Pois bem e passo a contar o problema que esta magnífica companhia me conseguiu criar:

Estando desempregado e a receber o Subsídio de Desemprego, a Manpower nos últimos 6 meses mais coisa menos coisa deu entrada na Segurança Social de não um mas dois contratos de trabalho fictícios, o que aconteceu como resultado da acção da Manpower foi o cancelamento do Subsidio de Desemprego de um dia para o outro sem aviso e tendo me deixado sem dinheiro e sem maneira de pagar as minhas contas. »

Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

"À Rasca", mas com resposta "na mão"

Têm-se multiplicado notícias, reportagens, entrevistas, conversas sobre a nova constatação de que existe uma geração com dificuldades laborais diferentes das da geração anterior. De facto, a precariedade "pôs o pé na porta" e quer ficar. Mas já não é só um problema geracional. E esta geração e as outras já estão a preparar resposta.
Um grupo de jovens tomou a iniciativa de agendar um protesto para o próximo dia 12 de Março, na Av. da Liberdade. É o Protesto da Geração à Rasca.
Aqui fica mais um programa sobre o tema, na TVI24, para o qual os Precários Inflexíveis foram convidados.

FERVE e Precários Inflexíveis denunciam :: IEFP promove precariedade a falsos recibos verdes e redução nos pagamentos

O FERVE e os Precários Inflexíveis denunciam a redução de honorários que está a ser levada a cabo pelo IEFP sobre trabalhadores a falsos recibos verdes. Todos os formadores estão a ser triplamente penalizados: trabalham a falsos recibos verdes, viram o valor/hora ser reduzido e os honorários mensais taxados como se fossem funcionários públicos de direito, mas de facto, sem direitos, e viram ainda capturada parte do seu salário sem que seja esclarecido para onde está a ser dirigido o dinheiro capturado.

Desemprego record de 11,1% à custa das mulheres, de mais qualificações e de desempregados de longa duração

Fonte INE
Segundo o jornal Público, no 4º trimestre de 2010 (não apresentado no gráfico) "a população desempregada aumentou 9,9 por cento face ao período homólogo de 2009, enquanto o desemprego entre as mulheres teve um crescimento de 14 por cento." . Mais de metade do total de desempregados, 315,4 mil pessoas, eram mulheres.


O Público revela ainda que segundo o INE, o número de pessoas desempregadas de longa duração aumentou 20,8 no último ano: "Ao todo, havia 337,5 mil desempregados de longa duração no último trimestre de 2010 que representavam 54,5 por cento do total de desempregados. "


Testemunho :: Precariedade na Kelly Services e na PT

Divulgamos de seguida o primeiro testemunho de precariedade de uma trilogia de experiências vividas por um trabalhador de call center mediado pela  Kelly Services, uma Empresa de Trabalho Temporário, já abordada nesta campanha e alvo de outros testemunhos.

« Agência de escravos - Parte I

Foi através dos Serviços da Kelly que conheci de perto o trabalho num call center, mais concretamente no call center da PT, sediado nas Laranjeiras.

Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

UE aconselha baixa de salários para Portugal


Segundo informação divulgada, a União Europeia sugere ao Governo português "ajustar"  preços e salários e "flexibilizar" o mercado de trabalho para promover a competitividade. O Governo, pela voz de Carlos Zorrinho - Secretário de Estado da Energia e Inovação - não concorda "a cem por cento". 

Greves na CP

Os maquinistas da CP fizeram hoje uma greve entre as 5h e as 9h que teve, segundo o Sindicato dos Maquinistas, uma adesão total. Amanhã será a vez dos revisores e dos comerciais da CP realizarem uma greve de 24h.
Estes profissionais contestam assim os cortes salariais decretados pelo Governo no Orçamento de Estado de 2011.
Amanhã, prevê-se uma paralisação ainda maior da empresa, visto que para os revisores e para os comerciais das bilheteiras não foram decretados serviços mínimos pelo tribunal arbitral.
É um momento importante de contestação às injustas medidas do Governo, apoiadas pelo PSD e uma boa altura para que todos compreendam a importância do trabalho destas mulheres e homens nos transportes públicos ferroviários.
Os Precári@s Inflexíveis estão solidários com estes grevistas e com as suas justas reivindicações.

Ver notícia do Público aqui.

Código Contributivo: Discurso Directo na TVI24

Os Precários Inflexíveis foram convidados a participar no fórum Discurso Directo, na TVI24, para falar sobre Código Contributivo, no dia em que o CDS-PP agendou a discussão sobre este tema na Assembleia da República.
As nossas críticas e propostas à nova legislação sobre o regime de contribuições estão disponíveis aqui:


Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

Debate :: FMI ou como Morrer da cura

No passado dia 12 de Fevereiro, sábado, a sede dos Precários Inflexíveis acolheu mais um debate informativo. O tema foi "FMI ou: Como Morrer da Cura", tendo estado presentes cerca de 40 espectadores na Lx Factory, Lisboa.

Os convidados economistas João Rodrigues (blog Ladrões de Bicicletas e investigador do CES) e Sara Rocha (ATTAC) juntaram-se na mesa a João Camargo (PI) na procura de explicitar as principais linhas de acção que esta instituição impõe aos países a que é chamada, quais os efeitos que já teve no passado nos países ditos em desenvolvimento e nos últimos tempos na própria Europa.

Entre as principais constatações a que se chegou com o apoio do público interveniente, destaca-se que:

Testemunho: "JÁ NÃO POSSO MAIS!"

Não ficamos indiferentes a um testemunho que nos chegou através dos comentários no blog, e decidimos assim publica-lo, porque pensamos que ilustra bem o paradoxo, a hipocrisia e a injustiça a que a situação chegou. A pessoa revela de forma explícita como os direitos foram e estão a ser negados às novas gerações conduzindo-as a ciclos consecutivos de desemprego - empregos precários mal remunerados - impossibilidade de aceder a qualquer tipo de subsídio. Aproveitamos assim, para informar à pessoa em questão, e todas as outras que estão em situações semelhantes, para aparecer na próxima reunião do PI, dia 27 de Fevereiro na LX Factory pelas 20h, e terem em atenção às duas próximas grandes iniciativas de rua no combate à precariedade: a manifestação dia 12 de Março e o MayDay.

Carrega em Ler mais para ler o testemunho...

Primeiras iniciativas "Segurança Social: Direitos e Contribuições" :: Porto e Braga

Foto cedida por Velha-a-Branca (Braga)

Decorreram no Sábado, dia 12 de Fevereiro, os primeiros dois debates sobre a Segurança Social e o novo Código Contributivo. Estivemos no Porto, no Balleteatro, e em Braga, na Velha-a-Branca (fotos de Braga aqui, cortesia da Velha-a-Branca). 

A próxima sessão de conversa-debate será já no próximo Sábado, dia 19, às 15h. na Associação Arte à Parte, em Coimbra. (Vê a informação aqui no site da organização)

Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

Mubarak caiu. Viva o povo egípcio!

Opinião: Parvos? Quem somos afinal?

Já nos chamaram de ‘geração rasca’, de ‘geração à rasca’, de ‘geração nem-nem’ mas geração parva?! Haja limites!
Os Deolinda construíram uma canção que retrata a sociedade. Muito bem.
A história da música tem alguns exemplos de crítica à sociedade portuguesa que não resultaram. Dizer e depois vir dizer que não se disse, desacredita qualquer um. Mas são tudo interpretações. Os Deolinda nem sequer chamaram os bois pelos nomes, mas está lá tudo. Retrataram ironicamente uma geração (ou mais do que uma até).

A letra de “Que Parva que eu Sou” fez com que muitos se levantassem. Foi um momento de identificação para um colectivo, a da geração mais qualificada e maltratada de Portugal. Será um hino? Uma geração parva? Quem somos afinal?  Nem mais nem menos do que os muitos que vivem nesse “mundo parvo onde para ser escravos temos que estudar.”

JSD avança contra a lei da greve no Barreiro

Hoje, a Juventude Social Democrata (JSD) esteve na estação fluvial do Barreiro a entregar "justificações" para as faltas dos trabalhadores e alunos devido à greve da Soflusa, condenando a inexistência de transportes alternativos, ou seja, afirmando que a empresa deveria não ter acatado a lei da greve e deveria ter disponibilizado (ilegalmente) serviços que suprissem as faltas devido à adesão dos trabalhadores à luta legal e digna.

Semana de greves nos transportes :: Trabalhadores mobilizam-se contra a austeridade

2a. feira :: O Metropolitano entra em greve. A Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Transportes (Fectrans) informa que a adesão à greve ronda os 100 por cento, com todos os serviços do Metro de Lisboa paralisados entre as 6h30 e as 11h30. Os trabalhadores movem-se contra os cortes salariais devidos à austeridade selectiva imposta pelo Governo.

Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

Protesto da Geração À Rasca :: No Facebook

Foi convocado o Protesto da Geração À Rasca para o dia 12 de Março (sábado), às 15h, na Av. da Liberdade, em Lisboa.

Já são mais de 15.000 as pessoas contactadas via Facebook (ver aqui) e o seu manifesto é este:

Protesto apartidário, laico e pacífico.

- Pelo direito ao emprego!

- Pela melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade!

- Pelo direito à educação!

- Pelo reconhecimento das qualificações, espelhado em salários e contratos justos!

...Porque não queremos ser todos obrigados a emigrar, arrastando o país para uma maior crise económica e social!


VIII. Multipessoal - uma ETT do Grupo BES que presta serviços ao próprio grupo

O Grupo Multipessoal, que faz parte do Grupo BES, (GBES) congrega várias "empresas de recursos humanos" que operam em Portugal mas também noutros países, como Cabo Verde. O volume de negócios deste Grupo ronda os 50  milhões de euros resultantes do trabalho prestado por 5 mil trabalhadores a cerca de 400 clientes.

Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Testemunho :: resposta a "Ocupação: Desempregado"

Kambiz Derambakhsh/Iran

 Publicamos hoje este testemunho que recebemos nosso mail, escrito em forma de resposta a um artigo publicado na Revista Tabu, do Jornal Sol, no fim de semana de 15 e 16 de Janeiro de 2011.  O mesmo texto foi publicado no blog: Jovem Inexperiente.

"O título é sugestivo “Ocupação: Desempregado”, a letras bem gordas, para chamar a atenção do mais incauto leitor. O artigo serve de ponto de partida para este texto. Ponho os olhos abaixo e pasmo-me com um: preferem formações financiadas a propostas de trabalho..e até deixam fugir salários de 1.500 euros. Para qualquer cidadão que leia este triste artigo da jornalista Paula Cardoso sugere que muitos portugueses vivem à custa de subsídio de desemprego ou afins e que até preferem recusar um salário fenomenal, para os tempos que correm, de 1.500euros!!

Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

Movimentos de Precários lançam debate nacional "Segurança Social: direitos e contribuições"









Debaixo da chantagem da crise e das ameaças do FMI, a Segurança Social, uma das maiores conquistas de toda a história do movimento dos trabalhadores, parece ser cada vez mais cobiçada pelo capital financeiro. Os Precários Inflexíveis não desistem, defendemos a Segurança Social e estaremos na rua para juntar vozes contra a sua descapitalização, para a denúncia do saque representado hoje por mais de  6,6 mil milhões de euros em dívidas contraídas, na sua esmagadora maioria pelo patronato - valor superior ao actual ajustamento do Orçamento de Estado e à totalidade do retorno das medidas de austeridade aplicadas sobre os trabalhadores.

Segunda-feira, 7 de Fevereiro de 2011

Economia reproduz precariedade :: Contratados a prazo aumentam, Direitos e Salários diminuem

O JN divulga hoje que os trabalhadores precários contratados a prazo continuam a ser a mão-de-obra preferencial das empresas nacionais. Segundo o jornal, "No final de Setembro, havia um total de 745 100 empregados com contrato a prazo, mais 56 300 do que um ano antes." 

Greve dos Transportes: Metro de Lisboa encerrado até às 11h30

Tal como havia sido prometido, os/as trabalhadores/as do metro de Lisboa fizeram Greve esta segunda-feira entre as 6h30 e as 11h30, reclamando contra a diminuição dos seus salários. Assim, esta manhã todas as estações do metro encontravam-se encerradas devido à paralização.

Os Precári@s Inflexíveis estão solidários com esta e com as outras Greves nos transportes que vão acontecer esta semana.

Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

Próxima semana há Greve dos Transportes

Várias empresas públicas de transportes anunciaram que na próxima segunda-feira, dia 7 de Fevereiro, inicia-se semana de greves contra os cortes nos salários. Várias transportadoras privadas juntam-se à Greve contestando o congelamento do salário dos trabalhadores.

Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011

Deolinda - Parva que Sou



Deolinda - Parva que sou

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Testemunho: 5% de contribuições da empresa... retirados ao trabalhador

Chegou-nos um testemunho que demonstra exemplarmente a forma como as empresas se preparam para contornar as novas regras do Código Contributivo que, além erradas, se viram ainda contra os trabalhadores. Em concreto, esta tradutora fala da forma como o seu empregador usa a chantagem da precariedade para lhe impor o pagamento dos famosos 5% de contribuições para a Segurança Social que, com este Código Contributivo, passam a ser formalmente imputados às empresas que concentram 80% ou mais dos rendimentos brutos do trabalhador independente num determinado ano. Deixamos aqui o testemunho (na íntegra) e ainda uma informação importante: a obrigação de pagamento destes 5% das contribuições pelas entidades contratantes apenas se inicia em 2012 (tendo em conta a actividade dos trabalhadores independentes durante o ano de 2011). Esperamos que, além de ser uma ilegalidade, as empresas não invoquem uma obrigação que começa apenas em 2012 para começar já a reduzir (de forma duplamente ilegal e oportunista) salários/pagamentos em 2011.
Uma grande editora da nossa praça acaba de me enviar um e-mail a anunciar que passará a deduzir 5% de todos os rendimentos que eu auferir junto dela para «para benefício da [minha] protecção social».

Ora, trata-se de um crime gravíssimo: eu pago a absurdidade sabida à Segurança Social, e, como se isso não bastasse, agora que a lei obriga as entidades que recorrem a trabalhadores independentes a pagar pelo seu lado, elas vêm buscar aquilo que devem pagar ao meu bolso. Estão a contornar o sistema airosamente.

Agora que estas tácticas já chegaram às grandes casas editoriais do país (sim, porque já tinham chegado a algumas pequenas), tenho a absoluta certeza de que é uma questão de tempo até eu deixar de conseguir comer para poder pagar não só as minhas obrigações para com o Estado como também as obrigações das empresas que recorrem aos meus serviços.

Tradutora freelancer

Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011

Opinião :: António Saraiva, quanto ganhas por mês?

O Patrão dos Patrões, António Saraiva, presidente da CIP, afirmou hoje que é necessário reduzir os salários aos operários do têxtil e do calçado para aumentar a competitividade. Para os patrões que nos assaltam os bolsos, o caminho a seguir é sempre o da competitividade, um caminho apontado como único e inevitavelmente desejado por todos.

António Saraiva, se o que pretendes é a competitividade e se esta significa a produção cada vez mais barata à custa dos salários e dos direitos de todos nós, não percebo qual é o teu problema. Queres competir com quem? É que nessa matéria já somos líderes na Europa: menos salários, menos serviços públicos, menos apoios sociais, mais pobres, mais precários,....

Assim, não quero saber da competitividade para nada. Mas se há aqui alguém que não é competitivo és tu, quanto ganhas por mês? Só queres a competitividade para os outros?

Testemunho :: "Falsos" recibos verdes na HPP-Saúde (Caixa Geral de Depósitos)

Depois da denúncia do FERVE sobre a exploração a que estão sujeitos trabalhadores no British Hospital (da conhecida SLN por intermédio do Grupo Português de Saúde), o PI recebeu e divulga hoje um testemunho (protegida a identidade da pessoa) sobre a existência de vários trabalhadores a "falsos" recibos verdes no grupo HPP-Saúde, cujo accionista/dono é a Caixa Geral de Depósitos.

"Queria desde já agradecer o incentivo para relatar o meu testemunho de falso Recibo Verde. A denúncia dirigida ao British Hospital foi mote do comentário anónimo que teci, por razões óbvias, por isso gostaria de manter o anonimato.

Há uns tempos aceitei uma proposta de trabalho com condições fossem um tanto ou quanto precárias. Horário de trabalho na empresa, com material da empresa, hierarquia definida e chefia, mas falso Recibo Verde. Um valor global, do qual deveria tirar um valor para a Segurança Social, para o IRS e para o IVA.

Vídeo: Como é o Código Contributivo?

Aqui está mais uma ferramenta para simplificar a compreensão do Código Contributivo. Um pequeno vídeo que explica as alterações nos regimes de contribuições para a Segurança Social para quem trabalha com contrato ou para quem trabalha a recibos verdes.



Testemunho :: precariedade na Kelly Services e no Grupo BES

Divulgamos de seguida o testemunho de um trabalhador temporário, precário como a maioria, que trabalha mediado pela Empresa de Trabalho Temporário Kelly Services, à qual já dedicámos um post (aqui), e para a empresa utilizadora Contact E.S. Center do grupo BES. Há já muito tempo que o Grupo BES descobriu a chantagem das ETT's para impor a precariedade e os salários baixos. Vale a pena relembrar a invasão  dos Precários Inflexíveis ao Call Center do BES para convocar a Greve Geral de 24 de Novembro (aqui).

 « Boa tarde Precários!

Desde já queria-vos agradecer o facto de estarem a denunciar o negócio sujo das Empresas de Trabalho Temporário. É mesmo irónico, têm direito a roubar 50% do salário só porque sim. Hoje fala-se muito dos falsos recibos verdes, e possivelmente eles vão acabar. Mas já sabemos que eles não cessam uma forma de roubo, sem que antes não tenham já inventado outra. Acho que as ETT's é já neste momento a melhor forma de roubar trabalhadores. Fica o desafio: Querem abrir uma ETT comigo? Não deve ser difícil, com um bocado de sorte ficariamos com metade do salário do Ricardo Salgado, Fernando Ulrich, Américo Amorim, Belmiro de Azevedo, e de todos esses ladrões que hoje mandam no nosso governo.

Não pude deixar de reparar no post que fizeram sobre a Kelly Services, ETT através da qual eu estou contratado, e como tal queria também deixar o meu testemunho.

A crítica é caustica, doutra forma não faria sentido. Afinal vem de alguém que sente na pele as agruras do que é ser a ‘‘mercadoria’’ negociada entre as empresas trabalho temporário, as empresas de callcenter prestadoras de serviços, e as empresas utilizadoras.

Já trabalhei para vários callcenters, sempre subcontratado através de Empresas de Trabalho Temporário. Em todos estes trabalhos que acumulei fui sempre remunerado com valores bastante aproximados do salário mínimo nacional em vigor à data das contratações.