Já durante a passada semana, alguns especialistas da área da saúde tinham associado o aumento do número de mortos com a crise económica. O ex-director-geral da Saúde e professor da Escola Nacional de Saúde Pública, Constantino Sakellarides, o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Mário Jorge Santos, defendem que os efeitos da crise económica e do aumento das taxas moderadoras propiciam o aumento da mortalidade: "O facto de as pessoas viverem com mais dificuldades", sentidas no acesso "aos medicamentos e à saúde", e de terem a "electricidade mais cara", são "hipóteses plausíveis". Entre 20 e 26 de fevereiro de 2012, cerca de 3000 pessoas morreram. Em duas semanas, houve mais de 6000 óbitos.
Esta crise económica é também uma crise social. Mas os resultados da crise e as escolhas políticas sobre o mundo do trabalho, sobre a Segurança Social ou sobre o Serviço Nacional de Saúde, são escolhas de fundo, com opções diferentes, no panorama político nacional. Se por um lado sabemos que não é possível apontar a responsabilidade directa pelas mortes e pela perseguição nos locais de trabalho a um qualquer responsável político, por outro, sabemos que as políticas podem ser criminosas, quando protegem as empresas em nome do lucro, em vez de proteger as pessoas em nome de todos. Sabemos, enquanto trabalhadores precários ou desempregados, estudantes ou investigadores, que é muito mais difícil enfrentar os interesses das grandes empresas e da banca quando estas procuram permanentemente a exploração sem limites e a precarização do trabalho e da sociedade. Mas não aceitaremos que, em nome do mercado e das companhias, em nome dos lucros e das bolsas, se tomem opções que trazem consigo crimes sem assinatura, injustiças inevitáveis ou perseguições impunes.
No dia 22 estaremos a construir e participar na Greve Geral, porque sabemos que há alternativas e não nos conformamos com a vitória da injustiça e da desigualdade.














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